Alerta! Anvisa e PF apuram venda de suposta vacina falsa contra Covid-19 no Brasil após relatos

De acordo com os relatos, nas redes sociais e de pessoas que dizem ter visto a cena, o produto falso custa R$ 50, com direito a certificado e aplicação na hora se a pessoa quiser

Uma reportagem da Folha publicada nesta terça-feira (22) alertou para um fato no mínimo curioso que estaria acontecendo no Rio de Janeiro. Nas ruas em Madureira, bairro da zona norte do Rio, camelôs teriam sido encontrados vendendo vacinas falsas contra a covid-19.

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De acordo com os relatos, nas redes e de pessoas que dizem ter visto a cena, entre elas o produtor cultural Sérgio Oliveira, morador de Madureira e conhecido como Jones MFjay, (o primeiro a relatar o caso na Internet), o produto falso custaria R$ 50, com direito a certificado e aplicação na hora se a pessoa quiser.

O produtor cultural passava pela passarela que fica em frente à escola Império Serrano e leva à estação de trem nesta segunda (21), quando teria escutado de um dos camelôs: “Na minha mão é galo, na minha mão é galo, é a cura da Covid!”.

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“Galo” na gíria carioca quer dizer que custa R$ 50, um dos números que representa o animal no jogo do bicho. A caixa teria escritos em (o que parece ser) chinês. Embaixo, se lia “SARS-CoV-2 Vaccine, Inactivated”, uma suposta vacina contra o novo coronavírus.

(Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

“Cheguei por trás do ombro do coroa, coloquei os óculos de leitura, falei ‘deixa eu tirar uma foto’ e saí rindo. Não vi ninguém comprando, não acredito que as pessoas devam comprar. Afinal é R$ 50, não é de graça, né?”, diz Jones, que publicou a foto nas redes sociais e acabou viralizando. “Só no meu país Madureira mesmo, terra de malandro”, ele brinca, e diz que depois da postagem um amigo seu comentou que em Bangu, na zona oeste, também estariam vendendo algo parecido.

Apuração de suposta fake news

Segundo a Folha, a cena que ele e ao menos outros três moradores relatam está sendo apurada pela Polícia Federal e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que informou que “todas as denúncias são investigadas” pelos dois órgãos. Ambos, porém, afirmam que não é possível compartilhar nenhuma informação sobre as diligências em curso. “Qualquer comercialização ou aplicação de vacina, fora de pesquisa, de Covid-19 hoje no Brasil é atividade irregular e oriunda de falsificação, pois não há vacinas autorizadas no Brasil até o momento”, ressalta a agência reguladora.

A Polícia Civil do RJ disse que a Delegacia do Consumidor instaurou inquérito para investigar a informação publicada em redes sociais. “Os agentes realizaram diligências no local e constataram não haver comercialização do medicamento. A suspeita é de que a informação veiculada sobre a venda da vacina seja fake news (notícia falsa).” A Guarda Municipal do Rio afirmou que também não constatou a comercialização da vacina falsa no momento de seu patrulhamento de rotina em Madureira.

Também de acordo com a Folha, porém, ao menos quatro moradores do bairro dizem ter visto ou recebido a oferta. Uma mulher conta que parou para comprar uma blusa e um homem perguntou se ela queria comprar a vacina. Por receio, ela não quis detalhar quem foi nem onde foi exatamente. Outro internauta gravou um vídeo: “Minha mãe chegou em casa e falou: ‘Fernando, estão vendendo vacina do Covid em Madureira’. Eu falei: ‘para de caô coroa, para de lorota, você tá imaginando coisa'”, afirma. “Os caras estão vendendo ‘pique’ película de telefone, gritando lá, ‘vacina do Covid’, ‘aplicação na hora'”.

Mais tarde, em entrevista ao jornal Extra, publicada no dia 23 de dezembro, Jones MFjay admitiu ter feito o post “mais para brincar com algo inusitado que teria testemunhado do que realmente levantar suspeitas de um crime”. As fotos que circulavam nas redes sociais teriam sido tiradas em Abu Dhabi, e não no Brasil: