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Mãe conta detalhes da luta contra o câncer de mama: “Descobri durante a amamentação”

Aline é mãe de Maria Fernanda, Tereza e Rafael e ainda está em tratamento

Gabrielle Molento

Gabrielle Molento ,Filha de Claudia e Pedro

Aline contou sua experiência como paciente oncológica (Foto: arquivo pessoal)

Aline contou sua experiência como paciente oncológica (Foto: arquivo pessoal)

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e Aline entrou nessa estatística aos 33 anos de idade após o nascimento do terceiro filho, Rafael.

Nós esbarramos na história dela dentro de um grupo do Facebook para mães, chamado Mães Amigas, da nossa embaixadora Pollyana Pinheiro. Na publicação Aline contava sua história com um vídeo das filhas cortando seu cabelo após o início do tratamento.

Emocionou a gente e resolvemos entrar em contato, porque apenas dessa luta ser compartilhada por tantas outras brasileiras, merece ser ouvida. E pode trazer força e esperança para outras mães, leia o relato completo:

“Tenho 36 anos e descobri que tinha um câncer de mama aos 33. Estava amamentando Rafael, meu terceiro filho, que tinha 5 meses na época. Morava em São Paulo. Minha obstetra me deu um papel para fazer alguns exames 3 meses após o parto e disse que um deles era para fazer apenas depois que parasse de amamentar.

Quando deu 5 meses do meu parto me lembrei que não tinha feito os exames e fui fazer. Acabei fazendo todos, inclusive esse que não deveria – porque não lembrava qual era. Foi então nesse exame, um ultrassom de mama, que descobri um nódulo de um pouco menos de 2 centímetros. Não sabia o que era um nódulo, que poderia ter a ver com câncer.

Fui ver então o mastologista para fazer uma biopsia e descobri que tinha um tumor, também conhecido como carcinoma ductal invasivo. Esse é o tipo de câncer hormonal que 70% das mulheres têm. Ele se alimenta de estrógeno e cresce com o estrógeno do nosso corpo.

Foi então que médico me mandou parar de amamentar e disse que teríamos que ter que fazer a cirurgia 15 dias depois que eu parasse. Não sabia o que ia fazer. Tinha um bebê pequeno, que mamava superbem. Meu médico disse então para introduzir a mamadeira. Esse foi o momento mais difícil do meu tratamento. Tive que parar de amamentar porque não podia ter leite para a cirurgia. Mas lembrei do que minha amiga disse: ‘Seu filho precisa de uma mãe inteira, não uma mãe capenga. Você é mãe de três filhos’.

No dia que deveria fazer o desmame, olhei para o Rafael e não consegui. Só parei a hora que fui fazer alguns exames que faltavam e, para isso, tomei remédios e contraste na veia. Acredito que meu filho teria mamado até os seus 3 anos, era super fácil amamentar ele. Depois de 15 dias fiz a cirurgia, que preservou pele e mamilo no meu caso.

Ele colocou silicone no meu peito e, por isso, não podia pegar o Rafael por 10 dias. Minha mãe, minha sogra me ajudaram muito, mas foi muito dolorido. Depois de um tempo eu falei chega e fui aos poucos pegando ele e retomando o meu vínculo com ele – e que acho que ele deve ter sentido.

O medico me recomendou 16 quimioterapias, sendo 4 vermelhas – que faz cair cabelo e pêlos do corpo – e 12 brancas. Eu fui sempre muito vaidosa, tinha o cabelo longo. O médico me falou para cortar o cabelo, mas eu não quis, quis ver o processo, ver ele caindo. Aí fiz a primeira quimioterapia, que é injetável e foi no braço. Me falaram que até 20 dias depois meu cabelo poderia cair. E de fato, os pelos e cabelos do meu corpo começaram a cair. Antes da segunda sessão da quimioterapia vermelha decidi cortar meu cabelo em um corte super lindo e moderno.

Aline cortou o cabelo após primeira sessão de quimioterapia (Foto: arquivo pessoal)

Aline cortou o cabelo após primeira sessão de quimioterapia (Foto: arquivo pessoal)

Quando eu cheguei no hospital o médico me perguntou se eu não queria fazer uma toca de gelo – ele disse que uma moça com o mesmo tipo de tumor que o meu tinha feito e havia funcionado. Eu decidi fazer então. Tive que colocar uma toca geladíssima em meu cabelo molhado a cada meia hora. Mesmo assim, caiu. Três dias depois da segunda sessão da quimioterapia vermelha eu não conseguia nem passar condicionador.

Naquele dia fiquei no luto. Passei o dia chorando, mas foi o único dia. Ai decidi cortar o cabelo. Como eu tenho duas