Publicado em 06/11/2012, às 22h00 por Redação Pais&Filhos
Gabriela, filha da pedagoga, psicóloga e escritora Elizabeth Monteiro, nossa entrevistada do mês, fala sobre a sorte de ser educada por uma especialista no assunto.
Uma das melhores coisas que nossos pais podem deixar pra gente é uma boa herança. Na minha família, herança a gente prefere deixar em vida.
Talvez por isso, minhas lembranças de infância sejam tão vivas. Cheiros, cores, texturas, palavras e sensações…
Minha mãe me ensinou a experimentar a vida com os cinco sentidos e isso me proporcionou um outro olhar.
Por mais difícil que a vida de uma mãe de quatro filhos e sem dinheiro fosse – e era -, isso nunca me afetou. Eu tinha uma mãe criativa, que sempre inventava uma história divertida para usar a dificuldade ou a privação de algumas de nossas vontades infantis a nosso favor.
E, assim, se criava uma realidade paralela, pintada de giz de cera e feita de brincadeiras inspiradas em tudo o que tínhamos ao nosso redor.
Minha mãe sempre foi generosa. Ajuda os outros mesmo estando em dificuldades maiores ainda. Doa-se de corpo e alma, muitas vezes sofrendo com isso, apenas para ter o prazer de fazer o bem por alguém muito querido.Sua carreira de psicóloga e escritora só aumenta o alcance da ajuda que ela sempre esteve disponível a dar e acaba transformando em queridos todos os seus leitores.
Sua trajetória é inspiradora. Trata-se de uma mulher que soube fazer uma limonada com todos os limões que lhe apareceram na vida.
Tudo o que ela se permitiu sonhar alcançou. Muitas vezes a duras penas e nem sempre no momento ideal, mas sempre aproveitando as oportunidades com um sorriso no rosto. O que seria de nós sem o risco? Sem a superação? Sem a aventura? Sem os percalços durante o crescimento?
Minha mãe me ensinou com carinho, me educou com humor, me disse pra acreditar nos meus sonhos e avisou: a vida não tem roteiro e – coincidência ou não – hoje faço novela.
“Para que tudo funcione da maneira que a gente quer, é preciso batalhar pelos nossos sonhos”. Pode parecer um discurso infantil, vindo de alguém que viveu e se aventurou tanto pela vida; lugar comum para quem tanto estudou e se especializou em comunicação ou, talvez, muito previsível para alguém que ama criar as próprias fórmulas. Mas a verdade é assim, sempre mais simples do que parece.
Sinto que minha mãe escolheu para si o papel de mulher dedicada, apaixonada e carinhosa. E que segue lutando – como uma heroína -, como se tais qualidades fossem verdadeiras armas poderosas capazes de mudar o mundo. E não é que são?!
Hoje, me dedico e lido – sem culpa – com os papéis que assumi na minha vida e me orgulho
de ter conseguido encaixar tudo direitinho.
De manhã, sou mãe e quando deixo meu filho na escola, viro esposa, mulher, publicitária, jornalista, radialista, locutora e atriz. Por incrível que pareça, atuo, simultaneamente, e com muita dedicação, em todas as áreas, ainda sobrando um tempinho para cuidar do meu corpo.
Tudo bem que sou uma pessoa de sorte. Afinal, quem tem uma profissional como Betty Monteiro à disposição para lhe dar as coordenadas?
Ela é a prova viva de que o investimento na infância é a solução para um mundo melhor.
Seus livros são uma verdadeira prestação de serviço à humanidade.
Mãe, que bom que você conseguiu eternizar tudo isso. Um dia contarei sua história.
Te amo, mamita. Sua estrelinha.
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