Saúde

Estudo da OMS prova que amamentação exclusiva diminui risco de obesidade infantil no futuro

O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses traz muitos benefícios ao bebê

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Getty Images)

 

O crescimento dos casos de obesidade infantil está no mundo inteiro, inclusive na América Latina e no Brasil. Essa doença é sempre um fator de risco, mas a diferença da obesidade entre adultos e a infantil é que com as crianças, você pode agir mais ativamente na prevenção. Hoje, não existem opções medicamentosas nem cirúrgicas voltadas as crianças, mas um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no Congresso Europeu de Obesidade, mostra que a amamentação é uma ferramenta poderosa nesse sentido: alimentar bebês com leite materno pode prevenir o excesso de peso em longo prazo.

Publicado no jornal especializado Obesity Facts, o estudo compara a associação entre a prática e a duração da amamentação com o peso da criança ao nascer e o índice de massa corporal dos participantes quando eles estavam com idades entre 6 e 9 anos. Foram usados dados de 100.583 meninos e meninas de 22 países europeus.

O resultado mostrou que, comparadas àquelas alimentadas exclusivamente com leite materno por seis meses, a probabilidade de ter obesidade foi maior entre crianças não amamentadas ou que receberam leite humano por períodos mais curtos. Quanto maior o peso ao nascer, maior o risco de sobrepeso na infância, algo reportado em 11 dos países avaliados.

 

Funcionamento hormonal

A amamentação induz diferentes respostas hormonais ao corpo da criança principalmente quando comparada às fórmulas, essas últimas causando uma resposta maior da insulina, o que leva ao um armazenamento maior de gordura e ao aumento de adiposidade. Além disso, o leite humano é rico em Bifidobacteria, um grupo de bactérias intestinais menos presentes no organismo de crianças com obesidade.

“Crianças que foram amamentadas parecem ter preferências alimentares mais favoráveis, comendo mais frutas e vegetais que aquelas alimentadas com fórmulas”, diz o artigo, citando um estudo australiano de 2014.

No Brasil, a obesidade infantil também tem aumentado. Segundo a OMS, 33% das crianças de 5 a 9 anos estão com sobrepeso. Dessas, 15% já têm obesidade. As estimativas da organização são de que, em 2025, 11,3 milhões de brasileiros nessa faixa etária tenham índice de massa corporal (a divisão de peso pela altura ao quadrado) acima do considerado saudável.

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