Está na sua mão não criar filhos machistas! Mostramos como isso é possível

É importante educar meninos e meninas para fugir do machismo, assim a relação entre eles irá além de estereótipos. Quanto antes você começar, melhor o resultado

Resumo da Notícia

  • É cultural: meninas e meninos crescem reproduzindo atitudes machistas
  • Tanto homens quanto mulheres são vítimas desse pensamento
  • Uma educação desconstruída desde cedo faz toda a diferença no futuro das crianças

Nasceu! Nada descreve a alegria e todas as dúvidas e questões que passam pela cabeça do casal nesse momento. Ter filho é uma responsabilidade, já que você é o principal exemplo desse bebê e será para o resto da vida. Mas ser pai no século XXI trouxe uma outra questão muito importante para ser discutida e trabalhada com os mais novos: machismo. Ele acontece a todo o momento, desde a gravidez na hora de escolher o brinquedo de cozinha para a menina e de luta para o menino até o pós-parto na divisão de tarefas com o bebê. 

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Todas as pessoas, de uma forma ou de outra, foram criadas em uma cultura machista, principalmente os homens. 

Beto Bigatti, publicitário e nosso blogueiro parceiro, pai de Gianluca e Stefano, foi criado, basicamente, pela mãe e por isso, desde novo, tinha uma visão menos sexista do que os colegas: “Durante a vida toda eu não conseguia concordar muito com o discurso machista que ouvia dos amigos e pais de amigos. Quando casei, isso já era uma realidade em casa. Nunca existiu tarefas de homens e mulheres, mas questões práticas da vida que precisavam ser resolvidas”.  

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Esse pensamento se intensificou ao se tornar pai de menino e já no pré-natal, começou a romper barreiras, sendo participante e não apenas espectador. “Eu sempre fui um pai muito atuante e várias vezes isso foi visto como algo especial, mas não é mais do que meu papel”, desabafa. Beto entende como uma luta diária, em que também precisa se policiar para dar o exemplo e essa tática de mostrar em atitudes e não apenas palavras tem mostrado bons resultados. “Me lembro a primeira vez que Gianluca chorou na frente do avô e teve como resposta: ‘Menino não chora’. Meu filho me olhou espantado, porque eu nunca tinha dito aquilo. Então peguei no colo e disse: ‘Pode chorar, não tem problema, depois a gente explica para o avô’”.

Fortalecendo os valores dentro de casa, a criança reproduz fora dela (Foto: Getty Images)

Não basta dizer, é preciso praticar

Reações assim fazem toda a diferença, segundo a doutora em psicologia e nossa embaixadora Vanessa Abdo, que aplica a mesma técnica com os filhos, Laura e Rafael. Para ela, a nossa identidade está sempre em construção e desconstrução, mas é na primeira infância que se formam os valores mais arraigados: “Quanto mais cedo você trata meninos e meninas da mesma forma, melhor é o resultado para fortalecer essa ideia de dentro para fora”. Isso não significa que é impossível começar mais tarde, mas o processo fica mais complicado. 

Acima de tudo, o principal é manter os valores claros dentro de casa, porque são eles que servirão de referência para as crianças, mesmo que escutem opiniões diferentes em outros lugares. Mas a especialista alerta: “É preciso tomar cuidado para não tornar o masculino vilão e o feminino mocinha. Os dois perdem com o machismo”. Para não cometer esse erro, reforça que é importante entender que homens e mulheres não são iguais e não é preciso neutralizar as diferenças, mas trabalhar por equidade e para garantir direitos equivalentes: “Não é necessário idiotizar os meninos para empoderar as meninas”.  

Marcos Piangers, pai de Anita e Aurora, é jornalista, palestrante e autor dos livros O Papai É Pop 1 e 2 também contou sobre a experiência: “Meu mundo mudou muito depois de se tornar pai, especialmente porque tenho duas meninas. Você entra em um mundo de sensibilidade e magia, mas também de muitas violências diárias”. Ele assume que se sente envergonhado por ter tomado essa consciência apenas após a paternidade e disse que, por ser homem, cresceu cego sobre os próprios privilégios. 

Na tentativa de criá-las sem machismo, ele busca se colocar no lugar das filhas, criando empatia. “A gente se esforça para que elas consigam explorar todo o seu potencial, independentemente do gênero”, explica e assim, como Beto, sente na prática que elas entenderam, não aceitando desrespeitos em qualquer área. Por fim, Beto Bigatti conclui: “O machismo nos oprime o tempo inteiro e faz com que o homem tenha um peso muito forte, que deixa a vida menos interessante. Conseguir desconstruir isso para nossos filhos, dá liberdade para que sejam muito mais felizes do que nós fomos e, assim, construir uma sociedade melhor”.

É na primeira infância que a criança aprende os principais valores (Foto: Getty Images)

 

BBB 2020

Nestes últimos dias, a atitude de alguns participantes do Big Brother Brasil chamou a atenção de todo mundo e trouxe uma discussão gigantesca nas redes sociais sobre machismo. O que mais chocou o público foi perceber que o que acontece ali também acontece do lado de fora e é muito mais comum do que pensamos. Encoberto de piada (que não tem graça nenhuma, diga-se de passagem), eles fazem vários comentários pejorativos para as demais mulheres da casa, indo desde reclamações em relação à “qualidade”/beleza das meninas até chamá-las de “feministinhas“.

Por essa razão, esses participantes estão sendo bastante criticados pelo público (incluindo mulheres e homens) e gerando revolta em vários deles. Não foi apenas do lado de fora que tem surgido um movimento de empoderamento das mulheres. Dentro do programa, as convidadas e inscritas também se uniram para se defender e ir contra os que apoiam esses ideais. O exemplo do Big Brother é bastante significativo pela dimensão do reality show, mas é apenas mais um caso para lembrar que ainda há um longo caminho para ter uma sociedade livre de machismo.

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