Menina de 8 anos recria fotos de ícones negras para provar que ela pode ser o que quiser

A ideia surgiu depois que Clara sofreu racismo na escola, com isso a mãe decidiu realizar o projeto para mostrar que a filha podia realizar qualquer sonho

Resumo da Notícia

  • Clara Larchete, de 8 anos, decidiu usar o próprio perfil do Instagram de maneira super criativa
  • Desde o ano passado e com a ajuda da mãe, Daiane, ela tem reproduzido fotos de ícones negras de diversas áreas
  • A ideia veio depois que a menina sofreu racismo na escola, e a mãe decidiu realizar o projeto para mostrar que a filha podia ser o que quisesse

Clara Larchete, de 8 anos, decidiu usar o próprio perfil do Instagram de maneira super criativa. Desde o ano passado e com a ajuda da mãe, Daiane, ela tem reproduzido fotos de ícones negras de diversas áreas, desde Conceição Evaristo, a primeira mulher preta eleita deputada estadual no Brasil até Michelle Obama. 

-Publicidade-

As legendas sempre explicam rapidamente sobre a vida da mulher homenageada. A mãe, ainda conta que a ideia surgiu de uma atividade escolar, em que Clara reproduziu uma foto da pintora Tarsila do Amaral e o resultado foi postado por Daiane no Instagram. “Não achava que ia ter tanto retorno positivo”, diz.

Clara recriou imagem de Maria Conceição Evaristo após sofrer racismo na escola (Foto: Reprodução/ Instagram)

A ideia também veio do pensamento de Daiane de introduzir uma conversa sobre racismo com Clara, e sobre não se deixar diminuir ao ouvir algum tipo de comentário preconceituoso. “Clara já sofreu racismo na escola. Na primeira vez, eu não estava preparada para aquilo, nunca imaginei que ela fosse ser discriminada”, explica.

“Chegou um momento que toda vez que eu a arrumava para ir para a aula, ela chorava. Se preocupava se o cabelo estava preso, não queria mais usá-lo solto. Aí contou que tinha um menino que falava que ela era feia, que cabelo era feio”, disse Daiane. A menina ainda lembrou de outro episódio que vivenciou na sala de aula.

A menina de 8 anos recria imagens de ícones negras, como Maju Coutinho (foto: Reprodução/ Instagram)

“Uma menina na minha sala, mais escura do que eu, falava que quando minha mãe fazia penteados parecia um monte de lixo. Até que teve um dia que eu falei com a professora”, conta. Depois disso a escola fez um projeto sobre o preconceito racial, segundo a mãe.

Em casa, Daiane viu na releitura de Tarsila do Amaral um método para ensinar a filha sobre grandes mulheres negras que foram atrás de seus sonhos. “É uma forma de dizer que ela pode ser o que ela quiser”, aponta Daiane. “Quando vê que mulheres saíram de lugares simples e conquistaram a própria voz, ela entende que também tem a sua força, independentemente do lugar em que esteja crescendo e onde esteja estudando”, acrescenta.

A criança recriou foto de Michelle Obama para provar que ela pode ser o que quiser (Foto: Reprodução/ Instagram)

Clara ainda conclui sobre o que pensa do projeto, além de demonstrar ânimo em recriar foto de Ofélia, personagem preta do ‘Quintal da Cultura’, que está quase todos os dias com um penteado diferente. “Acho essas homenagens muito legais porque estamos lembrando pessoas que mudaram nossa história, mulheres que lutaram pelos seus sonhos”.