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“Mãe, é melhor amputar”, disse médico à jornalista Adriana Araújo

Giovanna nasceu com uma mal formação congênita rara. O ortopedista que atendeu a menina aconselhou sua mãe a amputar-lhe a perna, mas Adriana se recusou #saiunapaisefilhos

Redação Pais&Filhos

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Adriana Araújo e filha 1

Adriana e Giovanna depois de uma cirurgia, em 2005

A jornalista e apresentadora da TV Record, Adriana Araújo, descobriu que sua filha tinha uma síndrome rara de mal formação congênita desde os cinco meses de gravidez. A hemimelia fibular é uma alteração no osso da perna mais fino, a fíbula, e em casos mais graves pode levar à amputação. Muitas vezes, as pessoas portadoras dessa síndrome, que só atinge os membros inferiores, perdem os dedos dos pés, mas existem inúmeras variações em como a hemimelia fibular pode se manifestar.

Na maioria das vezes, o tratamento é cirúrgico, tentando, de alguma forma, recuperar o osso e alongar a perna afetada da criança. Mas há um limite, já que alguns casos a diferença entre as duas pernas pode atingir até 12 cm. A doença, causada principalmente por fatores genéticos, problemas de irrigação do feto em relação ao osso ou algum tipo de amputação uterina, foi diagnosticada na filha de Adriana, Giovanna, por meio de um ultrassom.

Adriana Araújo e filha 3

A menina nasceu e passou por três cirurgias até completar um ano e meio de vida. Quando estava em uma consulta médica, ouviu do especialista que seria melhor amputar o pé e um pedaço da perna direita de sua filha. “Só me lembro dessas palavras e da sensação de desmaio que percorreu o meu corpo dos pés a cabeça. Respirei fundo pra não cair”, conta a apresentadora. Adriana se recusou a tomar essa vida e optou por outro tipo de tratamento. Hoje, Giovanna tem 18 anos, já passou por dez cirurgias, anda com as próprias pernas e quer fazer medicina, contrariando o prognóstico.

Adriana hoje comora sua decisão vendo sua filha saudável e andando com as próprias pernas

Adriana hoje comora sua decisão vendo sua filha saudável e andando com as próprias pernas

Ao comemorar os 18 anos da filha, Adriana Araújo escreveu um desabafo: “carta ao médico que nunca enxergou minha filha de verdade”. O depoimento, que fecha esse ciclo vitorioso de mãe e filha, é emocionante e nos lembra como a intuição e a força de uma mãe pode ser maior do que qualquer diagnóstico médico. Confira alguns trechos:

“Escrevo para exorcizar um medo que nos últimos 18 anos me acompanhou.Escrevo para um médico que não sei o nome, não sei por onde anda mas que fez parte do dia mais longo da minha vida.

Minha filha, Giovanna, tinha 1 ano e meio. Já havia enfrentado três cirurgias e andava com ajuda de um aparelho ortopédico – uma engrenagem de plástico e metal que começava no pé e só terminava na virilha e deixava aquele pedacinho de gente com um ar de robocop, com passos meio desengonçados.

Mas ela seguia atrás de uma bola e sorria, como qualquer criança. E isso era uma conquista enorme pra quem nasceu com uma das pernas muito deformada devido a um problema congênito, a Hemimelia Fibular, a ausência de um osso que compromete o desenvolvimento e crescimento do membro mais afetado, no caso dela, a perna direita.

Essa era a perna complicada. Não tinha a fíbula, era encurtada, arqueada para frente. O pé direito tem apenas 3 dedos. Ao nascer, o calcanhar era suspenso, colado na perna, sem qualquer apoio no chão.

Era difícil enxergar um pé ali.

Ela já tinha melhorado um pouco após as primeiras cirurgias, quando busquei ajuda num hospital referência de Belo Horizonte.

Giovanna caminhava cambaleando, mas caminhava.

Foi assim que o médico a quem escrevo examinou a minha filha no começo de 1999, quando finalmente consegui uma vaga.

O ortopedista jovem, cujo nome apaguei da minha memória, olhou aquela criança caminhando na frente dele por alguns minutos e disse: – Melhor amputar.

Só me lembro dessas palavras e da sensação de desmaio que percorreu o meu corpo dos pés a cabeça. Respirei fundo pra não cair.

Precisava ouvir de novo, pra ter certeza que não se tratava de um engano.

– Mãe – dizia ele – quantas cirurgias ela já fez em 1 ano e meio?

– 3, respondi.

– Quantas cirurgias mais você imagina que ela irá fazer, mãe?

Fiquei em silêncio.

– Vai ser assim, ele prosseguiu, passa 1 ano, uma c