Casal homoafetivo realiza sonho da paternidade por meio de barriga solidária

Eles provam que não importa a configuração, o que importa de verdade em uma família sempre é o amor. Luis Henrique e Luiz Gustavo passaram por diversas lutas até realizarem juntos o sonho da paternidade

Resumo da Notícia

  • Luis Henrique e Luiz Gustavo tomaram a decisão de aumentar a família em 2014
  • Ana Maria, mãe de Luis Henrique, realizou o sonho da paternidade do filho e do genro
  • Hoje, o casal se sente realizado com uma família completa cheia de alegria

Luis Henrique e Luiz Gustavo enviaram a história da família deles para gente e provaram que, não importa a configuração, o que importa de verdade em uma família sempre é o amor. Depois de algumas tentativas frustradas eles realizaram o sonho da paternidade por meio da barriga solidária, realizada pela mãe de Luis, Ana Maria. Hoje, o casal se sente realizado com uma família completa cheia de alegria. Vem conhecer essa história:

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“Luis Henrique Aranha, 33 anos, e Luiz Gustavo Salles, 27 anos, se conheceram em Capivari, interior de São Paulo, há sete anos. A paixão dos dois era tão forte que logo após um ano de namoro decidiram se casar. Luis é formado em administração de empresas e trabalha atualmente com confecção de roupas de segurança. Gustavo também é formado em administração de empresas, mas decidiu fazer uma segunda faculdade e está cursando biomedicina com ênfase em estética.

A vida de casados ia muito bem, mas eles sentiam que ainda faltava algo para deixar o relacionamento verdadeiramente completo. Sonhavam em construir uma família com filhos e, para transformar esse sonho em realidade, decidiram em 2014 pela adoção. O processo de adoção no Brasil é bastante rigoroso, considerando também o cenário para casais homoafetivos. Mesmo com toda documentação necessária, enfrentaram diversos obstáculos e acabaram não conseguindo finalizar o processo de adoção na primeira tentativa. Diante da frustração do sonho, Gustavo entrou em depressão. Para os dois, era muito difícil lidar com a possibilidade de não poderem ser uma família com filhos devido a questões burocráticas.

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Luis Henrique e Luiz Gustavo decidiram que era hora de aumentar a família em 2014 (Foto: Arquivo Pessoal)

Um ano depois, em setembro de 2015, Gustavo compartilhou com Henrique a ideia de buscar uma clínica de reprodução humana para a realização de uma fertilização in vitro. O casal foi até a unidade de Campinas da Huntington Medicina Reprodutiva para entender como funciona o procedimento e o que seria necessário para, enfim, conseguir realizar o sonho dos dois de serem pais. Ao passarem por consulta com a Dra. Michele Pazan, médica especialista em reprodução humana, a alternativa seria uma barriga solidária para a gestação do bebê. A mãe de Luis, Ana Maria, via a vontade do filho e do marido dele de realizarem o sonho da paternidade e decidiu que ajudaria nessa missão, sendo a barriga solidária do casal – mesmo aos 57 anos na época.

(Foto: Arquivo pessoal)
Ana Maria, mãe de Luis Henrique, foi barriga solidária e realizou o sonho da paternidade do filho e do genro (Foto: Arquivo pessoal)

O tratamento durou quatro meses, tendo início em outubro do mesmo ano. O primeiro passo foi estimular o útero da mãe e sogra Ana Maria, que já entrara na menopausa, e teria que devolver a elasticidade do órgão que, embora não tivesse condições de produzir óvulos, poderia receber a o embrião fecundado com o material genético do filho e genro e gerar os bebês. Além disso o procedimento de ovodoação deve seguir protocolo do Conselho Federal de Medicina (CFM) de que as identidades de doadora e receptora sejam anônimas. A doadora também não pode ter participação na nova configuração familiar.

A doadora encontrada dentro do perfil do casal tinha oito óvulos congelados e eles foram fecundados com esperma dos dois pais. Foi escolhido um de cada para a realizar a transferência dos dois embriões ao útero de Ana Maria. A transferência foi realizada com sucesso em fevereiro de 2016 em uma única tentativa. Eram dois óvulos, um com material genético de Luis Henrique e o outro com material genético de Luiz Gustavo. Em 5 de outubro nasceram saudáveis, de cesárea, os gêmeos. João Lucas nasceu primeiro, com 2.32 kg, e em seguida Pedro Henrique, com 2,34 kg. Hoje, os pais se sentem realizados porque têm uma família completa cheia de amor e alegria.”