Crianças que vivem perto da natureza têm menos riscos de desenvolver TDAH, diz estudo

A descoberta foi feita por pesquisadores na Dinamarca e publicada no periódico especializado ‘Perspectivas de Saúde

Resumo da Notícia

  • Crianças que vivem perto da natureza têm menos riscos de desenvolver TDAH
  • A descoberta foi feita por pesquisadores na Dinamarca e publicada no periódico especializado 'Perspectivas de Saúde
  • Para a pesquisa, eles analisaram dados de pessoas nascidas no país entre 1992 e 2007
  • O estudo descobriu a relação entre o contato com a natureza e o desenvolvimento de TDAH

Você provavelmente já ouviu sobre os benefícios de criar seu filho em áreas verdes, para que ele tenha contato com a natureza e liberdade para se desenvolver. Mas você sabia que esse contato pode evitar, inclusive, que ele desenvolva hiperatividade (TDAH) quando mais velho? A descoberta foi feita recentemente por um grupo de pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca e publicada no periódico especializado ‘Perspectivas de Saúde Ambiental‘.

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A pesquisa foi considerada uma das maiores já feitas até o momento sobre o assunto. Para chegar ao resultado, os cientistas analisaram dados de pessoas nascidas na Dinamarca entre 1992 e 2007 e os diagnósticos de TDAH a partir dos 5 anos de idade, durante o período de 1997 a 2016. Para entender a influência da área verde no diagnóstico, eles usaram o índice de vegetação de diferença normalizada (NDVI) para medir a quantidade de vegetação ao redor de cada casa de cada criança.

Crianças que vivem perto da natureza têm menos riscos de desenvolver TDAH, diz estudo (Foto: iStock)

Com os cálculos e pesquisas, eles descobriram que crianças que viveram em áreas com uma baixa vegetação tiveram  um risco maior de desenvolver TDAH em comparação com aquelas que viveram em locais onde existe uma grande área verde.  “Nossos achados mostram que crianças expostas a ambientes com menos vegetação durante a primeira infância — até os cinco anos — possuem maior risco de receber um diagnóstico para TDAH em comparação com crianças que cresceram cercadas por áreas verdes”, explica Malene Thygesen, uma das autoras do estudo.

Os pesquisadores também procuraram explicar o motivo disso acontecer. Eles apontaram que as razões ainda não são certas, mas trouxeram algumas possibilidades. Uma das explicações está na teoria da restauração de atenção. De acordo com a hipótese, sintomas como dificuldade de concentração e estresse — que intensificam o distúrbio — podem ser reduzidos a partir do contato com a natureza.

Além disso, os cientistas apontaram a diminuição dos níveis de poluição sonora e atmosférica nas áreas verdes como um indicativo para esse resultado. Isso acontece porque, como apontado pelos pesquisadores, o excesso de estímulos causados pela poluição pode causar mais estresse e irritação nas crianças.

A possibilidade de fazer exercícios físicos em locais abertos também foi apontada pelos estudiosos como uma possibilidade para essa diminuição dos índices de hiperatividade. “Espaços verdes podem agir como um facilitador que promove um cenário propício para o contato social e brincadeiras ao ar livre na vizinhança”, explicam. “A coesão social em um bairro é associada à saúde humana e a melhora no bem-estar em geral”, completam eles.

O estudo ressalta que não foi incluído o período de gestação, em que o nível de estresse da mãe pode propiciar o desenvolvimento de sintomas do transtorno nos filhos. Além disso, eles pontuaram que, na Dinamarca, a maioria das crianças frequentam creches, o que pode limitar as descobertas.