“Vivemos em um mundo cheio de criptonitas para as mães ‘super-heroínas'”, diz Marcos Piangers

Durante palestra no 13º Seminário Internacional Pais&Filhos, Marcos Piangers falou sobre a importância do pai nas famílias para que a divisão de tarefas realmente aconteça e não fique apenas no discurso

Resumo da Notícia

  • Marcos Piangers falou sobre os poderes e desafios da parentalidade no 13° Seminário Internacional Pais&Filhos
  • Ao longo da palestra, ele contou sobre as experiências com a própria mãe e o que aprendeu com ela
  • Veja tudo o que rolou

Olha ele por aqui de novo! Marcos Piangers marcou presença mais uma vez no nosso 13° Seminário Internacional Pais&Filhos. Pai de Anita e Aurora, jornalista, palestrante, escritor de best-sellers e youtuber, ele falou sobre a importância do pai nas famílias para que a divisão de tarefas realmente aconteça e não fique apenas no discurso. Temos que estender as mãos às mães para que elas não precisem carregar todo o peso da criação de um filho sozinha.  E os homens, pais, são fundamentais nessa conversa.

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Marcos começou falando um pouco sobre o desconforto que muita gente pode ter tido ao ver um homem falando sobre o poder da mãe. “De qualquer forma, eu sou filho. Eu sou filho como você, também. E acho que aqui, uma das reflexões, talvez a primeira reflexão seja essa. A ideia de nós, como filhos, podermos avaliar ou, pelo menos, refletir, ou tentar absorver o conhecimento materno para tentar entender qual é o poder da mãe”, começou.

Marcos Piangers falou sobre os poderes e desafios da parentalidade no 13° Seminário Internacional Pais&Filhos
Marcos Piangers falou sobre os poderes e desafios da parentalidade no 13° Seminário Internacional Pais&Filhos (Foto: reprodução/ Seminário Pais&Filhos)

Logo em seguida, o palestrante começou a refletir um pouco sobre a palavra poder em si, que, para ele, é um reflexo de todas as coisas incríveis que todas as mães fizeram e ainda fazem pelos filhos. Piangers, então, começou a contar um pouco da experiência com a própria mãe, Heloísa, que foi uma mãe solo. Para ele, a mãe foi uma verdadeira super-heroína, por conseguir dar conta da educação, saúde e todas as necessidades dele, enquanto ainda cuidava da casa, das finanças e lidava com todas as pressões que vêm da sociedade num geral. Ele seguiu falando que, muito além de falar dos superpoderes, ele também queria falar sobre as “criptonitas”, ou seja, as dificuldades.

“O que eu posso dizer é que a gente vive em um país – ou em um mundo – que é cheio de criptonitas para essa mãe. A gente sabe que a chegada de uma criança na vida de uma mulher talvez seja o grande motivo de um ‘gap’ salarial existir. Então quando uma mulher chega no mercado de trabalho e se oferece para fazer qualquer tipo de função em uma empresa, esse contratante eventualmente vai fazer contas e pensar na possibilidade dessa mulher engravidar e ficar um tempo afastada“, seguiu o pai, falando sobre os desafios no mercado de trabalho para mulheres e mães. Para ele, uma ideia para acabar com isso seria a criação de uma licença parental conjunta, do mesmo período, para mães e pais se dividirem com os cargos da maternidade também. “E a gente, lá na frente, colhe esse retorno econômico”, ressalta.

A segunda criptonita que barra o poder da mãe, para ele, é o machismo presente na sociedade como um todo. “Essa ideia de que uma mãe que cuida de um filho não está fazendo nada produtivo, essa ideia meramente econômica de que uma pessoa que cuida dos filhos é uma pessoa que não faz nada”, exemplifica.

Desejo para o amanhã

Piangers seguiu comentando sobre as criptonitas que impedem que a mãe seja esse ser “super” e falou sobre o cansaço, que muitas vezes atrapalha nesse processo. Claro, ele comentou sobre a própria família e o que deseja para um amanhã. “O que eu quero é mães felizes. Minha esposa feliz. Minhas filhas respeitadas. As minhas meninas ganhando o mesmo salário dos homens que fazem a mesma função. Tendo a mesma consideração e respeito na sociedade. Protegidas de fato”.

Não é sua culpa!

Depois disso, o jornalista e palestrante decidiu abrir um pouco mais sobre a vida pessoal. Contou que a mãe está com um câncer espalhado pelo corpo e possivelmente incurável. Disse como isso fez com que ele refletisse e buscasse passar mais e mais tempo ao lado dela nos últimos meses, logo quando o tema da palestra foi proposto a ele.

Entre as coisas discutidas com a mãe, ele falou que conversou muito sobre a vida, a finitude e a experiência de ser humano. “É uma experiência humana cheia de raiva, medo. Porque é o que eu sinto quando sei que minha mãe está indo. É o que sinto quando vejo a proximidade da despedida de uma pessoa que significa muito para mim. Que, até aqui, é a nossa referência. É o que significa ser um Piangers. É ter um colo para correr quando estou carente, quando preciso de ajuda. Perder isso, para mim, é desestruturante, é assustador. Imaginar que agora eu serei essa pessoa, essa referência para meus dependentes, é assustador também”, desabafou.

E ele falou que foi nessas conversas que ele percebeu, de fato, qual é o poder da mãe, sem cair nos clichês de super-heroína. “Acho que a grande reflexão aqui é sobre as falhas da minha mãe, os erros dela. As vezes em que ela se sentiu perdida, com medo, com raiva. As vezes que vi minha mãe chorar e fiquei com medo, com raiva e ela me disse ‘eu sei, a vida é assim’. As vezes que minha mãe chegou atrasada na apresentação escolar, que ela saiu para encontrar uma amiga e eu acordei sem ninguém em casa. E qualquer mãe que passa por isso não se perdoaria. Hoje em dia as mães têm uma carga de culpa e vergonha e pressão, que é insustentável. E minha mãe fez tudo isso. E aqui estou eu. Aqui estou eu para dizer para você, mãe: não é sua culpa. Não é sua culpa se o pai biológico abandona. Não é sua culpa se você não consegue dar conta. Não é sua culpa se você não consegue me dar uma festa porque está muito caro…”, segue ele, falando sobre essa culpa tão forte presente na maternidade.

Ele seguiu falando da importância de mostrar sim esses erros. “Cada vez que um pai, uma mãe, mostra sua vulnerabilidade. Cada vez que eles choram, dizem ‘eu não sei, eu também tenho medo, estamos um pelo outro’, eles ensinam, pela vulnerabilidade”, reforça. “Nesses momentos, minha mãe estava me ensinando a ser resiliente. Me ensinando que a experiência de estar vivo é uma experiência de imperfeição”.

Assista ao seminário

O evento está sendo transmitido ao vivo online através do Facebook e YouTube da Pais&Filhos. Além disso, no Instagram, também mostramos os bastidores e flashes do Seminário.

Programação completa

11h – Abertura

11h20 – Palestra 1 | Maternidade: nem pra mim, nem pra você, nem pra eles | Tatiana Paranaguá

12h20 – Bate-papo 1 | Beta Whately

12h50 – Mesa-redonda 1 | Pode dizer que são elas | Mariana Ferrão, Eliane Dias, Maya Eigenmann, Verônica Oliveira, Izabella Borges

14h30 – Palestra 2 | O poder da mãe | Marcos Piangers

15h20 – Bate-papo 2 | Mariana Arasaki

15h40 – Palestra 3 | Mãe também é gente: sexo, paz, rock ’n’ roll e pijama | Ana Canosa

16h20 – PAISdemia

16h40 – Bate-papo 3 | Izabella Camargo

17h15 – Mesa-redonda 2 | Cabo de guerra | Tatah Fávero e Vitin, Raka Minelli e Daniel Gaspary, Laura Gama e Camila Lucoveis

18h30 – Encerramento