A importância do brincar: muito mais que lazer, fundamental para o desenvolvimento do seu filho

É por meio dessas atividades que as crianças aprendem mais sobre si e o mundo ao redor. Por isso, estimular esse momento dentro e fora de casa precisa ser prioridade

Resumo da Notícia

  • As brincadeiras são essenciais para o desenvolvimento do seu filho
  • Com essas atividades, sozinhas ou coletivas, ele aprende mais sobre si e sobre o mundo
  • Por isso, é fundamental que as crianças brinquem (e muito!)

A infância é uma fase muito importante no desenvolvimento do indivíduo. É ali que temos o primeiro contato com o mundo, descobrimos os outros e, principalmente, nós mesmos. E é impossível falar desse estágio da vida sem lembrar das brincadeiras. Provavelmente, uma das suas primeiras memórias tem alguma relação com o brincar. E isso não acontece à toa, a brincadeira vai muito além de um momento de lazer, é uma oportunidade de aprendizado e troca constante e fundamental. Por isso, a Pais&Filhos defende que brincar é um direito de todas as crianças.

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É brincando que a criança aprende mais sobre si e sobre o mundo
É brincando que a criança aprende mais sobre si e sobre o mundo (Foto: Shutterstock)

Bianca Solléro, psicóloga, arte-educadora e arteterapeuta, autora do livro “Pare de perguntar o que seu filho vai ser”, mãe de Elisa e Filipe, explica: “Os principais estudiosos do desenvolvimento infantil como Montessori, Piaget, Vygotsky e Winnicott atestaram que as crianças aprendem diversos conceitos sobre o mundo através do brincar. No brincar elas experimentam emoções, exploram o corpo, reconhecem seus limites e orgulham-se de suas conquistas. Aprendem a ganhar e a perder, e a lidar com seus medos”. Para a especialista, brincar é uma metodologia de aprendizagem eficiente e, por isso, merece ser explorada.

O mais interessante de tudo é que você pode moldar a atividade de acordo com o objetivo e necessidade da criança, sendo possível brincar com um mesmo brinquedo por muito tempo para que ela consiga explorá-lo em todas as possibilidades e desenvolver a concentração, ou até mesmo variar a brincadeira e brinquedos ampliando o repertório imaginativo e relacional dela.

Buscando o protagonismo

“‘Brincar é o trabalho da criança’, é uma frase de Montessori. Uma criança que não brinca não se realiza enquanto sujeito e tem seu desenvolvimento cognitivo altamente comprometido”, completa. E os incentivos devem começar desde os primeiros dias de vida. Bianca conta que um adulto estimula os 5 sentidos (toque, audição, fala, visão e até olfato) do bebê ao brincar com ele. “Isso mobiliza uma série de sinapses – que são ligações neuronais – a partir das quais a inteligência da criança é construída e a plasticidade cerebral estimulada”. Dessa forma, a psicóloga defende: “Brincar não descansa a mente, pelo contrário, a ativa. Porém, faz com que a criança se conecte consigo mesma. Brincar é olhar para dentro”.

Tatiane de Sá Manduca, psicóloga clínica e autora do livro Valida-te, mãe de Mateus, concorda e acrescenta: “A brincadeira é uma parcela importante da nossa vida, e isso não se fixa ao universo infantil. O brincar é um fio que passa por toda a constituição do indivíduo, em que para poder se desenvolver o sujeito necessita do brincar”. Ela justifica que assim como a personalidade do adulto se desenvolve através das próprias experiências de vida, o mesmo ocorre com as crianças e o brincar é bastante presente nesse período. “O bebê através da brincadeira poderá apropriar-se de si, interagir, experimentar, criar, reproduzir modelos, explorar e descobrir-se gradualmente.

Através da interação, a criança cria representações do mundo que vivencia, formando uma base referencial para que novas experiências sejam interpretadas e representadas”, diz. Neste espaço, ela pode ser quem quiser, elaborar hipóteses para resolver problemas, criar possibilidades, vivenciar a própria realidade (interna e externa), desfrutar do ócio, fantasiar… Portanto, é preciso tratar a brincadeira como algo além da diversão. “É brincando que podemos utilizar a potência da criação e experimentação”, pontua. Nesse sentido, Tatiane reforça a importância de um correspondente lúdico (mãe, pai ou cuidador) para uma experiência singular e rica para o estabelecimento de vínculo e desenvolvimento emocional. Henri Zylberstajn, empresário, colunista da Pais&Filhos, pai de Nina, Lipe e Pedro, percebeu isso na prática.

Lembranças para a vida

Ele, que faz questão de dedicar um tempo de qualidade para brincar com as crianças tanto individual quanto coletivamente, afirma: “Além de companheirismo e cumplicidade, aprofundamento de laços e vínculos, tem uma questão de mediação e consenso que essa brincadeira coletiva apresenta e acaba desenvolvendo muito”. O empresário entende que a brincadeira desperta gatilhos fundamentais, como a motivação, uma vez que a criança está praticando algo com intenção e vontade, e o aprendizado criativo, com desenvolvimento de autonomia e senso coletivo.

Para Henri, também é a oportunidade de fixar aprendizados e resgata uma memória com a filha para explicar: “Quando ela era menor, enquanto brincava de boneca, falava em voz alta aquilo que eu e a Marina falávamos para ela. Era uma forma de ela estar se divertindo e fixando bons costumes que estávamos sempre tentando passar”. O nosso colunista destaca o impacto do brincar no desenvolvimento do caçula, com síndrome de Down, como forma de estimulação e quebra na rotina. “O Pedro já tem uma agenda bem ocupada (ele faz fisioterapia, terapia ocupacional, fono, natação), o brincar se torna ainda mais essencial como um equilíbrio para ele poder fazer o que quiser”, comenta. Dedicando um tempo para brincar com os filhos – sem distrações – e deixando brinquedos ao alcance deles para que possam brincar de forma autônoma, Henri tem incentivado essas atividades dentro de casa.

Vivendo tudo o que tem para viver

Vanessa Abdo, doutora em psicologia e CEO do Mamis na Madrugada, mãe de Laura e Rafael, destaca a importância dessa abordagem, contextualizando: “Nós temos dois tipos de brincar: brincar dirigido, em que um adulto fala para a criança: ‘Vamos brincar de pintar?’, ‘vamos brincar de montar?’, então o adulto dirige o brincar; e o brincar livre, em que podemos deixar objetos e brinquedos ao alcance da criança de forma segura, e ela tendo esse estímulo ao entorno, pode escolher qual brinquedo e brincadeira quer fazer”.

Estimular a brincadeira individual e coletiva é fundamental
Estimular a brincadeira individual e coletiva é fundamental (Foto: Shutterstock)

Ela garante que os dois tipos têm uma importância, um objetivo e uma estratégia e por isso são muito necessários. Então, dosar esses momentos é fundamental. E cuidado para não cair na tentação de oferecer algo para o seu filho caso não seja estimulado, o brincar não dirigido é precioso. Seja praticando a coordenação motora, equilíbrio, concentração, noção de espaço, pensamento estratégico ou habilidade de negociação, na brincadeira tanto os adultos quanto as crianças têm a oportunidade de desenvolver os potenciais e desafios pessoais. “Nós conseguimos aprender e fazer uma elaboração dos nossos conflitos: ‘Nossa, eu fui bom hoje’ ou ‘hoje não fui tão bom’. E está tudo bem não ser tão bom. Poder experimentar todas essas consequências da brincadeira e ver como nós nos sentimos em cada uma delas, é um processo de autoconhecimento incrível”.

Dentre as atividades para um momento em família, Vanessa sugere uso de bola, uma vez que oferece infinitas possibilidades e ainda colabora para a união de todos. “A gente poder perceber que o mundo no olhar da criança é um grande parque de diversões, então precisamos tornar os ambientes seguros para esse brincar, esse olhar atento de que tudo pode ser muito estimulante”, pontua. Por isso, vale uma atenção também. É preciso que a criança tenha um momento de pausa para elaborar o aprendizado. A especialista alerta que a hiperestimulação pode ser prejudicial e, então, é necessário essa dosagem por parte dos pais. O mesmo vale para o uso dos eletrônicos. Equilíbrio é a palavra-chave. As telas, principalmente durante a pandemia, vieram para ajudar, mas também é preciso ressignificar o período para uso delas.

Foco no simples

Geovanna Tominaga, jornalista, apresentadora, colunista da Pais&Filhos e celebrante de casamentos, mãe de Gabriel, teve esse cuidado ao perceber um apego do filho em relação à tecnologia. “Já passamos 4 meses sem eletrônicos por aqui. Foi um detox essencial para o Gabriel. Valeu muito a pena. O nosso filho está mais calmo, dorme melhor, está mais criativo e brinca mais com as pessoas”. Ela está agora programando a reinserção aos poucos, mas faz questão de manter esse momento em família: “Ir pro chão brincar com o meu filho é a coisa mais divertida do meu dia”.

Os benefícios da brincadeira vão muito além de um momento de lazer em família
Os benefícios da brincadeira vão muito além de um momento de lazer em família (Foto: Shutterstock)

A jornalista encara a brincadeira como a primeira “escola” da criança devido à importância e efeito. E segundo ela, para desfrutar desse período de brincadeiras não precisamos de nada muito extravagante. “Se pararmos para prestar atenção, todas as atividades do cotidiano são momentos que podemos fazer brincando. A hora do banho, de escovar os dentes, de comer, de colocar o sapato, de ir pra escola. A verdade é que nós, adultos, estamos sempre correndo e nem damos a oportunidade de nos divertirmos com nossos filhos. Eu tento tirar proveito de todos esses pequenos momentos”. Brincar é coisa séria, mas não se confunda, isso não quer dizer que brincar não deve ser algo divertido. Muito pelo contrário. É justamente esse o poder dessas atividades. Permitir que as crianças (e por que não dizer os adultos?) aprendam enquanto passam um momento – sozinhos ou juntos – de qualidade.

Casa da mãe Joana, que nada!

Com tantas opções, o risco da casa virar uma zona é grande. Confira 7 dicas fáceis para manter os brinquedos do seu filho organizados

  • 1. Desapegar faz bem: antes de tudo, vale fazer uma faxina para ver quais brinquedos não são mais usados para serem descartados, arrumados ou doados.
  • 2. Planejamento é a chave: em pouco tempo, seu filho poderá organizar as coisas com a sua supervisão e, depois, sozinho. Planeje algo que a criança possa ter certa autonomia mais para frente.
  • 3. Espaços vazios são necessários: resista ao impulso de encher todos os cantos com os brinquedos que seu filho usa. A dica é tentar preencher apenas um terço do quarto.
  • 4. Cada coisa no seu lugar: se você tem filhos de idades diferentes usando o mesmo espaço para brincar e guardar os brinquedos, cuidado para organizar os itens de forma segura.
  • 5. Crie categorias: agrupe os itens que são semelhantes em categorias. Compre caixas e cestos para organizar e guardar tudo.
  • 6. Lógica ajuda: os objetos e brinquedos que fazem sentido e são usados juntos devem continuar juntos, como livros de desenhos, canetinhas e lápis de colorir.
  • 7. Pense no conforto: é preciso considerar o bem-estar de toda a família. Na hora de planejar o cômodo oficial das brincadeiras, lembre-se de incluir sofás, pufes, tapetes macios…

Através dos brinquedos e brincadeiras, o seu filho…

  • Desenvolve-se socialmente
  • Aprende sobre controle emocional
  • Expande o conhecimento cognitivo
  • Tem noção do corpo e do espaço
  • Aprimora o raciocínio lógico
  • Estimula a criatividade e imaginação
  • Fixa aprendizados do dia a dia
  • Desenvolve os 5 sentidos (tato, audição, olfato, visão e paladar)
  • Se conecta consigo mesmo (autoconhecimento)
  • Se desliga de situações que podem estar tomando uma energia desnecessária
  • Melhora a saúde mental
  • Fortalece os vínculos com familiares e amigos
  • Aprende a se bastar e ter autonomia
  • Expressa os sentimentos positivos e negativos
  • Pratica a concentração e autocontrole
  • Desenvolve senso coletivo
  • Exercita o corpo e a mente
  • Trabalha a autoestima e frustração
  • Elabora os próprios conflitos