A mudança climática pode estar ligada ao parto prematuro?

As alterações no clima podem ter um impacto muito maior do que a gente pensava na gravidez

Os pesquisadores examinaram 56 milhões de nascimentos de 1969 a 1988 e correlacionaram com dados meteorológicos nas áreas onde ocorreram os nascimentos (Foto: Getty Images)

Um estudo publicado recentemente na revista Nature Climate Change lançou uma notícia alarmante sobre o efeito que a temperatura exerce sobre a gestação. Os pesquisadores examinaram 56 milhões de nascimentos de 1969 a 1988 e correlacionaram com dados meteorológicos nas áreas onde ocorreram os nascimentos. Eles descobriram um aumento de partos nos dias em que as temperaturas atingiram 32.2ºC.

Curiosamente, foi registrado um declínio no número de nascimentos nas duas semanas após uma onda de calor ou “evento extremo de calor”, sugerindo que os nascimentos ocorreram mais cedo do que deveriam. “Esse aumento indica uma mudança ou uma aceleração de partos e, finalmente, uma perda de até duas semanas de gestação para esses nascimentos”, afirma o autor do estudo Alan Barreca, professor associado de economia ambiental da Universidade da Califórnia, Los Angeles, disse à NBC News. “Se você calcular a média, é uma perda de cerca de seis dias de gestação”.

As últimas semanas de gravidez são sem dúvida as piores. Os pais ficam esperançosos na chegada do bebê e à medida que a marca de 40 semanas se aproxima, mais nervosos e ansiosos eles ficam. Muitas pessoas acreditam que as coisas estão seguras após a marca de 38 semanas – e que isso apenas significa apenas que eles estarão abraçando o bebê muito antes.

Mas esses dias são importantes. Os bebês nascidos por volta da 38ª semana gestacional, mesmo não sendo considerados prematuros, podem ter problemas para se adaptar à respiração, em vez de receber oxigênio no útero e passar mais tempo em terapia intensiva neonatal.

Os pesquisadores estimam que cerca de 25.000 nascimentos prematuros relacionados ao calor ocorrem anualmente, resultando em cerca de 150.000 dias gestacionais perdidos (Foto: Getty Images)

O estudo traz à luz o perigo real das mudanças climáticas na capacidade dos pais de levar um bebê até a gestação completa. O ACOG, Colégio Americano de Ginecologia, descreveu a mudança climática como uma “preocupação urgente da saúde da mulher” e o Dr. Nathaniel DeNicola, ginecologista e obstetra do Hospital Universitário George Washington, e especialista em saúde ambiental do ACOG, explica: “É mais um estudo mostrando uma mensagem de alto nível, de que a temperatura extrema está cada vez mais associada a resultados obstétricos, incluindo nascimentos prematuros e baixo peso ao nascer”.

Embora o mecanismo exato por trás da relação entre altas temperaturas e parto prematuro não seja claro, os pesquisadores acreditam que a desidratação pode desempenhar um papel importante nisso. Quando uma pessoa fica desidratada, o hormônio ocitocina é liberado. A ocitocina também desempenha um papel crucial durante o parto, mas é importante observar que o estudo não encontrou correlação causal apenas entre altas temperaturas e parto prematuro.

Os pesquisadores estimam que cerca de 25.000 nascimentos prematuros relacionados ao calor ocorrem anualmente, resultando em cerca de 150.000 dias gestacionais perdidos e com base nas projeções atuais de mudança climática podem acabar com a perda de até 250.000 dias gestacionais por ano.

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