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Criança

Menina de 10 anos enfrenta câncer e cria campanha para ajudar outras crianças com a mesma doença

Vem ver o vídeo da Clara em parceria com a ONG Cabelegria

Izabel Gimenez

Izabel Gimenez ,filha de Laura e Décio

Clara no Hospital durante o tratamento (Foto: Sabará Hospital Infantil)

No fim das férias de julho do ano passado, os pais de Clara, de 10 anos, perceberam que ela estava muito cansada, mas pensaram se tratar de algo normal. Os dois levaram em conta o quanto a menina estava brincando e se divertindo. O tempo passou e ela não teve melhora, pelo contrário só ficou pior. Até o dia em que ela acordou com uma dor no peito e não conseguia por o pé no chão. A família se assustou e foi correndo para o hospital.

Clara teve uma hemorragia no pulmão, as plaquetas baixaram e não conseguiram encontrar a causa exata. Por recomendação de um amigo, os pais pediram transferência para o hospital infantil Sabará. “Ela entrou aqui de ambulância, mas vai sair andando pela porta da frente”, disse a médica plantonista na chegada.

No outro dia, a criança recebeu a notícia: Leucemia. “Em uma semana a gente teve uma reviravolta em nossas vidas”, conta a mãe Claudia ao Hospital. A menina passou a se questionar muito: “Isso é um castigo?” A mãe sempre tentava trazer calma.

As duas transformaram um momento ruim em um projeto lindo, resolveram ajudar outras crianças doentes. Por meio das redes sociais, elas fizeram uma campanha procurando por doadores. A meta inicial eram 100 pessoas, mas no final conseguiram mais de 300. Segundo o banco de sangue responsável, as doação eram suficiente para ajudar não só a Clarinha, mas também outras crianças internadas durante um mês.

A menina criou uma campanha para ajudar outras crianças que enfrentam a mesma luta  (Foto: Sabará Hospital Infantil)

Clara ficou 40 dias no hospital e teve momentos altos e baixos. Um dos momentos mais difíceis foi perder o cabelo e quando precisou ser intubada. Ela só conseguia conversar usando caneta e papel. Os pequenos momentos tinham um valor enorme, por exemplo, quando queria beber suco.

“Normalmente não se toma nada pela boca nessas condições, mas como negar isso para ela? A gente gosta de deixar os pacientes felizes”, conta a médica da UTI Doutora Regina Grigolli, que liberava 10ml de suco por dia o que fazia a alegria da garota. Com seu jeito único, Clara conquistou toda equipe do Hospital e mantém contato com eles até hoje.

Depois que recebeu alta, a menina se preocupava com o que os amigos iriam pensar da falta de cabelo, mas se acalmou depois que a família convidou um amigo para brincar e o menino não percebeu. Clara ficou muito surpresa. “Ninguém pergunta nada, é muito natural para eles”, relembra a mãe.

Clara ainda tem que fazer quimio a cada 15 dias, por conta da fase de manutenção (Foto: Sabará Hospital Infantil)

Claudia conversou com a ONG Cabelegria, que produz perucas a partir da doação de cabelos, para pedir uma peruca para a filha. Clara acabou participando de uma das campanhas, contando sua história com o objetivo de incentivar a doação de cabelos. A criança ainda tem que fazer quimioterapia a cada 15 dias, por conta da fase de manutenção do tratamento. O mielograma, exame para avaliar a medula óssea, teve um resultado bom e a medula está “limpinha”, afirma a mãe confiante e orgulhosa.

Dá uma olhada no vídeo da campanha:

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