A família ocupa um lugar que nenhum outro grupo pode substituir

Eu acredito que quando uma criança tem uma família e a reconhece como seu porto seguro, ela está emocionalmente apta ao aprendizado social

A família ocupa um lugar que nenhum outro grupo de pessoas substituirá em sua essência (Foto: iStock)

Eu sou defensora do vínculo familiar acima de qualquer outra faceta da educação.

Eu acredito que quando uma criança tem uma família e a reconhece como seu porto seguro, como lugar em que cria raízes e asas, ela está emocionalmente apta ao aprendizado social e a construir relações saudáveis com outras pessoas.

A família ocupa um lugar que nenhum outro grupo de pessoas substituirá em sua essência. O que não quer dizer, claro, que outros relacionamentos não sejam tão necessários quanto. Não é isso. O que quero dizer é que outros grupos, especialmente a escola, ainda que sejam capazes de nutrir os vazios abertos pela negligência familiar, jamais o farão da mesma forma e certamente dispensarão muito mais esforço e tempo para isso.

É por isso que eu acredito que o melhor para a criança é estar com a família pelo menos até seus 4 anos de vida, DESDE QUE essa família seja presente e esteja suficientemente preparada para nutrir o desenvolvimento infantil dessa criança – assim como consta na nossa lei 9394 que orienta as diretrizes e as bases da Educação Brasileira. Ao mesmo tempo, sei que esse “sonho” não condiz com a nossa realidade. Eu mesma, ainda que me considerando suficientemente preparada, não consigo ser tão presente quanto demanda uma criança que não vai à escola. Por isso, sinto a necessidade de dividir o tempo dos meus filhos entre a casa e algum outro grupo sócio-educativa (escola ou espaços de brincar) antes dos 4 anos.

A questão que me preocupa, porém, é que não é só o tempo para uma dedicação integral aos filhos o que tem faltado a mães e/ou pais brasileiros. Tem faltado tempo para qualquer mínima dedicação, para 15 minutinhos de olho no olho, e preparo.

O século 21 nos trouxe uma realidade ultra exigente e, com isso, estamos deixando de exigir o que nos é mais importante: nossa dedicação aos nossos filhos.

Sei que sou privilegiada por conseguir passar pelo menos 4h diárias ao lado dos meus filhos – o que me permite BRINCAR além de dar o banho, o papá e trocar umas 2 fraldinhas. Mas, mais do que ter este tempo (que lutei por ele e é suado), sinto-me privilegiada por estar preparada para compartilhar com as crianças algumas horas com QUALIDADE. Olhando nos olhos, ouvindo-os com o coração.

Por isso, ainda que eu seja ciente de que segundos raros de qualidade dificilmente constróem vínculos fortes e duradouros, entre o TEMPO e a QUALIDADE eu prefiro a qualidade. E por essa característica (qualidade) entenda PRESENÇA.

Tempo sem qualidade é ausência, e isso também não constrói vínculos. Pelo contrário. Constrói crianças agressivas, nervosas, ávidas por competirem a atenção que seus pais tanto dedicam aos celulares, computadores, jornais, livros e demais afazeres. A agressividade que a criança dirige a objetos ou coleguinhas, muitas vezes, nasceu de uma necessidade de atacar a ausência de seus pais. De uma necessidade de pisar em terra firme, em porto seguro, que só pode ser construído com PRESENÇA.

Ausência cria areia movediça, aquele terreno molengo onde as crianças não se sentem seguras o suficiente para se revelarem e crescerem equilibradas. Aquele terreno que em vez de os apoiar quer os engolir, os apagar. E é daí que nasce (ou brota) a agressividade da criança, como um impulso de sobrevivência que possa tirá-los daquele buraco gelatinoso e áspero, seja através do grito ou da luta física.

É preciso resgatar nossa missão como famílias, nosso dever, nosso compromisso. Se não fizermos bem feito nosso papel, nem remédios, nem a escola mais cara e moderna do mundo conseguirá aprumar uma criança 100% de volta para seu caminho natural e potencial.

Eu te desejo PRESENÇA.

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