Demissão no trabalho: como explicar para o seu filho da melhor forma, sem medo e com positividade

Com o coronavírus, o desemprego tende a aumentar, não apenas no Brasil. A psicóloga Vanessa Abdo explica como abordar o assunto com as crianças sem causar emoções negativas ou assustar o seu filho

Resumo da Notícia

  • Com a crise do coronavírus, é previsto um aumento do desemprego no Brasil e no mundo
  • A psicóloga Vanessa Abdo deu algumas dicas para você abordar o assunto dentro de casa
  • Acima de tudo, é fundamental ser transparente e dar espaço para a criança expressar seus sentimentos
É importante falar sobre o assunto! Quanto mais transparente, melhor (Foto: Getty Images)

A pandemia do coronavírus não teve impacto apenas na área da saúde. Com a crise mundial, é esperado que o número de desempregados no Brasil também aumente. Isso é praticamente um fato, a dúvida é quão grande será esse crescimento. De acordo com o último boletim do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro, o Brasil tinha 11,9 milhões de desempregados, representando 11,8%. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), prevê que o desemprego chegue a 17,8% neste ano. 

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Por isso, o assunto pode surgir dentro de casa e é importante estar preparado. Mas antes de qualquer coisa, lembre-se que essa é uma preocupação que a criança não tem que ter, então a notícia deve ser dada da forma mais tranquila possível e adequada à idade da criança. Conversamos com Vanessa Abdo, doutora em psicologia e CEO do Mamis na Madrugada, mãe de Laura e Rafael, para dar dicas sobre como explicar para seu filho sobre a demissão e a melhor forma de abordar a situação em família. “A primeira coisa que você precisa fazer antes de dar qualquer notícia complicada para a criança é ter elaborado o seu luto”, alerta. A especialista enfatiza a importância de não falar no calor do momento e sugere respirar fundo, tomar um banho ou até dormir uma noite para iniciar a conversa

Essa dica garante que você esteja mais tranquilo na hora de soltar a informação, não fazendo de forma agressiva ou violenta e expondo de forma clara a realidade, mas como positividade. Nesse diálogo, vale: “usar palavras simples. Por exemplo, substituir ‘demissão’ por ‘sair do emprego’, contar que aconteceu algo ruim, mas vai ficar tudo bem”. Reforce que vocês precisam estar unidos e talvez rever alguns hábitos, mas que a criança não precisa se preocupar, porque vocês já estão cuidando disso. 

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Parceria faz a diferença 

Então, antes de chamar a criança, alinhe o discurso com o seu parceiro, ok? Também vale dar essa notícia juntos, para reforçar a ideia de união. “Essa é uma situação que ela não pode resolver, então é importante não sobrecarregá-la”, explica. Terminar com essa mensagem otimista significa dar espaço para seu filho falar sobre os medos e para que você possa acolher. “Nós precisamos falar sobre medo, a criança precisa elaborar essa questão”, defende. Nesse sentido, é bom que você também mostre que está com medo, mas “sem estar muito emocionado”. 

Se a emoção surgir ao longo da conversa, não tem problema, mas contorne e termine sempre com uma mensagem positiva. A psicóloga diz que em assuntos polêmicos uma boa saída quando seu filho fizer uma pergunta complicada é retornar a questão e perguntar: “O que você acha disso?”. Dessa forma, você consegue saber o que ele está sentindo e evita dar informações muito maiores do que a criança é capaz de entender ou superficiais demais. No fim, também é interessante perguntar se o seu filho tem alguma dúvida ou quer falar. 

Depois desse momento, se a criança voltar no assunto, retome e volte a acolher os sentimentos. Caso ela não comente mais, a especialista sugere que eventualmente os pais deem algumas informações, como “Estamos procurando emprego”, “Você ficou com alguma dúvida?”, mas sem sobrecarregá-la. Faça isso apenas para manter o canal de conversa aberto e mostrar que você está seguro com o momento. “É uma situação bem ruim, não existe um manual pronto. O que dá mais aflição no processo de demissão é a instabilidade, isso é angustiante tanto para os adultos quanto crianças. Por isso, quanto mais transparência melhor”, finaliza.    

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