Pai faz desabafo após filha com autismo ser expulsa de igreja: “Mais empatia”

Anderson Marques é pai de Luísa e Dylan, ambos com Transtorno do Espectro Autista

Resumo da Notícia

  • Um pai fez um desabafo nas redes sociais após vivenciar um caso
  • Anderson Marques é pai de Luísa e Dylan, ambos com Transtorno do Espectro Autista
  • A filha de Anderson foi expulsa da igreja por ter autismo

Um pai ficou devastado após ser expulso de uma igreja por causa da filha com autismo. Anderson Marques é pai de Luísa, 4, e Dylan, 2, e foi procurar luz e alívio em uma igreja no Distrito Federal, já que haveria um ‘culto da família’ neste dia, porém foi tudo ao contrário.

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Segundo o pai, naquele domingo, a família vinha de um período de mais de 10 dias sem conseguir dormir, por conta de algumas crises da filha. Quando chegaram à igreja, ele contou que o culto já estava acontecendo e, como viram uma mãe e um bebê, em uma porta lateral do templo, resolveram ficar ali também.

“Ficamos naquele lugar, exatamente para não atrapalhar. Mas em poucos segundos, a Luísa chorou, e veio uma pessoa e me expulsou. Eu tentei acalmar ela, e expliquei que era uma criança autista, mas a pessoa nem pensou em se apresentar, em falar nada, simplesmente fechou a porta em cima da gente”, contou Anderson ao portal do G1.

O fotógrafo não quis divulgar o nome da igreja, mas disse que, na semana passada, uma psicóloga, a pedido do responsável pelo templo, telefonou pedindo desculpas. “Ela, como uma das responsáveis por essa parte de inclusão, se desculpou e comentou que iriam buscar conscientizar e orientar seus membros e voluntários para que isso não ocorra novamente”.

O pai fez um desabafo nas redes sociais após a filha com autismo ser expulsa da igreja
O pai fez um desabafo nas redes sociais após a filha com autismo ser expulsa da igreja (Foto: Reprodução/G1)

A família publicou um vídeo nas redes sociais pedindo mais empatia com as pessoas autistas. “Eu quero pedir mais empatia. Não são os autistas que precisam se adequar ao mundo. Somos nós que deveríamos buscar entender, respeitar e acolher qualquer criança ou adulto com qualquer deficiência”, disse o pai.

Anderson contou que, naquela semana, a filha estava tendo muitas crises. “Fazia dias que eu não via minha filha sorrir. Ela chorava muito, muita ansiedade. Não dormia à noite. Naquele dia, eu acordei às 6h da manhã, depois de ter ido dormir depois das 3h, e saí de carro com a Luísa, porque ela se acalma andando de carro. Fiquei até às 9h passeando com ela, para ver se ela dormia um pouco”.

De acordo com Anderson Marques, o diagnóstico de TEA da filha Luísa foi concluído quando ela tinha dois anos. “Eu atentei para alguns comportamentos dela, que eram diferentes de outras crianças. No começo, o pediatra, que não era especializado na área, disse que seria só uma fase, e isso até tranquilizou minha esposa. Mas, depois, procuramos um especialista e tivemos o diagnóstico”.

Anderson conta que os filhos, além de tomarem medicação, fazem de seis a oito horas de terapia por semana, para amenizar os problemas e ajudar na evolução cognitiva e comportamental. “Às vezes acontece uma regressão de algo que a Luísa já tinha aprendido, e, de repente, desaprende. Eu acho importante as pessoas terem consciência das dificuldades”, finalizou Anderson.