Criança

Mãe perde a guarda do filho após juiz decidir que Rio de Janeiro é muito perigoso

O menino tem oito anos e uma família inteira no RJ

Nathalia Lopes

Nathalia Lopes ,Filha de Márcia e Toninho

Mãe perde a guarda do filho simplesmente por morar em uma comunidade no Rio de Janeiro. O juiz decidiu que a Manguinhos era um ambiente muito violento para um menino de oito anos, agora a criança vai viver com o pai em Santa Catarina.

Rosilaine Santiago da Rocha deu uma entrevista ao Balanço Geral e falou mais sobre o caso. O que deixou a mãe mais revoltada foi que na decisão, o juiz responsável falou que o estado em geral não era o melhor para o garoto, que não foi identificado.

“É uma decisão muito preconceituosa. Porque ele não fala só de Manguinhos, ele fala do Rio de Janeiro. Então mães do Rio não podem mais criar o seus filhos? Eu achei muito preconceituosa, ele não está levando em conta a escola, o convívio familiar ou os amigos dele”, diz em entrevista.

A mãe ainda disse que a criança realmente não teve mais contato com o pai desde a separação. “Mesmo na formatura dele em 2016. Mesmo o pai sendo convidado, ele não quis conversa de aparecer. Eu nunca impedi que ele falasse com o pai, era ele quem não entrava em contato”.

Sobre a vida que tinha com o filho em casa, como toda mulher e mãe, Rosilaine disse que sempre se desdobrou para dar o melhor para o menino, inclusive para ele estudar em uma escola particular. Rosileine ainda diz que o ex-marido era uma pessoa muito agressiva e que na época do nascimento da criança ela precisou entrar com uma medida protetiva.

O advogado 

O programa ainda entrevistou o advogado de defesa da mãe. A família já entrou com um pedido de revisão da sentença. A equipe explica que o processo teve início em 2017 e desde então está nas mãos do mesmo juiz.

Leandro assumiu o caso depois da primeira decisão e conseguiu que ela fosse anulada, fazendo com que o menino pudesse continuar vivendo com a mãe. O advogado explica que entrou em contato com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“Esse é o ponto chave que eu vejo nesse questionamento, é uma decisão de que em um lado ela coloca uma mãe que recebe 2 mil reais e um suboficial que mora em Joinville. Eu senti esse preconceito, algo bem inerente na questão social”.

“Então com base nessas suposições eu busquei a OAB para que ela pudesse prestar seu apoio, para que ela viesse com a sua comissão dos direitos humanos, direito da mulher e desse um respaldo para que a gente pudesse caminhar com esse processo”.

E agora?

Segundo o jornal, o pai do menino já está no Rio de Janeiro. Ele está esperando que o caso seja finalizado até as primeiras semanas de agosto para a decisão final. Se a mãe não conseguir um recurso, ela precisará entregar o filho ao pai.

A decisão, em favor do homem, foi dada há dez dias. E Rosilaine, agente de saúde pública, torce para que consiga reverter essa situação e manter o menino na casa própria em Manguinhos, com o irmão mais velho de 15 anos.

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