Coronavírus afeta rotina de 276 mil trabalhadores domésticos no Ceará e deixa alerta

Em média,  41 mil trabalhavam com carteira de trabalho assinada, no último trimestre de 2019, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Os dados do primeiro trimestre de 2020 ainda não foram divulgados

Resumo da Notícia

  • O trabalho à distância foi aplicado por diversos escritórios durante a pandemia, mas não se aplica ao emprego doméstico, essencialmente presencial
  • Em média,  41 mil trabalhavam com carteira de trabalho assinada, no último trimestre de 2019
  • Os dados do primeiro trimestre de 2020 ainda não foram divulgados
  • Mostramos o relato de uma doméstica que mora no Ceará
Ceará é um dos lugares mais afetados pelo coronavírus (Foto: Getty Images)

A pandemia do novo coronavírus mudou muita coisa no país. O trabalho à distância, marcado pela utilização da tecnologia para prestar algum serviço e aplicado por diversos escritórios durante a pandemia, mas não se aplica ao emprego doméstico, essencialmente presencial.

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Em todo o Ceará, cerca de 276 mil pessoas se enquadram na categoria do trabalho doméstico, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que abrange profissões como arrumadeiras, cozinheiros, motoristas, lavadeiras, babás e cuidadores.

Em média,  41 mil trabalhavam com carteira de trabalho assinada, no último trimestre de 2019, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Os dados do primeiro trimestre de 2020 ainda não foram divulgados. Outras 235 mil pessoas, representando 85% do total, desempenhavam a função sem vínculos formais.

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Elis Regina Holanda, 39 anos, que trabalha 15 anos como diarista, afirma que nunca enfrentou um período tão complicado.“Mudou tudo. As clientes ficaram com receio porque a maioria é idosa. Estou há um mês parada”, disse ela ao G1. Antes elas tinha a agenda cheia de segunda a sábado, hoje ela conta com o apoio de algumas clientes que continuam a depositar a remuneração, e com a venda esporádica de bolos.

O marido de Elis continua a sair de casa a trabalho, por isso os seis filhos do casal foram divididos nas casas de outros parentes. “Sei da minha necessidade, até porque alimentação e higiene está caro, mas preciso ficar em casa. O que podemos economizar a gente tá fazendo”, desabafa.

Nos dias 14 e 15 de abril, pesquisa do Instituto Locomotiva constatou que, no Brasil, 39% dos empregadores de diaristas abdicaram do serviço das profissionais sem manter o pagamento. Por outro lado, 23% dos patrões de diaristas e 39% dos empregadores de mensalistas mantiveram as funcionárias trabalhando, mesmo na quarentena.

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