O mundo de outra cor: conheça os diferentes tipos de daltonismo em crianças

O problema afeta aproximadamente 1 em cada 12 homens e 1 em cada 200 mulheres ao redor do mundo

Resumo da Notícia

  • Saiba o que é o daltonismo em crianças
  • O problema afeta aproximadamente 1 em cada 12 homens e 1 em cada 200 mulheres ao redor do mundo
  • A discromatopsia é uma condição genética, ou seja, a criança nasce com ela, mas que para ser hereditário é necessário que ambos os pais tenham os genes
  • Importante lembrar que o distúrbio e não traz outros riscos à saúde, além da confusão das cores

Elefantinho colorido, que cor? Na infância é comum as crianças esbanjarem da criatividade na hora de pintar desenhos, escolher as combinações de roupas e até mesmo confundir uma cor ou outra antes mesmo da alfabetização. Mas, em alguns casos, essas confusões podem necessitar de uma análise de um especialista.

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Um em cada 12 meninos tem deficiência de cores, e essa chance é maior se o avô materno for daltônico. Meninas são acometidas muito mais raramente (1 em 200) (Foto: Getty Images)

Você já ouviu falar em daltonismo? É um tipo de deficiência de visão de cores, também chamada de deficiência daltonista ou ainda discromatopsia. Quem é “daltônico” tem dificuldade para distinguir o vermelho e o verde. Em alguns casos pode também ter problemas para identificar as cores azul e amarelo. E em situações mais raras, podem ter visão acromática, ou seja, só enxergam tons de branco, cinza e preto.

O termo, “daltonismo” ficou registrado em homenagem à primeira pessoa que reconheceu e escreveu sobre esse problema, o físico inglês John Dalton, em 1789. Dalton tinha deficiência de cores e percebia o mundo apenas como diferentes tons de azul, roxo e amarelo.

Segundo o oftalmologista Hallim Feres Neto, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, pai de Rafael e Guilherme , no mundo, há aproximadamente 300 milhões de pessoas com daltonismo. O problema afeta aproximadamente 1 em cada 12 homens e 1 em cada 200 mulheres ao redor do mundo.

O daltonismo, portanto, é uma alteração no pigmento dos “cones dos olhos”. Funciona assim: no centro das nossas retinas, possuímos fotorreceptores responsáveis por captar a luz que chega e transmití-la para o cérebro. Essas células fotorreceptoras podem ser de dois tipos: cone, responsável pelo colorido, e bastonete, responsável pelo preto e branco. Quando uma pessoa não possui uma quantidade satisfatória de cones, não é possível levar ao cérebro que cor exatamente é aquela do objeto que está sendo observado.

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Andressa Simonini, editora-executiva da Pais&Filhos está concorrendo ao Troféu Mulher Imprensa
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Conheça os três tipos:

  • Protanopia – diminuição ou ausência do pigmento vermelho, sensível às ondas de comprimento longo. Nesse caso, a pessoa enxerga em tons de bege, marrom, verde ou cinza;
  • Deuteranopia – ausência ou diminuição dos cones verdes sensíveis às ondas de comprimento médio. Na falta deles, a pessoa enxerga em tons de marrom;
  • Tritanopia – dificuldade para enxergar ondas curtas como os diferentes tons de azul e o amarelo, que adquire tons rosados.

Quais as causas?

De pai para filho! O oftalmologista explica que quase sempre a discromatopsia é uma condição genética, ou seja, a criança nasce com ela, mas que para ser hereditário é necessário que ambos os pais tenham os genes, mesmo que eles não manifestem. Porém, vale destacar que é um problema quase sempre dos meninos (XY). “O daltonismo é uma condição geneticamente hereditária, ligada ao cromossomo sexual X, por isso raramente, o transtorno afeta as meninas, já que biologicamente possuem dois cromossomos X.”

Mas ainda assim elas podem receber o gene “defeituoso”, porém quando elas recebem de um dos pais o cromossomo com a mutação genética, o outro, que é normal, compensa a alteração. Assim, elas são apenas portadoras da mutação e podem sim transmitir aos filhos.  “Há alguns tipos raros de deficiência da visão de cores adquiridas, geralmente relacionadas com alguma outra causa (idade, acidentes, drogas ou medicações), mas bem raro em crianças”, afirma Dr. Hallim.

Como descobrir em crianças

Segundo o oftalmologista, um em cada 12 meninos tem deficiência de cores, e essa chance é maior se o avô materno for daltônico. Meninas são acometidas muito mais raramente (1 em 200), e devido as causas genéticas,  necessariamente precisam ter um pai daltônico.  Mas vale ressaltar que a maioria dos pais de crianças daltônicas não sabe que eles têm uma criança daltônica e, na maioria dos casos, a criança também não perceberá. “Os pais podem perceber, depois de certa idade, em algumas simples atitudes, como insistir em pintar o céu de roxo ao invés de azul ou ter problemas em reconhecer os coletes de cores diferentes, ou até mesmo o lápis, nas aulas na escola”, explica Dr. Hallim. 

O que pode causar?

Dr. Hallim reforça que é apenas um distúrbio e não gera riscos à saúde, além da confusão das cores. O médico explica ainda que ainda não existe cura, masque já criaram um tipo de óculos, específico que pode melhorar o contraste e a diferenciação entre as cores. “Mas é importante lembrar que se a retina da pessoa não tem o receptor para o vermelho, por exemplo, ela nunca vai enxergar essa cor”, esclarece o oftalmologista. Ele completa: “Existem também estudos com terapia gênica em macacos para essa doença com bons resultados, mas ainda não disponível para humanos.”

Para saber ao certo se o problema da criança é mesmo a deficiência daltonista, existe uma série de testes de visão de cores que detecta o problema e qual tipo ele é. Mas, de acordo com o Dr. Hallim, os pais conseguem fazer uma pré-avaliação em casa. “Hoje em dia podemos achar na internet diversos testes para fazer em casa e que mostram as alterações mais grosseiras, é o “teste de Ishihara” que está disponível também em aplicativos para celular”, recomenda o especialista.

Assista agora o POD&tudo com Marcos Piangers e Ana Cardoso! Em um bate papo muito divertido, eles falam da estreia do filme “Papai é Pop”, inspirado no best-seller de Piangers, interpretado por Lázaro Ramos e Paolla Oliveira, que estreia no próximo dia 11 de agosto: