Expectativa x realidade: 6 mentiras que os filmes disseminaram sobre o parto normal

O cinema já retratou muitos partos e nascimentos, mas a maioria deles não têm nada a ver com a vida real, por isso mostramos o que é ficção e o que é realidade nos partos normais mostrados em filmes

Resumo da Notícia

  • O cinema já retratou muitos partos e nascimentos, mas a maioria deles não têm nada a ver com a vida real
  • Mostramos o que é ficção e o que é realidade nos partos normais mostrados em filmes
  • Veja as comparações

Nos filmes já vimos diversas vezes mulheres com a bolsa estourando da maneira mais repentina e inoportuna possível, enquanto o homem nem mesmo sabe onde se posicionar e acaba desmaiando no meio da sala de cirurgia? Ou bebês que saem do canal vaginal olhando para cima, para o teto (ou será para a câmera?).

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Expectativa x Realidade (Foto: iStock)

O médico Adam Key descreve em detalhes o que se passa nas salas de partos, com base no livro This is Going to Hurt (Isso Vai Doer, na tradução), e nas análises de três especialistas, a BBC News mostrou o que é ficção e o que é realidade nos partos normais mostrados em filmes.

1. Não nascemos olhando para cima

Na maioria dos partos, a primeira coisa a sair do canal vaginal é a cabeça do bebê.  Mais de 90% dos bebês ficam em posição cefálica antes do nascimento, ou seja, com a cabeça baixa, o queixo apoiado no peito, as nádegas levantadas e as pernas e braços dobrados e próximos ao corpo. Seus rostos ficam voltados para as costas da mãe. Mas, no cinema, com frequência o recém-nascido está com a face virada para cima. Isso não reflete a realidade.

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2. A bolsa estourou e agora?

Imagens da bolsa de água estourando de forma repentina e com abundância de líquido amniótico também são comuns no cinema e na televisão. Quase imediatamente, a mulher grávida entra em trabalho de parto.

Já na realidade, isso não acontece com muita frequência. Não é incomum que o estouro da bolsa d’água (do líquido amniótico em que o bebê cresce) exija algum exame para confirmar se realmente se rompeu ou não, pois a paciente percebe que está perdendo líquido, mas não vê isso claramente. Isso acontece porque muitas vezes não é tão simples como parece diferenciar entre líquido amniótico e urina, principalmente se for apenas uma umidade ou um gotejamento de líquido. E normalmente o rompimento não marca o início do parto, mas faz parte dele.

3. O pós-parto

O pós-parto é o grande esquecido no cinema e as consultas médicas também. Uma série de coisas acontecem na sala de parto que Hollywood raramente mostra, e que podem se tornar bastante incômodas e dolorosas. Os filmes também não mostram como a recuperação física depois de uma cesárea pode ser difícil.

Desde a expulsão da placenta, do resto do cordão umbilical e das membranas que envolveram o feto durante a gravidez, até a sutura de feridas ou lacerações ocorridas durante o parto, se for natural. Em seguida, ocorrem as contrações uterinas, nas quais esse órgão retorna ao estado anterior à gravidez. Mas não é só isso.

O cinema também não costuma mostrar como a amamentação pode ser complicada, como o parto pode afetar a bexiga e gerar incontinência urinária, e dezenas de outras mudanças no corpo e situações que podem ser muito difíceis para as mulheres.

Todo esse imaginário de séries e filmes que nos leva a pensar que o parto — e o que vem depois — é um mar de rosas é muito perigoso porque nem sempre é assim. É importante derrubar mitos.

4. A posição do parto

Outra cena comum em filmes é o parto ocorrer com a mulher semissentada em uma maca. Essa é de fato uma ótima posição para o parto, mas não é a mais comum em todos os países do mundo.

Como por exemplo no Reino Unido e nos Estados Unidos é comum as mulheres ficarem semissentadas, com os pés apoiados na maca e as pernas levantadas. Mas em países como a Espanha, a posição mais comum é a litotômica, em que a mulher fica deitada, com a parte de trás dos joelhos apoiada, e não tão ereta.

Além dessas duas, há diversas outras posições possíveis para o parto normal que raramente são citadas no cinema e na televisão — de pé, de cócoras, em quatro apoios, sentada em uma banqueta, deitada de lado. A posição também depende do estágio do parto em que a gestante se encontra.

5. Gritos de dor

Outro clássico dos nascimentos no cinema são os gritos de dor, que lembram mais cenas de terror. É verdade que as contrações são dolorosas e quando duram muito a paciente fica exausta. Mas não é uma dor que necessariamente a obriga a gritar assim, embora obviamente cada pessoa tolere de uma maneira diferente. Se houver anestesia peridural, isso geralmente não acontece.

As mulheres são fortes, isso é algo universal e elas conseguem lidar principalmente com a dor do parto — que é doloroso, não há dúvida — muitas vezes sem precisar gritar.

6. Homens que desmaiam

A imagem do pai desajeitado e apreensivo também é comum no cinema. Não vamos nos enganar. Há homens muito apreensivos que ficam da cor da parede na hora do parto. E realmente há quem desmaie. Mas essa também não é a normal.

Nos filmes de Hollywood o parceiro é frequentemente retratado como um incômodo ou uma pessoa que não sabe exatamente como se comportar nessa situação. Na realidade, isso é bastante inusitado. Muitos homens e mulheres que acompanham a parturiente estão em perfeita harmonia com ela, e a ajudam e apoiam em tudo o que ela precisa.

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