Mãe fala como foi contar para filha que avô faleceu de coronavírus e especialistas dão dicas para ajudar

Thelma Parada é mãe de Guilhermina e fez um relato sobre esse momento de luto. Conversamos com duas psicólogas para te ajudar a enfrentar essa fase em família

Resumo da Notícia

  • Thelma Parada precisou dar a notícia de falecimento do avô da filha, por conta do coronavírus
  • Conversamos com psicólogas para te ajudar a enfrentar esse momento, respeitando o luto
  • O mais importante de tudo é ser transparente com a criança, adaptando a fala de acordo com a idade
Honestidade é tudo nesse momento difícil (Foto: Getty Images)

Morte é um tema tabu, tanto para os adultos quanto para as crianças. Apesar de um momento difícil para qualquer família, faz parte do ciclo da vida e é importante saber lidar com esse luto. “Muitos pais, na tentativa de proteger os filhos, acreditam que não falar sobre o assunto pode poupá-las do sofrimento, como se não falar aliviasse a dor, o que não é verdade”, alerta Tatiane de Sá Manduca, psicóloga e palestrante, mãe de Mateus. A criança compreende a ausência e deixar o tema em aberto pode causar confusão e insegurança. 

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Mas como começar uma conversa tão delicada? Thelma Parada, odontopediatra, nossa embaixadora, mãe de Guilhermina passou por essa situação na última quarta (15). O avô da menina por parte de pai faleceu e Thelma optou pela verdade desde que descobriram que ele tinha testado positivo para o coronavírus. “Nós não escondemos dela em nenhum momento, contamos tudo. Explicamos que a situação estava piorando”. Fazer essa contextualização, segundo Vanessa Abdo, doutora em psicologia e CEO do Mamis na Madrugada, mãe de Laura e Rafael, permite que a criança tenha espaço para elaboração dos sentimentos e repertórios em relação ao assunto.  

Dando a notícia

“Temos três conceitos para nos ajudar nesse momento: apoio, sinceridade e espaço para o sofrimento”, explica Vanessa. Thelma entende que o fato do tema ser falado abertamente dentro de casa, uma vez que já perdeu pessoas próximas, diminui as dificuldades de dar essa notícia. “O pai dela ligou por telefone, já que estava no interior cuidando dos pais. Como todas as vezes, ela perguntou como o avô estava e ele respondeu que não havia melhorado e havia virado uma estrela no céu”, descreveu. Nesse tempo, a mãe permanecia ao lado. Tatiane entende que essa conversa seja feita primeiro com que a criança tem maior vínculo ou laço afetivo: “A comunicação precisa ser clara, franca e acolhedora, dando abertura para a criança expressar os sentimentos”. 

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Guilhermina ao lado do avô e com a boneca, que ele deu de presente (Foto: Arquivo Pessoal)

Nesse momento, a dica é adaptar a linguagem de acordo com a idade e deixar espaço para escutar a criança. No caso de Guilhermina, a mãe lembra: “Ela ficou quieta. Temos um mini altar em casa e ela veio direto rezar. Depois, deitou em uma barraca e disse: ‘Eu quero ficar quieta, não quero falar com ninguém’, pegou uma boneca que ganhou do avô, abraçou e dormiu”. Para Tatiane, é fundamental respeitar a reação do seu filho. “Para o processo de luto, também é importante ajudar a criança a resgatar e manter a memória afetiva por meio das experiência vividas com a pessoa que se foi”, completa. 

Cada um tem uma forma de reagir

“Agora é uma hora de empatia e acolhimento, respeitar o entendimento do outro, a forma de pensar do outro e a dor do outro. Cada um tem um jeito de reagir a dor e situação. Não existe certo nem errado, mas algo muito importante que se chama respeito”, defende Thelma. Por isso, quer dar espaço para a filha, mas se mostrou aberta para conversar quando ela quiser: “Acredito que quanto mais se fala, melhor organizada ficam as ideias”. Tatiane diz que é hora de demonstrar afeto e respeitar a capacidade de maturação psicoemocional de cada criança. Nesse momento, ela sugere algumas atividades: “Você pode ler “O livro do Adeus”, que ajuda a trabalhar o luto, por exemplo, ou perguntar como a criança quer se despedir da pessoa que se foi, podendo escrever cartas ou fazer desenhos”. 

Guilhermina pegou a boneca, presente do avô, e dormiu depois da ligação (Foto: Arquivo Pessoal)

Vanessa Abdo reforça que em meio à pandemia do coronavírus e do isolamento, as crianças podem ficar ansiosas e com medo de que todo mundo possa morrer. “É bom deixar claro que é uma doença, que existem grupos de risco, mas que elas não precisam se preocupar, porque os adultos estão tomando os cuidados necessários”, afirma. Se necessário, você também pode procurar por ajuda profissional, de um psicólogo especializado em luto.

Mas as crianças nos surpreendem e vão muito além do esperado. Prova disso é que depois de alguns dias seguidos de céu nublado em São Paulo, no dia do falecimento do avô de Guilhermina, se fez um pôr do sol. Thelma logo comentou para a filha: “Olha que céu lindo”. E Guilhermina respondeu: “O vô fez milagre”.

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