Refluxo: respondemos às principais dúvidas

Médico do departamento Materno-Infantil do Hospital Albert Einstein, dr. Claudio Len explicou quais os sinais e e o que fazer nessa situação

Dr. Cláudio Len responde as principais dúvidas sobre refluxo (Foto: Shutterstock)

Os alimentos ingeridos pelos bebês vão da boca para o estômago por meio de um tubo muscular chamado esôfago. O refluxo gastresofagiano é caracterizado pela volta dos alimentos do estômago para a boca, também através do esôfago. Pode acontecer em qualquer fase da vida, mas é mais comum em bebês, uma vez que a válvula que impede esse refluxo, a cárdia, costuma amadurecer em torno dos 6 meses. O refluxo pode ser considerado “oculto” quando o alimento não volta para a boca ou nariz; fisiológico, quando não tem sintomas; ou patológico, se associado a baixo ganho de peso, engasgos e/ou esofagite, que pode causar dor forte em crianças. Portanto, deve-se suspeitar de refluxo em bebês com até 4 meses que choram várias vezes ao dia e parecem ter dor. Além da esofagite, o choro intenso pode ter outras causas. Então os pais devem procurar o pediatra de confiança nesses casos. uma análise e exame clínico cuidadosos podem detectar a causa da dor. Raramente são necessários exames desconfortáveis. O tratamento do refluxo inclui orientações simples como a posição correta para as mamadas, uso de colchões antirrefluxo e inclinação do berço, além do uso de medicamentos antiácidos, sempre com acompanhamento médico. Com o passar dos primeiros 6 meses, o refluxo vai diminuindo de intensidade e os bebês (e seus pais!) ficam livres dos sintomas.

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Depois de testar várias fórmulas, comecei a dar uma opção feita de soja para o meu bebê de 5 meses e percebi uma grande melhora no refluxo. O tipo de leite pode influenciar? Bruna Vieira, mãe de Raul. R: Em alguns casos pode estar associado à alergia à proteína do leite de vaca. Nessas situações a troca para uma fórmula hipoalergênica ajuda no controle dos sintomas, especialmente nos primeiros meses de vida. Atualmente dispomos de várias opções no mercado, inclusive à base de soja. No entanto, no seu caso, é difícil saber se a mudança foi a real responsável pela melhora clínica, uma vez que o refluxo costuma melhorar espontaneamente a partir do sexto mês de vida.

Pode ser sinal de que a criança é alérgica ou intolerante a algum tipo de alimento? Leda Alves, mãe de Ludmila e Joaquim. R: Na maioria das vezes o refluxo é fisiológico e melhora ao longo dos primeiros 6 meses. Em alguns casos pode ser mais prolongado e ir até os 12 meses ou até mesmo mais. Aliás, muitos adultos têm refluxo. Uma pequena parte dos casos pode ser sinal de alergia (e não intolerância) a algum alimento, especialmente o leite de vaca. Nestes casos o refluxo costuma ser bem intenso e acompanhado de dor várias vezes ao dia, de intensidade variável, e por outras manifestações, como, por exemplo, fezes com sangue ou muco e dermatite atópica, entre outras.

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Devo evitar algum alimento para que o bebê não tenha refluxos durante a amamentação? Como colocá-lo para dormir de maneira que não corra o risco de sufocamento? Naide Tavares, mãe de Davi e Cecília. R: Não há relação entre a alimentação da mãe e a presença de refluxo. Vejo mulheres com dietas bem restritas e sem base científica. É muito importante que elas se alimentem bem no período da amamentação, garantindo uma produção regular de leite. Quanto à posição para dormir, recomenda-se que os bebês durmam com a barriga para cima. Além disso, os pais devem evitar colocar protetores de berço para que o risco de sufocamento seja minimizado.