Irmãos que passaram por cirurgia rara com horas de diferença recebem alta do hospital juntos

A dupla mora em Garça, no estado de São Paulo, e têm uma doença cardíaca, genética e incomum chamada Doença de Danon. Por isso, precisaram passar por um transplante de coração

Resumo da Notícia

  • Irmãos que passaram por cirurgia rara com horas de diferença recebem alta juntos
  • A dupla mora em Garça, no estado de São Paulo, e têm uma doença cardíaca, genética e incomum chamada Doença de Danon
  • Por isso, os dois passaram por um transplante de coração
  • A cirurgia deles aconteceu com 48 horas de diferença
  • Os dois receberam alta juntos na última quinta-feira

Gustavo e Paloma, os dois irmãos de Garça, no interior de São Paulo, que passaram por transplantes de coração com apenas 48 horas de diferença, receberam alta do hospital juntos na última quinta-feira, 22 de abril, após 11 dias de internação no  Hospital das Clínicas de Botucatu (SP). Os dois já voltaram para a cidade natal.

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Irmãos que passaram por cirurgia rara com horas de diferença recebem alta juntos (Foto: Getty Images)

Durante a internação, conforme apontado pelo G1, os dois ficaram na UTI para que permanecessem isolados. A decisão veio porque as pessoas que já passaram por um transplante fazem parte do grupo de risco da covid-19. De acordo com informações do hospital, os dois conseguiam se encontrar durante esse período de internação e, inclusive, almoçavam juntos.

A recuperação rápida dos jovens, que têm 18 e 19 anos, foi possível graças às  fisioterapias e exercícios feitos no hospital. Os dois vão continuar se recuperando em casa, mas devem ir à unidade de atendimento uma vez por semana, para fazer um acompanhamento da cirurgia.

Relembre a cirurgia

Gustavo e Paloma, de 18 e 19 anos, receberam transplante de coração no final de semana do dia 14 de abril. A dupla encontrou doadores compatíveis com menos de 48 horas de diferença e realizaram a cirurgia no Hospital das Clínicas de Botucatu. Eles moram em Garça, no estado de São Paulo, e têm uma doença cardíaca, genética e rara chamada Doença de Danon.

Os irmãos fizeram o transplante com diferença de 48h (Foto: Reprodução/ G1)

Segundo o coordenador clínico do programa de transplante cardíaco do HC da Unesp, Marcello Felício, essa doença tem um componente genético que é passado pela mãe. “Essa doença acomete o coração, causando uma hipertrofia do músculo cardíaco. O músculo fica mais espessado e, em alguns casos, o coração pode também dilatar. Está associado a arritmias graves e muitos pacientes apresentam também morte súbita”, explica.

O menino, segundo o G1, conseguiu um doador primeiro, na sexta-feira, 9 de abril, o órgão foi transportado do Paraná pela Força Aérea Brasileira. E, felizmente, enquanto ele melhorava na UTI, no domingo, 11, a irmã conseguiu um coração compatível para ela também. A mãe de Gustavo e Paloma, que também já passou pelo procedimento, e perdeu um filho de 15 anos pela mesma doença no ano passado, ficou muito emocionada com a rara oportunidade dos jovens.

“Como eu passei por um óbito dentro de casa, eu tinha muito medo de ver mais dois, então esse milagre que aconteceu dentro desses sete dias foi tremendo para mim. Até a medicina ficou abismada com o que aconteceu. No meio de uma pandemia aparecer dois corações assim para os dois irmãos, […] foi muito lindo, não canso de agradecer”, agradece Noeli. Segundo ela, os irmãos estão bem e se recuperam na mesma UTI no Hospital das Clínicas de Botucatu.