Caso Henry: Software israelense foi fundamental para prisão de Jairinho e mãe do menino

Programa recuperou as mensagens apagadas pelo casal, que resultou na prisão por homicídio duplamente qualificado

Resumo da Notícia

  • O diretor do DGPC disse que o programa ajudou a recuperar as mensagens apagadas dos celulares
  • As mensagens foram fundamentais para o pedido de prisão de Dr. Jairinho e Monique Medeiros
  • O delegado ainda diz que o processo para a compra do equipamento ficou parado mais de dois anos

Antenor Lopes, delegado e diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), disse durante coletiva que o programa ajudou a recuperar as mensagens apagadas dos celulares de Dr. Jairinho e Monique Medeiros foram fundamentais para a prisão do casal, que aconteceu nesta quinta-feira, 8 de março.

-Publicidade-
Software israelense que recuperou mensagens apagadas de Jairinho e Monique (Foto: Reprodução / Vídeo)

O Software israelense Cellebrite Premium recuperou mensagens dos celulares apreendidos. “[O software] Contribuiu de maneira muito importante para a investigação”, disse o diretor do DGPC, de acordo com o G1. O delegado ainda diz que o processo para a compra do equipamento ficou parado mais de dois anos.

“O governador Cláudio Castro, sensibilizado com esse caso, liberou verba no último dia 31 e conseguimos adquirir esse equipamento de última geração, que foi fundamental para o esclarecimento desse caso. Conseguimos obter provas importantíssimas que levaram o delegado a solicitar o pedido de prisão à Justiça. O Ministério Público nos apoiou integralmente e hoje efetuamos a prisão do casal”, disse Antenor Lopes.

Henry perdeu a vida no dia 8 de março e a polícia diz que há dúvida de que o menino foi assassinado. “Hoje temos todos os elementos probatórios e podemos sim afirmar que temos provas que essa criança (Henry) foi assassinada e não foi vítima de um acidente doméstico. O Cellebrite foi uma prova técnica essencial, muito forte, onde o delegado (Damasceno, responsável pelas investigações) embasou o pedido de prisão, que é corroborado pelo Ministério Público e acabou sendo deferido pela juíza do 2º Tribunal do Júri”, afirmou Antenor.

O delegado ainda afirmou que a investigação segue, mesmo a polícia tendo reunido provas o suficientes para indiciar os culpados. “As demais provas técnicas da simulação e laudos médicos legais estão sendo finalizados e serão oportunamente juntados aos autos”, ressaltou.

O diretor ainda disse que o menino sofreu diversas agressões por Jairinho. “As mensagens que foram obtidas através de uma prova técnica de fato comprovam que essa criança vinha sofrendo agressões dentro do apartamento. Agressões praticadas pelo vereador e médico Dr. Jairinho. Todas as provas técnicas serão juntadas ao inquérito policial, mas neste momento podemos afirmar sim que houve toda uma arquitetura incompreensível caso fosse um acidente, a combinação de depoimentos. Algo que não se espera de uma família enlutada. Todas as provas técnicas estão sendo finalizadas”, disse Lopes.

Babá de Henry Borel narrou à mãe em tempo real agressões de Dr. Jairinho ao enteados

A Polícia mostrou mensagens entre a mãe de Henry Borel, Monique Medeiros e a babá da criança, Thayna de Oliveira. A empregada descreveu à mãe (em tempo real) as agressões que a criança foi submetida pelo padrasto, o vereador Dr. Jairinho (afastado do Solidariedade) no dia 12 de fevereiro.

As agressões aconteceram em um quarto do apartamento do condomínio Majestic, onde o Vereador e Monique viviam no Rio de Janeiro. A conversa diz que o menino e o padrasto ficaram trancados por alguns minutos em um cômodo do apartamento, com o som da TV alto.

A criança, segundo o G1, depois mostrou para a babá hematomas e contou que levou uma banda (uma rasteira) e chutes, além de reclamar de dores no joelho e na cabeça. Na representação ao Ministério Público estadual, a polícia indica estar diante de um homicídio duplamente qualificado por tortura e por emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A Polícia mostrou conversa da mãe de Henry Borel com a babá relatando agressões de Jairinho (Foto: Reprodução/ G1)

“Nós encontramos no celular da mãe prints de conversa que foram uma prova extremamente relevante, já que são do dia 12 de fevereiro e o que nos chamou a atenção e que era uma conversa entre a mãe e a babá que revelava uma rotina de violência que o Henry sofria. A babá relata que o Henry contou a ela que o padrasto e pegou pelo braço, deu uma rasteira e o chutou. Ficou bastante claro que houve lesão ali. A própria babá fala que o Henry estava mancando”, disse o delegado Henrique Damasceno.

O caso veio à tona durante a investigação da perda da criança, quase um mês depois, em outro episódio de violência dentro da casa do casal – o laudo da morte aponta sinais de violência e só os três estavam no apartamento. Nesta quinta-feira, 8 de abril,  o padrasto e mãe foram presos e vão ser indiciados por homicídio duplamente qualificado, segundo informações da TV Globo.

“A mãe não comunicou a polícia, não afastou o agressor de uma criança de quatro anos. Ela esteve em sede policial, prestando depoimento por 4 horas, dando uma declaração mentirosa e protegendo o assassino do próprio filho. Ela aceitou esse resultado. Ela se manteve firme ao lado dele, mantendo uma versão absolutamente mentirosa”, apontou o delegado.

Veja a conversa entre a babá e mãe de Henry Borel

Henry trancado no quarto com Jairinho

  • 16:30 – THAYNA: Aí logo depois Jairinho chamou ele para ver que comprou algo
  • 16:30 – MONIQUE: Chama
  • 16:30 – MONIQUE: Aí meu Deus
  • 16:30 – THAYNA: Aí ele foi para o quarto
  • 16:30 – MONIQUE: Estou apavorada
  • 16:30 – THAYNA: De início gritou tia
  • 16:30 – THAYNA: Depois tá quieto
  • 16:30 – THAYNA: Aí eu respondi oi
  • 16:30 – THAYNA: Aí ele nada
  • 16:30 – MONIQUE: Vai lá mesmo assim
  • 16:30 – THAYNA: Tá
  • 16:31 – MONIQUE: Fala assim: sua mãe me ligou falando para vc ir na brinquedoteca brincar com criança
  • 16:31 – MONIQUE: E fica lá um tempo
  • 16:31 – MONIQUE: Jairinho não falou que ia para caaa
  • 16:31 – MONIQUE: casa
  • 16:31 – THAYNA: Então eu chamo e nenhum dos dois falam nada

TV alta com voz de desenho

  • 16:31 – MONIQUE: Bate na porta
  • 16:32 – THAYNA: Não respondem
  • 16:32 – MONIQUE: Thaina
  • 16:32 – THAYNA: Eu só escuto voz de desenho
  • 16:32 – THAYNA: Acho melhor você vir
  • 16:32 – MONIQUE: Entra no quarto mesmo assim
  • 16:32 – THAYNA: E daí se tiver acontecendo algo você vê
  • 16:32 – THAYNA: Fico com medo do Jairinho não gostar da invasão
  • 16:32 – THAYNA: Pera vou tentar abrir a porta
  • 16:32 – MONIQUE: Ele não tem que gostar de nada
  • 16:32 – THAYNA: Abriu a porta do quarto
  • 16:32 – MONIQUE: E aí?
  • 16:32 – MONIQUE: Aí meu pai amado
  • (foto parcial, enviada por THAYNA, aparentemente com HENRY NO COLO)

Henry não quer ficar sozinho na sala

  • 16:35 – MONIQUE: Deu ruim?
  • 16:35 – MONIQUE: Sabia
  • 16:35 – MONIQUE: Pergunta tudo
  • 16:35 – MONIQUE: Pergunta o que o tio falou
  • 16:35 – THAYNA: Então agora não quer ficar na sala sozinho
  • 16:35 – THAYNA: Só quer ficar na cozinha
  • 16:36 – THAYNA: Jairinho falou thayna deixa a mãe dele fazer as coisas

Babá com Henry na sala

  • 16:36 – MONIQUE: Pergunta se ele quer vir pro shopping?
  • 16:36 – THAYNA: Não liga não
  • 16:36 – THAYNA: Falei não to falando com ela não
  • 16:36 – THAYNA: To falando com minha mãe
  • 16:36 – THAYNA: Ai ele ah tá
  • 16:36 – THAYNA: imagem* (fotografia de THAYNA, com HENRY ao lado, aparentemente em um sofá)
  • 16:36 – THAYNA: To sentada com ele na sala
  • 16:36 – THAYNA: Vendo desenho
  • 16:36 – MONIQUE: Fala que vai na brinquedoteca
  • 16:36 – MONIQUE: Eu mando um uber
  • 16:37 – THAYNA: A rose ta fazendo as coisas
  • 16:37 – MONIQUE: Aí meu Deus
  • 16:37 – Que m#rd@

Jairinho arrumando a mala

  • 16:37 – THAYNA: A rose ta fazendo as coisas
  • 16:37 – MONIQUE: Ai meu Deus
  • 16:37 – MONIQUE: Que merda
  • 16:37 – MONIQUE: Ver se ele quer sair de casa
  • 16:37 – THAYNA: Tô falando com ele
  • 16:37 – MONIQUE: Ou ficar aí
  • 16:37 – THAYNA: Ele quer que eu fique sentada ao lado dele só
  • 16:37 – MONIQUE: Coitado do meu filho
  • 16:37 – THAYNA: Jairinho tá arrumando a mala
  • 16:37 – MONIQUE: Se eu soubesse nem tinha saído
  • 16:38 – MONIQUE: Pergunta o que o tio falou
  • 16:38 – MONIQUE: Fala assim: tio Jairinho é tão legal, o que ele falou com vc?
  • 16:38 – THAYNA: Jairinho tá aqui perto
  • 16:38 – THAYNA: Depois pergunto
  • 16:38 – MONIQUE: Ok

Jairinho andando pela casa

  • 16:38 – THAYNA: Jairinho tá andando pela casa
  • 16:38 – THAYNA: Acho que prestando atenção no que eu tô fazendo
  • 16:38 – THAYNA: (emoji)
  • 16:38 – MONIQUE: Ok
  • 16:38 – MONIQUE: Daqui a pouco vc me fala
  • 16:39 – THAYNA: Aí disfarço
  • 16:39 – THAYNA: Abro outra conversa
  • 16:39 – MONIQUE: Ok
  • 16:39 – THAYNA: Tá bem
  • 16:39 – THAYNA: Tá comigo na sala
  • 16:39 – THAYNA: Qualquer coisa te falo
  • 16:39 – MONIQUE: Ok
  • 16:46 – MONIQUE: Da um banho nele
  • 16:46 – MONIQUE: Pra ver se ele relaxa
  • 16:46 – THAYNA: Ele não quer entrar ali no corredor

Henry reclama de dor de joelho

  • 16:47 – MONIQUE: Pqp
  • 16:47 – MONIQUE: Que m#rd@ do c@r@lho
  • 16:47 – THAYNA: imagem* (fotografia de THAYNA, com HENRY no colo, aparentemente em um sofá)
  • 16:47 – MONIQUE: Coitado
  • 16:47 – THAYNA: Quer ficar assim no meu colo
  • 16:47 – MONIQUE: (emoji)
  • 16:47 – THAYNA: Tá reclamando que o joelho está doendo
  • 16:47 – THAYNA: (emoji)
  • 16:47 – MONIQUE: O que será que aconteceu?
  • 16:47 – THAYNA: Rose até perguntou se ele tinha machucado o pé

Monique pensa em colocar microcâmera

  • 16:50 – MONIQUE: O que
  • 16:50 – THAYNA: Você um dia falar que vai demorar na rua
  • 16:50 – THAYNA: E ficar aqui em algum lugar escondida
  • 16:50 – THAYNA: Ou lá em baixo
  • 16:50 – THAYNA: E chegar do nada
  • 16:50 – MONIQUE: Ele foi pro nosso quarto ou o do Henry?
  • 16:50 – THAYNA: Para o seu quarto
  • 16:51 – MONIQUE: Eu vou colocar microcâmera
  • 16:51 – THAYNA: E sempre no seu quarto
  • 16:51 – MONIQUE: Me ajuda a achar um lugar
  • 16:51 – MONIQUE: Depois eu tiro
  • 16:51 – THAYNA: Meu padrinho instala câmeras
  • 16:51 – THAYNA: Tem até empresa de câmera
  • 16:51 – MONIQUE: Mas tem que ser imperceptível

Babá preocupada com Henry

  • 16:51 – THAYNA: Porque não tá normal
  • 16:51 – MONIQUE: Vdd
  • 16:52 – MONIQUE: Vai me avisando se ele falar alguma coisa
  • 16:52 – THAYNA: E eu tenho medo pq cuido dele com muito amor e tenho medo até dele cair comigo. Aí não sei o que Jairinho faz quando chega, depois ele tá machucado sei lá
  • 16:52 – THAYNA: Tá bem
  • 16:52 – MONIQUE: Tô aqui de olho no telefone
  • 16:52 – THAYNA: Tá bem
  • (Horário cortado) – THAYNA: imagem* (fotografia de THAYNA, com HENRY no colo, aparentemente em um sofá)

Monique diz que já está chegando

  • 17:02 – MONIQUE: Alguma coisa estranha mesmo
  • 17:02 – MONIQUE: Jairinho me ligou
  • 17:02 – MONIQUE: Dizendo que chegou agora em casa
  • 17:02 – THAYNA: Po
  • 17:02 – THAYNA: Já chegou um tempão
  • 17:03 – MONIQUE: Estranho demais
  • 17:03 – THAYNA: Tá comigo comendo bolo
  • 17:03 – MONIQUE: Ele vai no barrashopping
  • 17:03 – THAYNA: Muito
  • 17:03 – MONIQUE: Fala pro Henry que o tio vai sair pra trabalhar de novo
  • 17:03 – MONIQUE: Que eu já já chego
  • 17:03 – THAYNA: Tá
  • 17:16 – THAYNA: Saiu agora
  • 17:16 – THAYNA: Tá eu e Henry em casa só
  • 17:19 – MONIQUE: Veja se ele fala alguma coisa

Henry conta à babá as agressões

  • 17:22 – THAYNA: Estou tirando dele
  • 17:22 – MONIQUE: Ok
  • 17:22 – THAYNA: Pera aí
  • 17:25 – THAYNA: Então me contou que deu uma banda e chutou ele que toda vez faz isso
  • 17:25 – THAYNA: Que fala que não pode contar
  • 17:25 – THAYNA: Que ele perturba a mãe dele
  • 17:26 – THAYNA: Que tem que obedecer ele
  • 17:26 – THAYNA: Se não vai pegar ele
  • 17:28 – THAYNA: Combinei com ele agora
  • 17:29 – THAYNA: Toda vez que Jairinho chegar e você não tiver eu vou chamar ele pra brinquedoteca e ele vai aceitar ir
  • 17:29 – THAYNA: Porque estou aqui pra proteger ele
  • 17:29 – THAYNA: Aí eu disse se você confia na tia me da um abração aí ele me deu

Henry fica quieto com a babá

  • 17:30 – THAYNA: imagem* (fotografia de mãos dadas entrelaçadas, aparentemente de THAYNA e HENRY)
  • 17:30 – THAYNA: Tá assim comigo
  • 17:33 – MONIQUE: Como assim? (se referindo ao trecho “Se não vai pegar ele”)
  • 17:33 – THAYNA: Ele não falou mais

Henry está mancando

  • 17:49 – THAYNA: imagem* (vídeo focando nas pernas de HENRY, que está vestindo cueca e calçando chinelo)
  • 17:49 – THAYNA: Tá mancando
  • 17:50 – THAYNA: Mas tô cuidando dele
  • 17:50 – THAYNA: Termina tudo em paz
  • 17:50 – THAYNA: Quando você chegar a gente se fala
  • 17:50 – THAYNA: Vou dar banho nele
  • 17:50 – THAYNA: Beijos
  • 17:51 – MONIQUE: A porta do quarto estava aberta ou fechada qdo Henry entrou no quarto?

Jairinho fechou a porta do quarto

  • 17:57 – THAYNA: Quando Henry entrou estava aberta
  • 17:57 – THAYNA: Depois ele fechou
  • 17:57 – THAYNA: E daí ficou até aquela hora com a porta fechada
  • 17:58 – THAYNA: Henry tá reclamando da cabeça
  • 17:58 – THAYNA: Pediu tia não lava não
  • 17:58 – THAYNA: Tá doendo
  • 17:58 – MONIQUE: Meu Deus
  • 17:58 – MONIQUE: Como assim?
  • 17:58 – MONIQUE: Pergunta tudo Thayná
  • 17:58 – MONIQUE: Será que ele bateu a cabeça?

Henry com a cabeça machucada

  • 18:03 – THAYNA: imagem* (fotografia do joelho esquerdo de HENRY, aparentemente com uma equimose)
  • 18:03 – THAYNA: Ele disse que foi quando caiu que a cabeça ficou doendo

Mãe não ajudou o filho e protegeu o padrasto

Ainda de acordo com as declarações da entrevista coletiva, o delegado diz que além de não ajudar o menino, Monique protegeu o padrasto. “Ela esteve em sede policial, em depoimento, por mais de 4 horas, apresentando uma declaração mentirosa, protegendo o assassino do próprio filho. Não há a menor dúvida, que ela não só se omitiu, quando a lei exigia que ela deveria fazer (relatar o crime), como também concordou com esse resultado”, afirmou Damasceno.

O promotor falou sobre a hipótese que a mãe disse sobre um acidente domestico, que foi rapidamente descartada nas investigações. “Essa certeza veio vindo ao longo da investigação. A gente colheu uma série de depoimentos contraditórios, que contrariavam a verdade. Evoluindo essa investigação, a gente conseguiu constatar que a hipótese de acidente era descartada”, disse Marcos Kac, promotor do MPRJ.

O diretor ressaltou que a mãe de Henry tinha conhecimento das agressões. “E como ela é mãe, essa omissão dela é realmente relevante. Por isso, ela está sendo responsabilizada nesse ato por esse crime. O casal parecia bem unido até no momento da prisão, eles estavam dormindo juntos na casa da tia de Jairinho. E mesmo depois da morte do menino, a mãe apresenta a todo momento essa versão protegendo o vereador”, disse Lopes.

O delegado ainda afirmou que estão investigando se aconteceu alguma ameaça por parte de Jairinho à babá que teria mentido em seu depoimento na delegacia. “O inquérito ainda não está 100% encerrado, ainda faltam algumas diligências, que nós esperamos que sejam concluídas nos próximos dias”, conta Lopes.