Família

Mães ao trabalho: depois de ser demitida, ela se reinventou e voltou realizada ao mercado de trabalho

Andressa perdeu o emprego logo após voltar da licença maternidade, mas isso foi um impulso para ela mudar sua vida

Helena Fonseca

Helena Fonseca ,filha de Bethania e Paulo

(Foto: Acervo pessoal)

(Foto: Acervo pessoal)

Mais uma história que chega no projeto “Lá em Casa é Assim”, parceria da Pais&Filhos com a Natura Mamãe e Bebê, e nos emociona! A gente sabe que às vezes é muito difícil para a mulher retornar ao trabalho depois de se tornar mãe. A Andressa enfrentou a dura realidade de muitas mulheres no Brasil: foi demitida após retornar da licença-maternidade. Ao invés de se abater, isso foi um empurrão para ela se reinventar e se tornar uma empreendedora. Venha conhecer essa história!

“No dia 15/05/2013, exatamente às 15h, eu nasci mãe de uma garotinha doce chamada Manuela. Eu continuei esposa do Fernando, mas parece que, de alguma forma, junto com a placenta também foram para o lixo as minhas certezas como mulher e profissional.

Eu, Andressa Vieira Viçoso Bristotti, sempre muito certa do que queria, não sabia mais exatamente quem eu era. Fui seguindo o fluxo, acabou a licença maternidade, voltei a trabalhar e quando minha filha completou 6 meses de vida eu fui demitida.

Eu não sofri por sair daquela empresa, mas também não tinha certeza se ficar em casa me dedicando exclusivamente a minha filha me faria feliz. Comecei a buscar uma recolocação e o mercado começou a se fechar para mim. Eu que sempre consegui novas oportunidades de trabalho quando buscava, agora ouvia “mas você tem uma filha pequena”, “precisamos de alguém que possa se dedicar ao trabalho”, “não podemos ter alguém que tenha hora para sair”.

Antes de ser mãe eu nunca ouvia essas negativas ou questionamentos sobre a rede de apoio que eu tinha para que eu pudesse me dedicar exclusivamente à empresa. Que mundo era esse que as mulheres precisariam escolher entre carreira ou filhos?

Eu que estava cheia de incertezas sabia pelo menos de uma coisa – não, eu não poderia me dedicar apenas para a empresa e não, eu não quero viver o meu trabalho, amo trabalhar, mas me dedicar exclusivamente ao meu trabalho não é saudável e nem justo com a minha filha.

Fui tentar entender como outras famílias estavam lidando com isso e descobri um universo novo – o empreendedorismo. Diversos pais estavam optando por abrir o seu próprio negócio para pelo menos poder gerenciar de forma mais livre o tempo com os filhos, ser mais presente.

Apaixonei-me pela ideia, mergulhei nesse admirável mundo que era novo para mim e decidi abrir o meu próprio negócio. Junto com uma sócia começamos a Avambu, que no começo era um e-commerce de roupas infantis e depois se consolidou como uma loja especializada em produtos para desfralde e começamos a árdua batalha de ser uma pequena empresa.

Posso te garantir por experiência que ser empreendedor é um desafio enorme, mas ser ainda mãe empreendedora, optando por estar mais presente na vida dos filhos é quase uma loucura. Me sentia muito sozinha e perdida, comecei a participar de grupos de mulheres empreendedoras, de redes de mães empreendedoras e conheci mulheres incríveis mas que estavam tão sozinhas quanto eu.

Essa coisa de mundo digital é ótima, só que na solidão da maternidade a gente precisa mesmo é de um olho no olho, um abraço, uma mão estendida e um ouvido pronto para te ouvir, cheio de empatia e amor.

Decidi que iria ajudar outras mães empreendedoras e criei um projeto de empreendedorismo social chamado Pita.Cos. A ideia é basicamente a seguinte: a cada semestre abrimos uma turma para mulheres que sejam mães e que possuam um negócio já começado, mesmo que seja recente. Esse grupo se encontra a cada 15 dias, para uma manhã de escuta e ajuda. Duas empresas se apresentam por encontro e colocam suas dúvidas, medos e maiores problemas na roda. As demais participantes, mulheres de segmentos e formações diversas dão palpites, oferecem ajuda, indicam parceiros e compartilham conhecimento. Pode levar o sócio, mas as mulheres precisam fazer parte da diretoria da empresa.

Um grupo no WhatsApp se mantém ativo após os encontros para que essas mulheres possam pedir um pitaco a qualquer momento. Uma rede de apoio genuína, sem horário para acontecer e cheia de pessoas que sabem o que você sente.

Hoje estamos em nosso 5º ciclo – são mais de 50 empresas que já passaram pelo projeto. Com seu crescimento, outras mães que eram participantes se tornaram voluntárias e seguem fazendo o nosso projeto brilhar.

Somos administradoras, advogadas, artesãs, costureiras, cozinheiras, fisioterapeutas, publicitárias, comerciantes e tantas outras profissões que passam ou já passaram pelo Pita.Cos. Somos mães, mulheres, guerreiras e baita empreendedora principalmente por que temos umas as outras.

Como minha vida é em rede, também criei uma página no Facebook para falar sobre desfralde e ajudar outros pais a compartilharem dicas sobre o tema. O Desfralde Ativo é o maior grupo online sobre o assunto, com mais de 2400 pessoas dispostas a falar sobre a saída das fraldas com muito respeito pelas crianças.

Ah! Não posso esquecer de incluir na minha história que no ano passado, no dia 08/04/2017 nasci mãe de dois filhos, agora do Eduardo, um menino feliz e leve, como a vida segue depois que me uni e descobri a força que um grupo de mulheres possui para fazer o impossível acontecer”.

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