Mais de 90 bebês e crianças esperam vagas em UTI: “Estado de calamidade”, desabafa mãe de paciente

Segundo lista governamental, 91 bebês e crianças aguardam por uma vaga nas UTI’s infantis (Unidades de Terapia Intensiva). Desse valor total, 62 precisavam de leitos para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag)

Resumo da Notícia

  • Mais de 90 bebês e crianças aguardam por uma vaga em UTI's (Unidade de Terapia Intensiva). Desse número, 62 pacientes infantis precisavam de leitos para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave
  • Segundo uma médica que trabalha no Recife e na Região Metropolita, há relatos de ao menos três óbitos em 15 dias.
  • Mas, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Pernambuco vive atualmente seu período de sazonalidade das doenças respiratórias, que, de maneira histórica, há uma maior ocorrência

O número de bebês e crianças que aguardavam vagas em UTI’s (Unidades de Terapia Intensiva), durante esta terça-feira, 17 de maio, chegou a 91, em Pernambuco. Segundo reportagem do G1, a lista com a numeração foi enviada pelo governo ao Ministério Público (MPPE). Ao todo, apontou que 11 bebês e 80 crianças estavam na fila de espera. Desse valor total, 62 precisavam de leitos para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

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Dentre esses bebês e crianças, está a Aylla, de apenas nove meses de vida. A bebê recebeu ficha vermelha na emergência de uma unidade de Peixinhos, em Olinda. Mesmo com pneumonia e quadro médico considerado grave, a Aylla passou dois dias esperando por um leito de UTI, até ser transferida no último domingo, 15 de maio, ao Hospital Barão de Lucena, no Recife. No dia seguinte, a menina foi direcionada à Maternidade Brites de Albuquerque, em Olinda.

Ao vivenciar a situação tensa de saúde da filha, em paralelo a dificuldade de atendimento médico, a Yngrid Conceição, de 24 anos, usou as redes sociais para desabafar sobre o acontecido com a Aylla. “A gente está em estado de calamidade. Como é que não tem um leito de hospital? Vocês não sabem como é angustiante ver a sua filha em tal situação e sem conseguir fazer nada”, disse a mãe de Aylla.

Familiares aguardam pelo atendimento de bebês e crianças
Familiares aguardam pelo atendimento de bebês e crianças (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal / G1)

Via telefonema, a mãe contou ao G1 que a bebê está intubada, na UTI Neonatal da maternidade. “Está um caos total. A demanda é muito grande. Minha filha estava na senha vermelha e demorou três dias para chegar onde está hoje. E isso fez com que o quadro se agravasse”, afirmou.

Situação no hospital

Segundo informações emitidas pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a espera por atendimento sobrou na última semana. Em 8 de maio, eram 40 solicitações para leitos de UTI, sendo para 36 crianças e 4 adultos. Já no último domingo, 15 de maio, chegou a 73 o número de solicitações, sendo 70 para crianças e 3 para adultos.

Uma médica que trabalha em seis unidade pública de saúde do Recife e Região Metropolitana, relatou também ao portal jornalístico, que a situação é gravíssima e que chegou a ver o oxigênio se retirado de uma criança menos grave para socorrer uma que teve uma crise convulsiva. Com receio de sofrer represália, a funcionária optou em não ser identificada. Mas, afirmou que bebês e crianças chegam a passar cerca de quatro dias esperando por uma vaga em leito de UTI. Aos pacientes que encontram-se com um quadro grave de saúde, a demora, algumas vezes, é fatal.

“A situação é caótica. As crianças estão morrendo. No meu plantão, tinha uma bebê de dois meses que esperou quatro dias. No quarto, a gente conseguiu transferir, finalmente. Ela chegou ao Barão de Lucena, foi intubada e no dia seguinte faleceu”, falou.

Ainda de acordo com a médica, há relatos de ao menos três óbitos em 15 dias. Além da de bebê de 2 meses, ela foi informada da morte de outros bebês de sete e de nove meses. “Se a gente tem o Barão de Lucena e Imip [Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira] funcionando, com vaga, a gente tem outras possibilidades antes de tentar intubar. E a gente não está tendo isso”, afirmou.

“ó atende quem chegar grave. Febre, coceira no corpo, diarreia, não atende. E a gente está tendo uma série de problemas com famílias, que não entendem que não existem vagas, ficam revoltadas”, complementou.

Esclarecimento  

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde da Capital disse, por meio de nota à imprensa, que acompanha cotidianamente a listagem da ocupação de UTI e que, por conta do aumento da fila de espera, instaurou uma notícia na última segunda-feira, 16 de maio. Nessa mesma data, foi remetido ofício ao Secretário Estadual de Saúde, André Longo, para que fossem apresentadas, no prazo de 72 horas, “as razões para o expressivo aumento da fila de espera por leito de UTI infantil com Srag na rede estadual de saúde, nas últimas semanas, bem como as providências adotadas para a solução do problema”.

No último domingo, 15 de maio, era 73 o número de solicitações por UTI, sendo três para adultos e 70 para crianças
No último domingo, 15 de maio, era 73 o número de solicitações por UTI, sendo três para adultos e 70 para crianças (Foto: Reprodução / Seplag)

Também por nota à imprensa, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Pernambuco vive atualmente seu período de sazonalidade das doenças respiratórias, que, de maneira histórica, há uma maior ocorrência. A SES-PE reconheceu o grande fluxo de atendimentos pediátricos e afirmou que ocorre em toda a rede hospitalar, sendo elas pública e privada.

Por fim, o governo disse que vem, trabalhando para ampliar a rede e atende o público de “forma descentralizada e regionalizada”.