Colunistas

Toda mãe merece ter o segundo filho para se libertar da culpa

A primeira maternidade é pesada, cheia de dúvidas e medos. Quando passa pela experiência uma segunda vez, fica mais leve e gostoso.

Ser mãe da Donattela me ensinou, mas também ser mãe do Valentim me desconstruiu (Foto: iStock)

Dois risquinhos. O tão esperado positivo. O sonho finalmente se concretizando e um amor imenso sendo construído por alguém que você ainda nem conhece. A maternidade traz muitos sentimentos bons. Mas conforme os meses passam e a barriga cresce, as preocupações surgem. 

Tudo é novidade. O primeiro choro, o primeiro banho, a primeira risada. Sempre uma nova descoberta. Nesse caminho, os erros são inevitáveis, mas parece impossível se livrar daquela culpa, que martela no ouvido e nos faz esquecer de todos os acertos anteriores. 

Ser mãe de primeira viagem é pesado. Por isso, não tenho medo em afirmar: toda mulher que se predispõe a ser mãe merecia a oportunidade de ter um segundo filho, para se libertar de todas essas amarras e paranoias que carregamos com o primeiro. 

Se com o primogênito, as inseguranças predominam, o drama é recorrente e o sofrimento acompanha cada tomada de decisão, com o mais novo a gente tira muita coisa de letra. É mais leve e divertido.

Comigo foi assim. A Donatella está com 4 anos e Vicente chegou há pouco mais de 5 meses e, hoje, eu me sinto muito mais empática comigo mesma. Eu me conheço melhor e me aceito do jeito que sou, com minhas habilidades e limitações.

Não ter mais um tempo exclusivo só para o seu bebê pode parecer ruim num primeiro momento, mas te dá mais tempo para ter a visão geral e enxergar que muito mais do que dar o checklist diário, é estar presente no dia a dia dando o que tem de melhor, amor.

Isso, somado à experiência, faz da segunda maternagem um momento muito mais gostoso e eu acredito que é direito de todas as mulheres aproveitarem todas as belezas e desafios da maternidade com essa nova mentalidade. 

Não significa que todos os medos somem e você se sente imune ao erro, mas aceita que eles fazem parte não apenas da arte de ser mãe, mas da vida. Ser mãe de dois filhos me deu a oportunidade de crescer não apenas nessa função, mas como ser humano. 

Como pretendo parar a fábrica por aqui, não consigo dizer com propriedade qual a sensação de ser mãe de 3 ou até mais, porém acredito que deve ser ainda mais leve e divertido. 

Por isso, é fato. Ver os dois risquinhos é bom, mas receber essa notícia pela segunda vez é ainda melhor. Permita-se viver. Não apenas os seus filhos e familiares vão sentir a diferença. Você vai se agradecer. 

Leia também:

Mãe de menino, mãe de menina: vamos dizer adeus aos estereótipos na infância

O momento de ser mãe: quem tem a resposta somos nós

Dividir o mundo em azul ou rosa limita a possibilidade de as crianças serem autênticas