Mãe continua em busca do filho desaparecido em Petrópolis: “Quero abraçá-lo mesmo morto”

Pedro Henrique Braga Gomes de apenas 8 anos foi levado pela enxurrada da última terça-feira que deixou diversas vítimas na cidade

Resumo da Notícia

  • Uma mãe ainda está em busca do filho desaparecido em Petrópolis
  • Pedro de apenas 8 anos se perdeu na mãe na enchente e até agora não foi localizado
  • Rafaela disse que gostaria de abraçar o filho uma última vez, mesmo que esteja morto

Uma mãe ainda está em busca do filho que desapareceu durante a enxurrada em Petrópolis, na última terça-feira. Rafaela Braga Pereira, 30, ouviu pela última vez seu filho Pedro Henrique Braga Gomes, 8, chorando e se desculpando por tudo pois sabia que a morte iria chegar para todos naquele momento.

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“Parecia que estava sentindo que iria morrer ou que algo ruim ia acontecer. Ele pediu desculpas pelas coisas que fez. E eu respondi: ‘tá bom, meu filho'”, contou Rafaela em entrevista exclusiva ao UOL. Foi o último diálogo que teve com Pedro desde terça-feira (15), quando ele se tornou uma das pessoas desaparecidas na tragédia que atingiu a região serrana do Rio.

“Quero encontrar meu filho e me despedir dele. Eu quero abraçar ele, mesmo morto, e me despedir dele”, desabafou a mãe. Os dois estavam em um dos ônibus que aparecem em um vídeo ilhados em meio à enchente. Passageiros tentaram escapar pelas janelas, outros decidiram nadar.

A tragédia em Petrópolis deixou diversas vítimas
A tragédia em Petrópolis deixou diversas vítimas (Foto: Reprodução/G1)

Rafaela disse que os dois estavam indo para casa, voltando da escola de Pedro. Decidiram pegar um ônibus para chegar mais rápido, mas, no meio do trajeto, a chuva forte que caía na cidade alagou o trecho de uma via e travou a passagem do coletivo.

Em menos de 15 minutos, calculou a mãe, a enxurrada já havia invadido o ônibus. Quando a água ainda batia nas pernas, ela colocou Pedro em cima da cadeira do cobrador. Foi nesse momento que, chorando muito, o filho começou a se desculpar. “Ele estava muito nervoso e chorando muito. Estava desesperado. Eu achei que a morte ia pegar todo mundo ali. Do jeito e na altura que estava, eu achei que todo mundo fosse morrer.”.

A mãe conseguiu colocar o filho no teto do ônibus, porém quando a correnteza veio e puxou ela, os dois se separaram, e por sorte Rafaela conseguiu se segurar em uma goiabeira, que a salvou. Desde que colocou o filho no teto do outro ônibus, Rafaela não tem o menor sinal de onde ele possa estar. Na tarde do último sábado, ela contou que sua mãe foi até o IML (Instituto Médico Legal) tentar achar ao menos o corpo, mas não o encontrou.

Ela tem esperança de reencontrar o pequeno. “Sinceramente, eu não sei o que aconteceu. Não tenho notícia nenhuma dele até agora. Quero meu filho de volta. Eu ainda tenho a esperança de encontrar meu filho, vivo ou morto”, disse a mãe.