Escolas da rede pública de São Paulo apresentam a maior queda no ensino após a pandemia, diz pesquisa

De acordo com os resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), os alunos do 5º ano possuem o mesmo nível de conhecimento em matemática que os do 2º ano

Resumo da Notícia

  • Escolas da rede pública de São Paulo apresentaram queda no ensino após a pandemia da Covid-19
  • Os alunos do 5º ano possuem o mesmo nível de conhecimento em matemática que os do 2º ano
  • O resultado da avaliação foi divulgada nesta última quarta-feira, 2 de fevereiro

Escolas da rede pública de São Paulo apresentaram queda no ensino após a pandemia da Covid-19. De acordo com os resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), os alunos do 5º ano possuem o mesmo nível de conhecimento em matemática que os do 2º ano. O resultado da avaliação foi divulgada nesta última quarta-feira, 2 de fevereiro.

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De acordo com os resultados, essa é a maior queda da série. Em relação à matéria de língua portuguesa, o aluno que está no 5º ano possui o mesmo desenvolvimento escolar de um estudante do 3º ano do ensino fundamental. Em relação aos resultados de 2019, a queda foi de 8,5% – 216,8 para 198,2 – em língua portuguesa e 9,1% – 231,3 para 210,2 – em matemática. 

“Aquilo que já era ruim ficou pior. Estou usando uma frase que já foi muito publicizada para dizer que o ensino médio já estava no fundo do poço e a pandemia mostrou que podia piorar”, afirmou Rossieli Soares, secretário da Educação de São Paulo. “A primeira solução que eu defendo de recuperação é voltar para a sala de aula e ficar em sala de aula com os alunos. Não pode ser o carnaval a prioridade do nosso país, tem de ser escola presencial, que é o principal lugar”, continuou.

Escola fecha acusada de Black Face
Escola fecha acusada de Black Face (Foto: Getty Images)

“Difícil afirmar que não houve outros fatores, alguns são não ter escola presencial e preparação para a prova. Mas o principal é ter aula presencial, o que faz uma falta absurda. Só voltamos presencialmente em novembro”, disse. “Há outros fatores, como por exemplo, o Saresp pela primeira vez não foi considerado para pagamento de bônus e as escolas sabiam disso. A gente não sabe se isso influenciou. As tendências foram semelhantes em todos os estados, mas ainda vamos estudar as exceções”, acrescentou.

De acordo com Fernando Cássio, professor de políticas educacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) e integrante do grupo Rede Escola Pública e Universidade (Repu), a Secretaria de Educação poderia ter investido mais nas aulas à distância. “Acho curioso a secretaria responsabilizar a pandemia e o fechamento das escolas para justificar esses resultados. Eles dizem que as escolas não podiam ficar fechadas, mas precisa ser lembrado que a Secretaria não viabilizou ensino remoto para os estudantes”, disse ele.

“É evidente que a pandemia tem sua parcela, mas é uma forma fácil da secretaria se eximir da responsabilidade. Eles falam do fechamento das escolas como se isso fosse um fenômeno fora do controle da secretaria. Eles criaram todas as condições de segurança nas escolas? Eles ofereceram todas as possibilidades para os alunos manterem o vínculo com as escolas através das plataformas criadas? Parece que fizeram todo o possível e infelizmente por causa do fechamento das escolas e da pandemia temos esse resultado. É preciso assumir as responsabilidades. Inclusive se o objetivo é mitigar os efeitos da pandemia, é preciso antes de tudo reconhecer os próprios erros”, acrescentou.

No entanto, Rossieli afirmou que além dos alunos, todo sistema sofreu “um grande impacto” por conta da pandemia da Covid-19. “Os professores sentiram desnível muito grande dentro da mesma sala, dependendo da família e do apoio recebido. Se você percebe que a família teve um apoio maior, ele teve menos perda. Não há nada escrito em pedra, estamos sempre repensando”, disse.

“Foco no tempo de aula, e não só no contraturno, com 3 tempos de recuperação dentre as 5 aulas semanais de matemática. Vamos avançar com o currículo, mas vamos recuperar o básico feijão com arroz”, acrescentou. “É a possibilidade de reorganizar as turmas temporariamente as turmas para que eles possam fazer a recuperação de uma forma homogênea. Então por exemplo, se temos uma parte dos alunos que não aprendeu a diminuir e a outra a somar, podemos juntar de forma homogênea. É uma opção que a escola sempre vai ter e os professores têm sentido necessidade de fazer”, concluiu.