Relato de mãe: “Eu não tinha ideia de que me sentiria assim no pós-parto”

Você se identifica?

(Foto: iStock)
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O pós-parto é uma caixinha de surpresas. Você realmente não pode imaginar como será o seu e nada pode te preparar para como estarão seus sentimentos depois de dar à luz. Lauren Sedman compartilhou como foram as primeiras semanas depois do nascimento de seu bebê. Confira:

“Durante nove meses eu me deliciei com o que foi (felizmente) uma gravidez agradável. Fiz aulas de ioga semanalmente, acompanhei o meu crescimento e percebi que na semana 21 meu bebê tinha aproximadamente o tamanho de uma maçã. Tirando a diminuição do álcool, peixe cru e roupas comuns, eu praticamente continuava vivendo a vida como sempre.

Mas eu sabia que logo o grande dia do nascimento do meu bebê chegaria. E digamos que a preparação para esse dia foi extensa. Eu era fascinada pelo nascimento em si e realmente queria ter uma experiência de parto não-medicada que fosse o mais ‘natural’ possível. Li histórias e livros, fiz uma aula de educação de parto e contratei uma doula. Eu tive uma visão de como seria a minha experiência no grande dia, mas não gastei muito tempo considerando como minha mente e meu corpo se sentiriam depois disso.

Pensei muito em cuidar do meu bebê, é claro, mas nunca pensei muito no que aconteceria comigo nos dias e semanas depois que ele chegasse. Lembro-me de uma conversa com uma mulher que conheço, em que ela mencionou como eu me sentiria ‘grosseira’ depois de ter tido o bebê. Porém, eu estava tendo uma gravidez fácil e planejando um parto saudável, então eu simplesmente não conseguia entender como, depois da entrega, eu podia sentir algo além de felicidade de ter o meu filho no colo.

Se você é como eu, o Instagram e os fotógrafos do hospital fazem você pensar que você vai ficar incrível após o parto. Mas nem sempre é assim. Então, alerta de spoiler – estou aqui para lhe dizer como é o pós-parto.

Se você tiver parto normal, você sentirá dores, exaustão e emoção, no mínimo, após o parto. Muitas mães precisam fazer a episiotomia, aquele pequeno corte no períneo, o que resulta em pontos. Vai doer para sentar. Se você andar do seu quarto para a cozinha, você vai ficar dolorida. Pode queimar quando você for ao banheiro. Você precisará usar pacotes de gelo nessa região também. O que posso dizer? Nascimento pode ser lindo, mas definitivamente não é sexy.

A mulher com quem falei durante a gravidez estava certa: Eu me senti nojenta. Eu me senti exausta. Eu não me sentia como eu mesma. Não foi só porque eu senti que tinha sido atropelada por um caminhão, mas também era como meu estado físico me afetava emocionalmente. Eu senti que meu corpo foi destruído depois que eu tive um bebê. Como mãe de primeira viagem, eu não tinha ideia de que me sentiria assim e, mais ainda, o quanto me assustaria.

Vivendo em uma sociedade onde se espera que as mulheres sempre tenham a melhor reação, independente das circunstâncias, foi muito difícil para mim para me sentir bonita dias após o nascimento do meu filho. Sempre me orgulhei de minha aparência, mas nas semanas após o bebê chegar em casa, eu olhava no espelho e via uma mãe cansada com bolsas embaixo dos olhos, sem maquiagem e roupas sujas de vômito. Eu senti como se tivesse desistido da capacidade de parecer atraente novamente. Embora tudo isso pareça superficial, eu realmente senti que uma parte da minha identidade havia sido tirada de mim e isso era inquietante.

Muitas mulheres experimentam o baby blues ou mudanças de humor depois de ter um bebê. Trazer um bebê para casa é um grande ajuste na vida e há muitos hormônios envolvidos. Para algumas mães, esses sentimentos desaparecem depois de algumas semanas e as alegrias da maternidade começam a surgir. Na época, eu não achava que isso passaria. Entre 10% e 20% das novas mães sofrem de depressão pós-parto – peço a todas as mães que falem com seu médico, parceiro, pais e amigos sobre como estão se sentindo, para que possam ter o apoio necessário e ajuda profissional, se for preciso.

Felizmente, com o tempo, consegui resgatar aspectos da minha vida que haviam sido colocados em segundo plano desde a chegada do meu filho. Uma vez que minhas feridas se curassem, eu poderia andar sem me sentir dolorida me sentar sem desconforto. Eu comecei a me sentir mais como eu mesma. Eu fiz um esforço para sair de casa e me encontrar com um amigo alguns dias. Se eu não pudesse sair, pelo menos conversaria com um amigo pelo telefone. Eu acho que uma grande parte dos meus sentimentos negativos sobre a minha identidade sendo perdida foi agravada pelo sentimento de isolamento que é tão comum para as novas mães. Conectar-se com amigos realmente ajudou a aliviar esse sentimento solitário.

Depois de alguns meses, meu filho começou a dormir mais, o que significava que eu me sentia menos exausta. Tentei encontrar tempo para malhar ou ler um livro. Minha licença-maternidade acabou e voltei a trabalhar. Meu bebê foi se tornando mais fofo a cada dia. Meu marido e eu reiniciamos nossos encontros.

A verdade é que eu não me sentia completamente igual a mim mesma até ele completar um ano de idade. Eu me lembro claramente do dia em que isso aconteceu. Sentei-me à mesa da minha sala de jantar depois de colocá-lo para dormir e estava ao telefone com um amigo. Essa sensação de repente veio sobre mim como ‘Uau, eu me sinto normal de novo!’.

Sim, tornar-se mãe é uma grande bênção e existem muitos momentos perfeitos nessa relação. Mas isso não significa que devemos ignorar ou invalidar as partes menos bonitas ou mais desafiadoras da experiência.

Desejo a todas as mães grávidas um parto e recuperação fáceis e a força interior para se lembrar de que você é linda e que os tempos difíceis passarão!”

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