Coronavírus é detectado no coração de criança pela 1° vez por pesquisadores da USP

A equipe se reuniu para entender melhor as mortes pela covid-19 nas crianças. O estudo chamou atenção da comunidade científica internacional e eles estão tentando descobrir os mecanismos por trás de outros óbitos infantis

Resumo da Notícia

  • Pesquisadores da USP são os primeiros a provar presença do coronavírus no coração de criança
  • A equipe está estudando as mortes de crianças causadas pela covid-19
  • A pesquisa tem chamado atenção da comunidade internacional
  • Eles estão procurando respostas em outros óbitos

Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) se reuniram para entender melhor as mortes pela covid-19 entre crianças. Para isso, eles passaram a usar um método particular de autópsia. A pesquisa já está rendendo frutos e a equipe acabou de dar um passo muito grande nos estudos, sendo os primeiros no mundo a confirmar a presença do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no coração de uma criança que morreu de uma manifestação atípica de covid-19, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).

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Coronávirus é detectado no coração de criança pela 1° vez por pesquisadores da USP (Foto: Getty Images)

A descoberta foi publicada em agosto na revista científica Lancet Child and Adolescent Health e recentemente chamou atenção da comunidade internacional. De acordo com informações do G1, a equipe, agora, pretende analisar e explicar os mecanismos por trás dos óbitos de outras quatro crianças que faleceram devido à covid-19.

“O estudo que a gente quer fazer seria mostrar o espectro de possíveis apresentações da Covid grave em crianças que chegaram a morrer e em que pudemos fazer autópsia”, disse Dolhnikoff que, ao lado do patologista Paulo Saldiva, coordena os estudos em autópsia de óbitos da covid na USP, em entrevista à BBC Brasil.

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A pesquisa tem chamado atenção da comunidade internacional (Foto: Getty Images)

A Universidade de São Paulo tem tradição no uso da autópsia como instrumento de pesquisa e a equipe trabalha em ritmo acelerado. No caso desse estudo, eles estão usando um método que hoje é único no mundo: a autópsia minimamente invasiva guiada por ultrassom. Os pesquisadores apontaram que escolherem essa método porque ele oferece uma maior segurança, tanto para os pacientes quanto para os médicos. Segurança essa que é crucial para evitar novas contaminações com a covid-19.

As descobertas que estão sendo feitas é crucial para entender o desenvolvimento da doença nas crianças e, como apontado por eles, extremamente necessária para que eles consigam salvar vidas.

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