“Fernanda Young era a melhor mãe que eu conheci em toda a minha vida”, afirma Mônica Figueiredo

“Filhos? Melhor, não tê-los”. Quem não se lembra deste delicioso e divertidíssimo poema de Vinicius de Moraes? O nome dele já é ótimo, e define bem a brincadeira provocativa de Vinicius, (pai de cinco!): “Poema Enjoadinho.”

(Foto: Gustavo Morita)

“Filhos? Melhor, não tê-los”. Quem não se lembra deste delicioso e divertidíssimo poema de Vinicius de Moraes? O nome dele já é ótimo, e define bem a brincadeira provocativa de Vinicius, (pai de cinco!): “Poema Enjoadinho.”

A resposta virou bordão: “Mas se não tê-los, como sabê-los?”. E essa é a questão: como? Filho não é teoria, não é abstração. Filho é filho. É definitivo. Não existe “ex-filho”! E aí não precisa falar mais nada. Precisa é cuidar… E gostar disso. O poema termina assim: “Chupam gilete / bebem xampu / ateiam fogo / no quarteirão / Porém, que coisa / que coisa louca / que coisa linda / que os filhos são”.

Com estes versos na cabeça como introdução, peço licença a você para usar este espaço que eu tanto amo, esse lugar da nossa preciosa conversa para mandar um beijo enorme para toda a família da Fernanda Young. Mais que beijo: meu amor, carinho, respeito e enorme admiração. Leila, a mãe dela. Renata, sua única irmã. Alexandre, seu marido e Teté, Biju, Catita e John, seus maravilhosos filhos. Fernanda criou uma família incrível. Forte, ética, unida. Todo mundo com a cabeça no lugar, sabendo ver a vida com olhar coerente, claro. Você que me acompanha aqui na Pais&Filhos e nos nossos Seminários, sabe: a vida inteeeeeeira sempre disse que a Fernanda era a melhor mãe que eu conheci em toda a minha vida. Falava para ela, na frente, nas costas, o tempo todo. Justamente por reconhecer nela uma espécie de marca: Fernanda como mãe sabia ser firme, disciplinadora, sem perder a delicadeza. Mostrava o caminho, respeitando as diferenças e características de cada um. Era coerente e exigia coerência o tempo todo. Sem papinho furado. Tudo muito bem organizado. Coisas, espaços, sentimentos, tudo no lugar! E sem nunca deixar de ser ela, sem se “sacrificar”, sem deixar de viver a vida dela, linda, linda demais, poderosa demais.

Fernanda me ensinou muito a ser mãe, a procurar ser uma mãe melhor, nessa nossa eterna busca de aprendizado. Aprendi muito com suas palavras, toques, conversas, brigas (muitas vezes) mas, acima de tudo, seu exemplo. Queria falar horas sobre ela. Essa taurina fiel, às vezes superdifícil, exigente sempre. Exatamente por isso, a mais generosa.
Ainda estou burra demais para isso. Vai chegar o dia. Por enquanto, fica esse beijo. Essa fala minha ainda tão capenga. Sei o pai que Alexandre é e como ele vai manter unida aquela família que já é uma rocha. Confio e admiro cada dia mais. Continuam me ensinando. Mesmo de longe. É isso. Fernanda é imortal. Carlos Drummond de Andrade tem um poema maravilhoso, chamado “Resíduo”, onde ele fala, “de tudo fica um pouco”. Procura aí. Leia. Poesia nos salva, sempre. E não foi à toa que a missa de Fernanda foi aberta com um poema de Fernando Pessoa, que ela adorava. Escrevi com minha letra (que ela amava) o verso “minha pátria é minha língua” e ela tatuou no braço. Mas o poema da missa, liiindo, se chama “Poema do Menino Jesus” e termina assim: “Quando eu morrer, filhinho, / Seja eu a criança, o mais pequeno / Pega-me tu ao colo / E leva-me para dentro da tua casa / Despe o meu ser cansado e humano / E deitame na tua cama / E conta-me histórias, caso eu acorde / Para eu tornar a adormecer / E dá-me sonhos teus para eu brincar / Até que nasça qualquer dia / Que tu sabes qual é”.

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