Criança com medo de dentista: dicas para diminuir, por que acontece e como lidar

Se você tem medo de dentista, seu filho não precisa ter! Para isso, é importante buscar o profissional certo e usar técnicas para melhorar a situação. A odontopediatra, Thelma Parada, deu dicas de ouro para driblar o problema

Resumo da Notícia

  • Na infância, o medo de dentista pode ser subjetivo ou objetivo
  • Os pais tem um papel fundamental quando o assunto é o cuidado com a saúde bucal
  • O hábito de ir ao dentista precisa ser preventivo desde cedo

Na infância, é comum se ter algum tipo de medo e o de dentista, também pode acontecer. Mas, é superimportante que o acompanhamento bucal aconteça desde cedo, pois ajuda na prevenção e também facilita que algum problema seja descoberto o quanto antes. Um dos maiores desafios dos pais é levar os filhos ao consultório, mas calma! Esse receio não precisa acontecer com você.

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É ai que entra o papel do odontopediatra, que é especializado no atendimento infantil e faz toda a diferença. De acordo com a especialista Thelma Parada, mãe de Guilhermina, e embaixadora da Pais&Filhos, ter um consultório voltado para a criança também pode auxiliar neste processo. “Ter um ambiente adequado, um consultório que remeta a criança, ajuda bastante. A criança fica mais tranquila, porque ela sabe que está chegando em um lugar preparado e que espera por ela, igual quando a criança chega em um restaurante que possui brinquedos, por exemplo. Mas, é importante reforçar que apesar de ajudar, não significa que irá intervir completamente no comportamento dela”, explica.

Mas, o que fazer se a criança tem medo de ir ao dentista?

Para que a criança não tenha medo de fazer uma consulta no dentista, a odontopediatra recomenda que trabalhar a prevenção é o primeiro passo. “É importante não deixar para ir ao dentista apenas em momentos de dor, para que não haja uma associação. Outro ponto essencial é que os pais não ‘ameacem’ os filhos com frases como, ‘se você não escovar os dentes vai tomar injeção’, ‘o dentista vai arrancar o seu dente e vai doer'”.

A família pode ajudar a criança que tem medo de dentista (Foto: Getty Images)

Já no consultório, se a criança estiver muito assustada, é possível interagir com várias técnicas diferentes. O dentista pode contar histórias, cantar músicas, fazer coreografias, esculturas com massinha, mágica e também usar a fala e o olhar para fazer combinados. “Quando a criança tem menos de 3 anos e está muito assustada, é muito difícil conseguir conversar com ela e acalmá-la. Agora, se ela tem mais de 3 anos e uma boa compreensão da linguagem, fica mais fácil. A interação deve ser sempre lúdica, usar os personagens e os assuntos que ela gosta”.

Por que o medo de ir ao dentista acontece na infância?

Geralmente, esse fator pode estar associado a causas subjetivas, ou ainda a histórias que a criança ouviu e medo que os pais colocaram. “Nós temos dois medos na verdade, um que chamamos de subjetivo, no qual a criança acha que vai doer, ou porque assistiu em um filme, porque ouviu historia de alguém, ou foi com o pai ou a mãe ao dentista e se impressionou”, comenta Thelma.

Já o outro medo citado pela odontopediatra é o objetivo: “É quando a criança realmente passou por uma situação desagradável. E aí, é importante identificarmos qual medo a criança tem. Quando é subjetivo, é mais fácil com técnica quebrarmos isso, mas quando a criança vem de tratamentos anteriores de mal sucesso, com dor, violência, é complicado e demoramos um pouco mais para tratar”.

Em alguns casos, o medo de dentista pode ser tratado também com um psicólogo

Quando o odontopediatra percebe casos mais extremos, eles podem sim recomendar tratamentos psicológicos à família. Mas, em casos em que o cuidado odontológico precisa ser de emergência/urgência, é preciso driblar o medo das crianças nesse momento. “Não da tempo de fazer o tratamento psicológico, porque o resultado é longo e eu tenho um caso de emergência. Então, se a criança estar com muito medo pode ser necessário entrar em sedação, ou entrar com estabilização”.

Ir ao dentista desde cedo, é um ato de prevenção superimportante na saúde bucal (Foto: Freepik)

Além disso, Thelma Parada orienta para outras intervenções: “Pode haver um diagnóstico de autismo que ou pais não estejam vendo, ou ainda algum transtorno que vai além do mau comportamento”, explica. “De maneira super delicada, temos que indicar esse diagnóstico para outros colegas”.

Os pais podem (e devem!) ser exemplos para os filhos

Ir ao dentista precisa virar rotina e para que isso se torne cada vez mais comum para as crianças, os pais podem colaborar para o processo. “A família pode participar indo ao dentista, escovando os dentes na frente das crianças, tendo rotina de cuidados com os dentes, não colocando medo, contando o fato deles sem amedrontar e passar fio dental na frente das crianças”, comenta.

Além disso, a odontopediatra explica que sempre que possível, os pais podem levar as crianças junto com eles nas consultas. Mas, em épocas de pandemia, uma foto no consultório do especialista também pode ajudar! “Dessa maneira, a ida ao dentista se torna uma forma de prevenção para as crianças”, conclui.