Infertilidade: respondemos às 10 dúvidas mais comuns dos casais para te ajudar no tratamento

O problema atinge aproximadamente 15% da população. Mas antes de qualquer coisa, é importante reforçar que nem sempre a “culpa” vai ser da mulher

A infertilidade atinge aproximadamente 15% da população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (Foto: Shutterstock)

Assim que o casal decide pela gravidez, começa uma saga em busca dos mínimos detalhes. Os primeiros passos não são tão simples quanto parecem. Há várias questões que devem ser levadas em conta, como a saúde, a condição financeira do casal ou até mesmo quais são as reais condições de uma gravidez natural.

A infertilidade atinge aproximadamente 15% da população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — ou seja, um em cada cinco casais tem problemas para engravidar. Antes de qualquer coisa, é importante reforçar que nem sempre a “culpa” vai ser da mulher. Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, as causas desse problema estão distribuídas igualmente entre homens e mulheres (por volta de 35% cada), além de um percentual referente à infertilidade sem causa aparente.

Junho é o Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade. E mesmo em meio à pandemia, a procura pelos tratamentos de fertilização em clínicas especializadas de todo o país mostra que os casais brasileiros podem até encontrar dificuldades, mas ainda mantêm o sonho de gerar filhos e consolidar uma família. Respondemos aqui as dez principais dúvidas sobre o assunto e as técnicas de fertilização que podem te ajudar. E lembre-se: fique calma, tudo vai dar certo!

O que é infertilidade?

O casal é definido como infértil quando não consegue uma gravidez após um ano de relações sexuais não protegidas. Sabe-se que cerca de 15% dos casais enquadram-se nesse critério, devendo procurar um especialista para uma avaliação mais minuciosa sobre o motivo de não estarem conseguindo engravidar. Atualmente a Organização Mundial da Saúde considera a dificuldade de engravidar como uma “doença” do sistema reprodutivo.

Quais são as principais causas de infertilidade?

A maioria dos casais (cerca de 90%) consegue engravidar em até 12 meses. Entretanto, essa espera é apenas para aqueles que não apresentam qualquer fator já conhecido que possa estar relacionado a uma possível dificuldade para engravidar e para as mulheres com menos de 35 anos. Após essa idade, existe um declínio acentuado da fertilidade da mulher, justificando a procura de um especialista após 6 meses de tentativas de gravidez. Após os 40 anos, qualquer atraso na investigação do casal pode diminuir as chances de sucesso nos tratamentos.

As causas da infertilidade estão distribuídas igualmente entre homens e mulheres (Foto: iStock)

O que é fertilização in vitro?

A FIV, como é mais conhecida, corresponde ao processo no qual a paciente é submetida a uma hiperestimulação ovariana controlada que produz uma reposta de múltiplos folículos. Eles são puncionados por via transvaginal guiada por ultrassonografia, para a obtenção dos óvulos, que após sua coleta e retirada, são preparados para dois possíveis procedimentos: a FIV clássica, quando colocamos os óvulos juntamente com os espermatozoides em cultura e deixamos que os espermatozoides fecundem os óvulos por conta própria, ou, mais recentemente, a FIV tipo ICSI: a injeção intracitoplasmática de um espermatozoide escolhido em cada um dos óvulos maduros. Independente da técnica utilizada, após a fecundação e desenvolvimento inicial dos embriões, este é transferido para a paciente, guiado pela ultrassonografia, para definir um melhor local de colocação dos embriões no útero. Então, espera-se entre 12-18 dias para saber se a paciente engravidou.

Vou fazer uma fertilização in vitro. Consigo engravidar na minha 1ª tentativa?

De um modo geral, as chances de sucesso do procedimento giram em torno de 30% por tentativa. Além disso, existem diversos fatores que influenciam essas taxas de gravidez, como por exemplo: a idade da paciente, a causa da infertilidade, o tipo de protocolo utilizado para a FIV, entre outros. Por isso, antes de estimar as chances de uma FIV bem-sucedida, é preciso considerar todos os fatores. O planejamento de uma tentativa deve ser bem cuidadoso.

O que é indução de ovulação?

É uma das possibilidades para pacientes sem uma causa aparente para a não-gravidez. A capacidade de induzir ovulações é um dos primeiros e mais importantes passos da endocrinologia reprodutiva. Atualmente existe uma série de agentes capazes de desencadear o desenvolvimento de óvulos. Seu uso é muito difundido devido ao menor custo do tratamento e as menores chances de complicações.

Como é feita a coleta dos óvulos?

Por ultrassonografia transvaginal com uma agulha especial que ao penetrar os folículos nos ovários, os esvazia através de pressão negativa através de uma bomba especial à vácuo. Todo o procedimento é realizado com a paciente sob sedação, monitorizada e acompanhada por um anestesista por toda a duração da coleta. O líquido aspirado de cada folículo é então avaliado por um embriologista que separa os óvulos que encontra para posterior fertilização. Habitualmente a coleta dos óvulos dura cerca de 20 minutos.

Todos os óvulos colhidos durante o procedimento são aproveitados?

O ideal é encontrar por óvulos “maduros”, mas apenas os maiores folículos são os que habitualmente contêm os óvulos chamados M2. Quanto menor o folículo, maior a sua chance de apresentar um óvulo imaturo, que não poderá ser aproveitado para a fertilização. Outro fator que determina a maturidade folicular é o uso correto da medicação para desencadear a ovulação. Quando a coleta dos óvulos é feita antes do tempo mínimo após a aplicação dessa medicação, aumenta-se a chance de obter um oócito imaturo.

Mesmo em meio à pandemia, a procura pelos tratamentos de fertilização em clínicas especializadas de todo o país aumentou (Foto: iStock)

O congelamento de óvulos pode ser feito em pacientes que vão tratar o câncer?

Na literatura já existem diversas gestações vindas de fertilização de óvulos que foram congelados. Essa técnica é a principal a ser considerada em pacientes que eventualmente precisem passar por tratamentos que possam causar infertilidade como, por exemplo, quimioterapia ou radioterapia, principalmente, aquelas mulheres que não tenham parceiro ainda. Dessa forma, aconselhamos todas essas pacientes que procurem um especialista em reprodução antes de iniciar algum desses tratamentos mais agressivos ao futuro reprodutivo dela.

No caso de doenças genéticas na família, é possível pesquisar se os embriões apresentam o mesmo problema?

É possível buscar detectar os embriões que podem ser ou não transferidos, para não perpetuar um sofrimento muitas vezes inaceitável dentro daquela família (PGD). Outras vezes busca-se apenas afastar as alterações cromossomiais, chamadas aneuploidias (PGT), que são causas mais frequentes de abortamentos espontâneos  ou  até provenientes de algumas doenças (síndromes)  que  um casal deseja evitar. Esta testagem genética pode ser realizada através da biópsia dos embriões antes da transferência, seguida da análise do material genético obtido. O PGD/PGT corresponde a um avanço indiscutível, já que permite a pesquisa de alterações genéticas no embrião.  Entretanto, essa técnica ainda apresenta algumas limitações importantes que devem ser ressaltadas: a quantidade de material genético obtida do embrião pode não ser suficiente para a análise, um exame normal não exclui completamente a possibilidade de um embrião ser portador de uma alteração genética, a biópsia embrionária pode levar a parada do desenvolvimento daquele embrião. Cada caso deve ser avaliado criteriosamente pelo médico e seus pacientes, entendendo   os benefícios e limitações.

Posso escolher o sexo do meu bebê?

O único caso no qual podemos escolher o sexo do embrião a ser transferido é em caso de doenças genéticas ligadas aos cromossomos sexuais. Nessa situação, visando evitar a transmissão de uma condição patológica, fica permitido a escolha do sexo do embrião.

Fonte: Dra. Maria do Carmo Borges de Souza: graduada em Medicina com Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Livre-Docência pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Presidente da REDLARA – Rede Latino Americana de Reprodução Assistida. É membro da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia- ESHRE; Diretora da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida; Diretora da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretora médica do Centro de Reprodução Humana FERTIPRAXIS. | Dr. Marcelo Marinho de Souza: graduado em Medicina e com Mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Diretor Médico do Centro de Reprodução Humana FERTIPRAXIS, especialista em Reprodução Humana com títulos pela Rede Latino Americana de Reprodução Humana (RedLara) e Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). É membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da European Society of Human Reproduction and Embriology (ESHRE). | Dr. Roberto de Azevedo Antunes: médico ginecologista e obstetra com especialização em reprodução assistida e endoscopia ginecológica. Mestre em ciências da saúde, com ênfase em fisiologia endócrina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é Diretor Médico do Centro de Reprodução Humana FERTIPRAXIS, Diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

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