Criança

Internet não é doutor!

Muitos pais não pensam duas vezes antes de consultar o Dr. Google. Mas a orientação virtual pode ser perigosa

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

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Seu filho está com febre, se queixando de dor intensa em alguma parte do corpo, muitas vezes está chorando e você, quase entrando em pânico, logo abre a página de um buscador da internet, digita os sintomas e clica em “pesquisar”. Em seguida, abre os primeiros sites que aparecem como resultado e começa sua própria investigação dos possíveis vilões da saúde. Sabemos que como mãe ou pai sua intenção é a melhor, mas vá com calma, consultar a internet em vez do médico não é a melhor saída.

Um caso de tosse nem sempre deve ser resolvido com xarope. Às vezes é necessário um antialérgico ou antibiótico. Os sintomas são os mesmos, mas a doença pode ser outra. A regra é nunca automedicar, pois a doença pode se agravar e ter uma série de efeitos colaterais. “Eu vejo que os pais tentam consultar o Google para saber o que o filho tem, mas para o diagnóstico é preciso uma avaliação criteriosa. Não adianta apenas procurar os sintomas e querer saber qual é a doença. Em termos de diagnóstico, a internet funciona muito mal”, diz o pediatra Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia.

Segundo a Dra. Márcia Sanae Kodaira, pediatra do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, mãe de Carlos Eduardo, Marcelo e Renata, 33% dos brasileiros buscam informações de saúde na internet. “Esse é um hábito comum que dificilmente deixará de existir. Antes da internet, as mães perguntavam para avós, vizinhas, amigas. Sempre existiu esse hábito de pedir informação para leigos, como amigos e parentes”, ressalta a médica. Para ela, é importante é orientar a família como e quando procurar de forma adequada.

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“Eu mesma solicito muito o Google quando minha filha está sentindo algo, mas não dou nenhum remédio e não deixo de levar ao médico para confirmar”, conta Brunna Luise, mãe de Lívia, de 1 ano. Porém, certa vez as pesquisas lhe renderam um susto desnecessário. Quando a filha tinha poucos meses, ela achou que Lívia precisaria fazer uma cirurgia, pois estava com o umbigo inchado, e Brunna suspeitava que era uma érnia. O pediatra confirmou o diagnóstico, mas falou que não tinha necessidade de operação, pois a érnia era muito pequena e o umbigo voltaria para o lugar sozinho.

Já Lucas Barretto, pai de Isabella, de 4 anos, teve uma experiência ruim ao consultar o Google no lugar do médico e subestimar a condição da criança.  Em dezembro de 2014, houve um surto de catapora a creche da filha e ela pegou a doença. Ficou cheia de feridas pelo corpo, sentia muita coceira e chorava muito. O pai consultou a web e seguiu instruções de medidas paliativas que encontrou em alguns sites para amenizar as bolinhas pelo corpo enquanto esperava que a doença fosse passar em alguns dias. Porém, o quadro não melhorava, e depois de dois dias ele, finalmente a levou ao médico. Na verdade, o diagnóstico do médico foi mais grave do que o do Dr. Google: a menina estava com infecção nas feridas e precisou tomar antibióticos.

Pesquisadores de doenças

Por outro lado, alguns pais afirmam consultar o Google porque não encontraram um médico em que confiem. Mãe de primeira viagem, Alessandra Penna diz que não havia encontrado um bom especialista para cuidar de Lucas, de 1 ano e meio. Ela tentou tratar de uma tosse do filho que já durava mais de um mês com um xarope recomendado pelo médico. Como o quadro não melhorou, resolveu pedir a opinião de outros especialistas, recebendo diagnósticos variados, como gripe, resfriado e bronquiolite. “Demorei para encontrar um pediatra que falasse a minha língua e enquanto isso, acabei confiando mais na internet”.

Para um diagnóstico correto, é preciso considerar a história clínica da criança e dos familiares, o exame físico e, dependendo da ocasião, os exames de laboratório. Existe uma grande gama de doenças, mais e menos graves, que podem apresentar sintomas semelhantes. Uma pessoa que está com dor de barriga pode, por exemplo, ter um problema sério, como apendicite, ou um problema simples, como gases. Se até os médicos podem demorar para dar um diagnóstico correto, imagine quanto transtorno a internet pode causar. Às vezes, um problema simples pode gerar um pânico imenso e causar um desespero à toa.

“Tive um paciente que nasceu com emangioma, um acúmulo de vasos sanguíneos que, neste caso específico, não era grave e ia melhorar com o crescimento. A mãe pesquisou na internet, achou alguns casos graves e entrou em pânico”, conta o Dr. Claudio. Nada de jogar no Google alguns sintomas e chegar às suas próprias conclusões. Leve ao médico assim que você notar algo errado no seu filho.

Internet a seu favor

No quesito agilidade, a web é campeã absoluta. Bastam alguns segundos para que você encontre material sobre os mais diversos assuntos. A informação é abundante e parece até que não há nada que o Google desconheça. Mas esse é mais um dos problemas: Em um mar de informações, como saber o que é confiável e o que não é? A internet é, ao mesmo tempo, conveniente para abrigar e disseminar informação de qualidade e capaz de divulgar dados sem qualquer credibilidade. O mais importante é nunca acreditar que algo é verdadeiro apenas porque estava na internet.

Para os pais, a ferramenta é útil principalmente no pós-diagnóstico do médico. “A internet nunca pode substituir o diagnóstico, mas pode ser uma boa fonte de informação depois que você já sabe exatamente o que seu filho tem e o que procurar”, afirma o Dr. Claudio. Até para entender melhor determinada doença ou condição, o pediatra afirma que é normal que os pais pesquisem mais a fundo.

Um pai que já recebeu o diagnóstico de que seu filho tem autismo, co