Publicado em 28/02/2023, às 08h41 por Beto Bigatti
Minha amiga Renata, antes de perder a paciência com os filhos, os relembra sempre da sua infância: o pai tinha um cinto pendurado atrás da porta. Era uma ameaça permanente. Estava ao alcance das mãos para os casos de desobediência. Dito isso, deixa claro a sorte que seus filhos têm em aprontarem e ninguém sair machucado. Nem se tornarem adultos feridos.
Nossos pais tinham convicções. Raramente hesitavam. Suas certezas inabaláveis faziam parecer que sabiam exatamente o que estavam fazendo. Deixavam claro que estavam certos e nós, geralmente, errados. Criança não tinha vez na mesa dos adultos. Muito menos, voz. Reconhece esse tipo de paternidade? Bastava um olhar. No pior dos sentidos, porque o olhar intimidava. Diálogo era raro, prevaleciam os monólogos. Breves. Monocráticos.
Por outro lado, hoje, outro tempos, escuto tanto falar na ditadura das crianças, na falta de limites, na terceirizarão da criação dos filhos. Que tudo pode. Que está cada vez mais difícil educar. Tem dias que acordo pensando o que foi feito do meio-termo. Que fim levou o bom senso. Por onde andará o prazer em educar uma pessoinha e transformá-la num ser humano melhor do que nós.
Será que isso tudo se perdeu enquanto nos distraíamos em alguma rede social? Não. É que educar com presença, afeto e limites dá mais trabalho. Colocar o cinto na gaveta, seu lugar natural, exige dedicação. Dialogar, acolher, escutar as demandas de filho. Cansa. Não estar sempre certo, ameaça.
Impor limites não é tarefa amena. É desafiador, dizem. Mas gente, e quem falou que ter filhos era sopa no mel? Quem soprou no teu ouvido que o instinto daria conta de tudo? Que pessoa insana teve o disparate de te contar apenas o lado florido da parentalidade?
Nessas horas oramos pelos Santos do Manuais de parentalidade. Cá entre nós, esse pulo do gato não está em manual algum. Receita pronta não há, você bem sabe. Porém, acredito que certos ingredientes não podem faltar. E se não garantem sucesso absoluto, impedem, com certeza, alguns desastres.
Defendo desde sempre um tripé para a criação de filhos: afeto, presença e limites. Pare e pense sobre cada um deles. Um não deveria sobreviver sem o outro. Afeto e presença nunca são demais. E os limites são necessários. Não acredite no contrário.
Se não há receita pronta, existe um caminho mais sereno. É o que respeita. O caminho certo é aquele que flui. O que acolhe. É aquele que faz bolo de cenoura com cobertura de chocolate. O que te embala no balanço da pracinha. O que assopra o machucado, e nunca o produz.
É o caminho do erro também. Porque todos erramos. É aquele que pavimenta. O que constrói alicerces baseados no afeto e na entrega. E de novo: na presença e nos limites. É o caminho real e possível. Em que a gente dá a cara a tapa. Em que admite seu próprio erro para o filho. É a via em que ambos crescem. Pai e filho. Unidos pela necessidade e pela vontade de fazer o bem.
Não, não é romantizar. É acreditar numa via intermediária. Em que as partes se escutam. Em que pais sabem que são os adultos da relação. E que a criança é levada a entender que é criança da família. Ao menos até ela crescer e a gente precisar se reinventar. Mas isso fica para o mês que vem.
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