Família

“Nosso filho abriu caminhos para as pessoas repensarem o que é família”

A família Benitez Weffort mostra a importância de repensar rótulos e reafirmar o quanto o mundo é diverso

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

A Mariana Weffort participou do projeto Lá em Casa é Assim”, parceria da Pais&Filhos com a Natura Mamãe e Bebê, e relatou sua trajetória com a Barbara até a chegada do pequeno Caetano. Depois de passarem por encontros ao decorrer da vida, elas se casaram e puderam formar uma linda família. Para elas, antes mesmo de Caetano chegar, ele abriu caminhos para as pessoas repensarem o que é família, repensar rótulos e reafirmar o quanto o mundo é diverso. Vem conhecer essa história:

“Em uma manhã qualquer de 2001, o sinal para o recreio tocou. Aquela correria para entrar na fila da cantina para passar mais tempo conversando com os amigos. Pronto: lanche em mãos e rodinha feita. Começam as gargalhadas! Olho para o relógio ansiosa. Ela está atrasada. Disfarço, me viro para olhar aquela multidão no pátio da escola e então surge aquela garota de sorriso largo e moletom branco amarrado na cintura caminhando em nossa direção. Borboletas surgem! E agora? Desvio o olhar tentando não chamar a atenção. Fico ali parada achando que assim me tornaria invisível.

Ufa! O sinal toca para voltarmos à sala. Despeço-me rápido e o coração volta a bater normalmente. Foi assim durante dois anos de colegial, a garota do moletom branco nunca notou minha presença. Melhor assim, ô época confusa! A vida seguiu até chegar o final de 2009. Ano Novo! Aonde ir? Um amigo me disse: ‘Mari! Uma amiga vai para Ilha Bela, vamos?!’

Aquela semana de comemoração passou rápido, uma pena. Despedi-me encantada por essa outra garota de sorriso largo, que também não me notou. Foi assim o início de 2010. Mais alguns meses se passaram e eu tinha uma viagem para Europa se aproximando! Esse mesmo amigo estava com dúvida se iria junto mochilar.

Chegou o dia e fui! E uma semana depois, veio o e-mail confirmando: amigo e garota do sorriso largo irão me encontrar em Roma! ‘Preparem os mochilões que iremos andar bastante!’. Foram-se as cidades, os países, as experiências… e em algum momento desse turbilhão de novidades, sinto as borboletas se aproximando: tudo ficou em câmera lenta. Vi novamente aquele sorriso. Não pode ser!

Retomei o fôlego e soltei a pergunta:

– ‘Ô Barbarela! Por acaso você usava no colégio um moletom branco da Planet Hollywood amarrado na cintura?’

– ‘Sim, por quê?’

– ‘Quer casar comigo?’

E foi assim o meu reencontro com aquela menina do colégio que me tirava o fôlego. Voltamos para o Brasil, começamos a namorar e logo fomos morar juntas, onde de fato começamos a nos conhecer, a dividir os sonhos e a vida. 5 anos se passaram e senti que era o momento de a propor em casamento novamente. Desta vez ela aceitou!

Continuamos sonhando juntas e falando sobre termos filhos. A vontade de sermos mães aflorava cada vez mais e vivenciar a gravidez era algo que a Bá sempre pensou. Começamos a buscar relatos de famílias homoafetivas e pesquisamos muito sobre os possíveis métodos para engravidar. Passamos por alguns médicos e clínicas e vimos que não seria fácil e que o processo seria longo.

Para dar certo, era necessário sentir que poderíamos compartilhar esse momento com quem conseguia minimamente olhar nos meus olhos como a esposa da futu