“Vida que segue. Faz outro filho”, disse Dr. Jairinho para o pai de Henry

Após a perda do filho, de 4 anos, na madrugada do dia 8 de março, Leniel Borel, disse em entrevista à Veja que tenta entender o que aconteceu com o filho

Resumo da Notícia

  • O pai do menino disse em entrevista que tenta entender o que aconteceu com o filho
  • Leniel Borel acredita que Dr. Jairinho é culpado pelo caso de Henry
  • O caso está sendo investigado pela 16ª DP (Barra da Tijuca), no Rio de Janeiro

Após a perda de Henry, de 4 anos, na madrugada do dia 8 de março, o pai do menino Leniel Borel, disse em entrevista à Veja que tenta entender o que aconteceu com o filho. O caso está sendo investigado pela 16ª DP (Barra da Tijuca), no Rio de Janeiro.

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Caso Henry Borel (Foto: Reprodução/ G1)

“Só quero a verdade. Não é porque alguém conhece esse ou aquele sicrano ou tem muito poder que pode ficar impune”, disse Leniel. As circunstâncias da perda do menino ainda não foram esclarecidas. Na versão apresentada para a polícia, a mãe do menino, Monique Medeiros, disse ter acordado do quarto onde estava com o namorado, Dr. Jairinho, após ouvir um barulho vindo do quarto em que o filho dormia e o encontrou caído, gelado e com os olhos revirando.

O laudo médico é relatado que a criança já deu entrada no hospital sem vida, sendo a causa uma hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente, o que não se enquadra em um acidente doméstico coo afirma o padrasto e a mãe de Henry.

Leniel disse que pensou em pedir um exame de corpo delito do filho após lembrar das queixas de que o ‘tio Jairinho’ o machucava e ‘abraçava forte demais’, mas desistiu porque nunca havia marcas no corpo do menino. Segundo à Veja, o pai do menino recebeu diversos relatos de ex-namoradas de Dr. Jairinho afirmando agressões aos filhos. Ele ainda diz não entender como Monique defende o médico.  “Não sei se está envolvida diretamente ou se tem medo do poder que ele diz ter. Mas não vou deixar que o culpado da morte do meu filho fique impune”, disse.

Em outras declarações, o pai de Henry disse que pensou em pedir a guarda do filho após ouvir as reclamações do filho. “Sei que não havia como prever que iria acontecer uma monstruosidade com meu filho, mas me culpo por não ter tomado uma medida mais drástica. Cheguei a falar algumas vezes com a Monique que se ele continuasse a reclamar que estava sendo machucado por esse tio, eu iria levá-lo para fazer um exame de corpo delito e recorrer à Justiça. A questão é que embora rejeitasse cada vez mais a casa da mãe e do Dr. Jairinho, meu filho não apresentava qualquer marca pelo corpo. Só naquele último fim de semana que ele tinha um machucado no nariz. Perguntei o que era, mas não soube dizer. Eu tinha receio de levantar uma suspeita tão séria, não se confirmar no exame e perder o direito de ver o Henry”, afirma Leniel.

Ao ser questionado se acredita que Monique está envolvida na morte do filho, Leniel diz que acreditar que sim e que, as começaram após receber o laudo médico. “Para mim a luz amarela acendeu quando eles disseram que o Dr. Jairinho havia ido dirigindo para hospital, naquela madrugada, enquanto ela fazia respiração boca-a-boca. Como assim, ele não é o médico? Nunca soube em dez anos que convivi com essa mulher que ela tivesse qualquer experiência em primeiros socorros. Comecei a estranhar aí”, começou.

“Depois que meu filho morreu, a Monique também fez pressão para eu acelerar o enterro. Fui para a delegacia e para o IML resolver as questões burocráticas. A Monique ficou ligando e mandando mensagens para eu agilizar tudo, que queria que ele fosse enterrado rápido e com caixão fechado. Expliquei que de jeito nenhum, que meu filho teria velório e que eu tinha o direito de dar o último beijo nele. A minha ficha caiu mesmo que quando o policial no IML me entregou o laudo, em que dizia que meu filho tinha tido laceração hepática e hemorragia interna provocados por ação contundente. Até ali eu estava me culpando, achando que ele tivesse morrido por alguma má formação ou tido um ataque cardíaco. E que eu tivesse sido negligente quando ele chorou desesperado para não ir para casa da mãe. Só depois soube, pelo depoimento dos médicos à polícia, que o Dr. Jairinho fez de tudo para que meu filho não passasse por necropsia. Por que será?”, completa o pai de Henry, sobre as suspeitas do caso.

Leniel diz acreditar que o Dr. Jairinho é o culpado pela perda do filho. “Não tenho dúvidas de que Dr. Jairinho é culpado. Naquela noite no hospital, ele ficava junto aos médicos que tentaram salvar o Henry o tempo todo. A princípio, eu achava que era porque também era médico, mas agora percebo que era para acobertar o que realmente aconteceu. Ele é muito frio. Assim que foi decretado o óbito do meu filho, Dr. Jairinho chegou perto de mim e, na frente de uma pessoa da igreja que frequento e de uma amiga minha, disse: ‘Vamos virar essa página, vida que segue. Faz outro filho”, diz o pai.

Relato de Dr. Jairinho com filhos de ex-namoradas

A Veja ainda mostra que o médico e o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, teria um histórico de agressão a ex-namoradas e aos filhos delas, todos da mesma faixa etária de Henry, e algumas delas já teriam sido relatadas para a polícia.

Dr. Jaiminho e Monique deixaram a delegacia após depoimento sobre Henry Borel, na madrugada desta quinta-feira, 18 de março (Foto: Reprodução/ TV Globo)

A revista Veja teve acesso a trocas de mensagens de Dr. Jairinho e depoimentos exclusivos, que mostram “um perfil de homem educado, gentil e generoso na aparência, mas que na intimidade exibe temperamento violento e perverso, beirando o sadismo”, diz a reportagem. A ex-mulher do vereador, a nutricionista Ana Carolina Ferreira Netto, com quem tem dois filhos, já registrou duas queixas na polícia: na primeira, em 2014, afirmou que, depois de uma discussão, ele teve um “ataque de fúria”, desferindo socos e pontapés, a ponto de ser hospitalizada; a outra, de 2020, cita apenas “lesões corporais”.

Tanto os depoimentos à polícia e os relatos feitos a Veja mencionam agressões a ex-namoradas e aos filhos delas, todos na mesma faixa de idade. Uma dessas ex-namoradas, com quem se relacionou entre 2014 e 2016 e mãe de um menino de 5 anos na época, esteve na delegacia e negou a ocorrência de maus-tratos. Mas uma amiga relatou que na época em que os dois se relacionaram, entre 2014 e 2016, o filho da namorada do vereador tremia ao ouvir o nome “tio Jairinho”. Segundo o depoimento, o menino de 5 anos também chorava ao ouvir menção ao vereador.

Dr. Jairinho falou com ax-namorada logo após o acontecido e não comentou nada (Foto: Reprodução / Vídeo R7)

A amiga também disse ter conhecimento de episódios tenebrosos. Um deles foi a tentativa de Jairinho de dopar a namorada em um hotel. “Minha amiga acordou, grogue, e deparou com o menino chorando e o namorado o forçando a tomar banho de banheira”, lembra. Durante o relacionamento, o vereador arranjava motivos para sair sozinho com o menino, que voltava parecendo ter passado por “sessões de tortura”. Em uma ocasião, o menino teria chegado com o rosto inchado e desfigurado, olhos roxos e a explicação era que ele havia caído de cabeça. Em outra, apareceu com a perna fraturada na altura do fêmur e a justificativa era que tinha se prendido no cinto de segurança e tropeçado ao sair do carro. “Nas duas vezes, Jairinho o levou a uma clínica de conhecidos dele. Minha amiga estava deslumbrada e tinha medo por ele ser poderoso”, contou a mulher a Veja.

“Nas duas vezes, Jairinho o levou a uma clínica de conhecidos dele. Minha amiga estava deslumbrada e tinha medo por ele ser poderoso”, disse. Segundo ela, a ex-namorada ainda manteria contato com o verador até hoje e teria recebido um telefonema de Jairinho algumas horas após a morte de Henry, mas ele não fez nenhum comentário sobre o assunto.

Agressões também foram relatadas à Veja por outra ex-namorada de Jairinho, que prestou depoimento à polícia na companhia da filha, que hoje tem 13 anos de idade. Ela se relacionou com Jairinho entre 2010 e 2013 e também lembra que o vereador arranjava motivos para sair sozinho com a garota, que tinha 4 anos na época. Com o tempo, a menina começou a reclamar que ele torcia seus braços e pernas e lhe dava cascudos. “Passei muito tempo da minha vida me culpando e me sentindo péssima como mãe por não ter visto a realidade. Ele é um tipo de homem que cega, ilude, mente”, disse à reportagem.

Entenda o caso Henry Borel (Foto: Reprodução / Vídeo R7)

Segundo a matéria, o episódio mais assustador foi quando a filha relatou que teria ido com o “tio” a um lugar que, pela descrição, assemelhava-se a um quarto de motel. A menina contou que o quarto tinha uma cama e uma piscina e Jairinho supostamente a orientou a despir-se. Na sequência, ele também teria tirado as roupas e ficado de sunga, entrando com a menina no box e ligando o chuveiro, onde teria batido repetidamente com a cabeça dela na parede. Ela ainda afirmou que ele teria afundado sua cabeça na piscina com os pés.

A mãe da menina conta que decidiu falar agora diante da morte de Henry e que recebeu um telefonema em tom de ameaça do vereador, com quem não falava há oito anos. O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel, frisa que o menino mudou depois que Monique foi viver com o vereador. Semanas antes de morrer, o menino havia começado a frequentar uma psicóloga, por causa da mudança de comportamento. “Meu filho, uma criança linda e feliz, passou a chorar desesperadamente para não voltar para a casa dela. Só queria ficar comigo e com os avós. No domingo, horas antes da morte, chegou a vomitar de tão nervoso quando o deixei no prédio”, lembra o engenheiro.

Henry já tinha reclamado com o pai que o “tio Jairinho abraça muito forte” e batia nele. O pai levou a queixa à ex-esposa, que disse ser invenção do menino e reflexo da separação. “Que mãe não ficaria desesperada para saber o que aconteceu, em vez de proteger o namorado? Não sei se ela age assim por medo ou por interesse”, diz o pai de Henry. A revista Veja também tentou falar com a mãe de Henry, Monique Medeiros, na casa de seus pais, onde ela estaria morando. Enquanto aguardava, a reportagem teria ouvido o pai de Monique dizendo que “a gente tem que falar a verdade sobre esse troço”. No entanto, eles não responderam perguntas, alegando que “não poderiam falar”.