“Ela está com medo de ir à escola”, diz mãe de uma das alunas que sofreu crise de ansiedade no Recife

Cerca de 26 alunos foram atendidos pelo Samu, na última sexta-feira. Os alunos estavam se sentindo pressionados com a cobrança e tiveram um surto coletivo de crise de ansiedade

Resumo da Notícia

  • Cerca de 26 alunos foram atendidos pelo Samu, na última sexta-feira
  • Os alunos estavam se sentindo pressionados com a cobrança e tiveram um surto coletivo de crise de ansiedade
  • A mãe de uma das adolescentes contou que a filha tem medo de retornar à escola após o episódio de surto

Estudantes saíram em pânico das salas de aulas de uma escola estadual no Recife, na última sexta-feira, 8 de abril. Cerca de 26 alunos se retiraram da escola após apresentarem sintomas como, por exemplo: Falta de ar, tremor e grave crise de choro. Em seguida, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) prestou socorro aos jovens desamparados.

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A mãe de uma estudante de 15 anos contou ao G1 que a filha não se sente segura em voltar às aulas na segunda (11). “Ela está com medo de ir à escola”, afirmou a mulher. A mãe relatou que a filha cursa o 1º ano do ensino médio na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, onde ocorreu a crise coletiva de ansiedade.

O Samu informou que os alunos tiveram falta de ar, tremor e crise de choro e que eles não precisaram ser transferidos para hospitais. A estudante de 15 anos faz uso de medicação para controlar a ansiedade, ainda de acordo com a mãe dela, que preferiu não se identificar. “Quando cheguei na escola, na sexta, fui procurando minha filha e ela estava, ao lado da ambulância, deitada na grama”.

Estudantes de escola no Recife têm crise de ansiedade ao mesmo tempo
Estudantes de escola no Recife têm crise de ansiedade ao mesmo tempo (Foto: Reprodução/G1)

A adolescente, por sua vez, disse que sentiu que iria morrer e teve falta de ar durante a crise. A mulher contou, ainda, que a crise coletiva de ansiedade teve início após uma aluna da escola perder os sentidos e os outros estudantes pensarem que se tratava de algo mais grave.

“Há algumas semanas, fiquei sabendo que um aluno levou uma arma para a escola e mostrou na turma dele. Por isso, o desespero de ser algo mais grave, entende? Alguns pais não sabem disso, mas os estudantes sabem. Entre fevereiro e março, também foi registrado um episódio de agressividade, de uma aluna que deu um soco no olho de outro aluno”, contou a mãe.

Ainda segundo a mulher, os professores da unidade de ensino são atenciosos e a direção da escola informou que vai realizar uma reunião com os pais. “A escola dispõe de alguns professores para falar com os alunos, para saber como anda a convivência”, disse. Entretanto, ela acredita que a readaptação dos adolescentes às aulas integrais deveria ser gradual.

“Minha filha voltou às aulas em meados de novembro de 2021. A carga integral é complicada. Esses alunos saíram de uma carga horária de cinco horas na pandemia e, atualmente, estão com uma carga horária de nove horas”, finalizou.