Mais de 56 mil bebês não foram registrados com nome do pai neste ano

Segundo dados levantados pelos cartórios de registro civil, somente nestes 4 primeiros meses do ano mais de 56 mil bebês não tiveram o nome do pai na certidão de nascimento

Resumo da Notícia

  • Segundo dados levantados pelos cartórios de registro civil, somente nestes 4 primeiros meses do ano mais de 56 mil bebês não tiveram o nome do pai na certidão de nascimento
  • Isso só reforça o fato das mulheres precisarem criar os filhos sozinhas por causa da ausência do pai
  • Por trás do dado, há uma série de impactos que recaem não apenas no dia a dia das mães, mas também no dos filhos

Segundo dados levantados pelos cartórios de registro civil, somente nestes 4 primeiros meses do ano mais de 56 mil bebês não tiveram o nome do pai na certidão de nascimento, no Brasil. Isso só reforça o fato das mulheres precisarem criar os filhos sozinhas por causa da ausência do pai.

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Por trás do dado, há uma série de impactos que recaem não apenas no dia a dia das mães, mas também no dos filhos — como eventuais problemas psicológicos em crianças que crescem sem o apoio paterno, com mães sobrecarregadas e sem rede de apoio. Esses números ganham ainda mais relevância quando se observa que em 2022 foi registrado o menor número de nascimentos desde o início da série histórica feita pela Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais).

Mais de 56 mil bebês não tiveram o nome do pai na certidão de nascimento neste ano
Mais de 56 mil bebês não tiveram o nome do pai na certidão de nascimento neste ano (Foto:; Getty Images)

Até abril deste ano, foram registrados 858.108 recém-nascidos, 6,6% deles sem o nome do pai na certidão de nascimento. Comparado ao mesmo período de 2018, quando nasceram 954.923 crianças e 51.177 delas foram registradas somente com o nome materno, o número de mães solo cresceu em 5.754 registros.

Esses dados não são somente números ou estatísticas. Retratam pessoas que tiveram a educação, a criação e até o psicológico afetados pela ausência da figura paterna. A assistente administrativa Grazielle Silva, de 29 anos, lembrou ao portal do R7 que cresceu sem o pai. Segundo ela, ele nem sequer “teve a curiosidade” de conhecê-la ou registrá-la.

“Ele nunca apareceu, minha mãe tentou contato por diversas vezes, e nada. Ele me rejeitou totalmente”, disse. “A figura de um pai fez muita falta. Se eu tivesse crescido com ele, acredito que saberia lidar um pouco melhor com meus relacionamentos. Às vezes meu relacionamento nem está tão legal, mas eu me mantenho nele por medo de que meus filhos cresçam sem o pai. É uma coisa que passei e não quero que eles passem”, desabafou.