Por que na minha escola não tem negros?

Podemos mudar isso e tem que começar por você, hoje e agora!

Essa é uma questão que está mais do que na hora de mudar (Foto: Getty Images)

Era uma terça-feira e meu telefone tocou – em tempo de WhatsApp, o telefone tocar é o banco ou aconteceu alguma coisa muito séria! Infelizmente a gente já pensa em coisas ruins. Atendi e minha amiga, que mora no interior de São Paulo, já com voz eufórica me disse logo de cara: “Me ajuda! Minha filha me perguntou por que ela não tem amigas negras e por que na escola dela não tem negros. Preciso ajudar a mudar isso. Tenho até com vergonha de te dizer isso!”.

Diante todas as manifestações e protestos, a pauta do racismo nunca esteve em tantos lugares. É só ligar a TV, que o assunto é esse. Ler uma matéria, e é sobre isso. Ficou assustadoramente frequente o tema racismo e preconceito, e acabou ficando ainda mais próximo de quem nunca pensou sobre. E isso é muito bom. Essa minha amiga é mãe solo de uma menina de 15 anos. Adolescente da nova geração, sabe como é, veio de cara questionar a mãe como um pedido de socorro mesmo. E agora?

Imagina só para uma menina de 15 anos a frustração de ter que perguntar a razão de nunca ter tido uma amiga negra! A mãe até entrou no “modo culpa” por ter condições de colocar a filha em escola paga, questionou se não deveria em algum momento ter colocado a menina para estudar em escola pública para ter acesso à negras e negros, até para saber mais sobre a cultura negra, que superficialmente se passa em escola particular.

 

Conversamos por mais de 1 hora e minha fala foi: tudo bem que aconteceu assim, se sentir culpada neste momento não vai ajudar, mas o fato dela estar ali se preocupando, questionando, e pedindo ajuda já era uma grande mudança. Para pessoas que estão igual à minha amiga, tem muitos caminhos a seguir. Ela, como adolescente, pode se inteirar sobre o assunto com livros e Instagram sobre mulheres negras, por exemplo. Isso vai dar à ela uma visão que ela não tem, e para a mãe dela também. Elas podem juntas comprar livros, ler, compartilhar, debater e conversar. Será uma troca muito rica.

Existem documentários, filmes, e muita coisa na internet que pode ajudá-la a entender a cultura, e ter mais propriedade até para conversar na escola com os amigos a importância de ter a comunidade negra na vida delas. Indiquei à ela também conversar com a direção, coordenação ou conselho da  escola e entender quais as ações que juntos podem tomar para incluir estudantes e famílias negras na instituição, mas sem brigar ou exigir. Essa vontade tem que ser do coletivo, até mesmo para que essas famílias sejam bem-vindas e que possam ser incluídas culturalmente através de livros, filmes, conhecimentos e se sentirem em casa. Existem muitos caminhos possíveis a seguir.

No livro de Michelle Obama, ela diz que um negro chegar em uma escola e não ter nada que faça parte da cultura dele é um preconceito. E existem muitas escolas assim! Questionar o por que e fazer juntos a mudança – envolvendo a comunidade, tendo a participação de todos, fará toda a diferença para que o preconceito e o racismo diminua no mundo.

Vai demorar? Vai. Mas começa assim, querendo e buscando mudar. Começa com a vontade de ser inserido, fazer parte, ter todo mundo junto e misturado nas escolas, nas festas, e em casa tomando um lanche ou recebendo o diploma na faculdade. Todo mundo junto! Mas sem preconceito e racismo. A mudança, sem dúvidas, começa por nós, pais e adultos, e que bom que tem muita gente já mudando! Sobre a história da minha amiga, mãe e filha compram esses livros abaixo. Fica a dica!

Por Magda FIgueiredo, mãe do Matias, blogueira parceira da Pais&Filhos, educadora parental e graduanda de pedagogia. É fundadora e produtora de conteúdo no @maeatual_

Magda Figueiredo com o filho, Matias