“Amor de Mãe”: por que a atitude de Álvaro com Verena no pós-parto é um absurdo para todas as mulheres

A novela da Globo mostra como a chegada de um filho afeta a vida sexual feminina

Verena conversa com o marido por não se sentir à vontade para transar após o nascimento do filho (Foto: Reprodução/TV Globo)

Nas últimas semanas, as cenas da novela “Amor de Mãe”, da Globo, têm mostrado como o pós-parto interfere na vida sexual feminina e a importância do resguardo para a saúde da mulher.

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No capítulo exibido na última segunda (6), a personagem Verena conversa com o marido por não se sentir à vontade para transar após o nascimento do filho. Pouco compreensivo, Álvaro assume uma postura insistente, acreditando que, por serem casados, a mulher deve atender aos seus desejos.

A nova rotina pode fazer com que a mulher queira deixar o sexo em último plano (Foto: Reprodução/TV Globo)

“A relação do casal se abala depois do nascimento, porque o homem não foi educado a criar empatia pelas mulheres”, explica Cláudio Serva, pai de Maria Luiza, especialista em sexualidade humana e fundador do Prazerele. Segundo ele, o reforço do discurso “o homem não chora” apenas dificulta que isso seja feito. “Vivemos em uma cultura totalmente patriarcal”, completa.

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Para ele, qualquer ato sem consentimento, incluindo transar no pós-parto apenas para agradar ao parceiro, é uma violência completa. “Libido é algo finito e que se move. E no pós-parto, está direcionada para o bebê. A necessidade animal do homem acaba destruindo relacionamentos”, explica.

Não é frescura

Após a retirada da placenta, há uma queda dos hormônios que reduzem a libido e afetam a lubrificação vaginal. Além disso, a nova rotina, muito mais cansativa, pode fazer com que a mulher queira deixar o sexo em último plano.

Se a mulher teve um parto normal, a penetração pode doer, machucar e até causar uma infecção. Já no caso de cesárea, além do risco de infecção, pode haver ferimentos na incisão abdominal que está sensível e em processo de cicatrização. Por isso, o mais indicado é aguardar entre 40 e 60 dias. Mas também é importante lembrar que sexo não é só penetração e pode ser feito pelo casal de outras formas menos arriscadas, se você desejar.

É fundamental frisar que neste resguardo, a penetração pode ser dolorosa, além de aumentar o risco da mulher desenvolver algum tipo de contaminação no útero pelo fato do colo do útero não estar completamente fechado. “O segredo é ir devagar, escolher uma posição confortável, acostumar com as interrupções que podem acontecer e esquecer as preocupações na hora do sexo”, explica Erica Mantelli, ginecologista e obstetra.

(Foto: Getty Images)
Tudo muda

A culpa pela falta de libido não vem só dessa mudança fisiológica. O fator “mãe” também pesa na balança e pode influenciar na falta de interesse pelo sexo. “A mãe coloca o bebê como prioridade, principalmente porque ele é recém-nascido e depende dela, deixando de lado as vontades do companheiro”, ressalta Erica.

“Durante os três primeiros meses, a mulher tem uma relação de simbiose com o filho, um envolvimento natural e importante para o desenvolvimento do bebê”, afirma a psicóloga Ângela Clara Côrrea, mãe de Vinícius. Apesar de esse apego ser necessário, a mãe não pode esquecer que ela também é mulher e que, passado o período de adaptação com o bebê, é fundamental para a saúde do relacionamento a retomada das atividades sexuais.

O papel do parceiro

Após o parto, o marido precisa mesmo mostrar atenção e interesse e, principalmente, levantar a moral da mulher, que além de estar com o tesão em baixa também enfrenta um verdadeiro drama para voltar ao corpo de antes. “O apetite sexual não envolve só o corpo. O parceiro precisa valorizar as qualidades da mulher. Ela tem de sentir que é desejada”, explica a psicóloga Eliana Pommé, mãe de Luana, Naila e Petrus.

“É um grande desafio o para o casal, mas é claro que cada caso é um caso. Tem mulher que se fecha igual a uma ostra, parece que o corpo se fecha completamente – independente da via de parto – para uma dedicação total à vida que está ali e à amamentação. Os próprios hormônios vão para a amamentação, o genital resseca, e a libido da mulher fica toda dedicada à criação daquela criança. O que eu vejo é que nessa hora falta muita maturidade dos homens”, reforça Claudio Serva.

Para o especialista, é essencial que o parceiro também esteja seguro ao lado da mulher. “Ele vai precisar estar bem com ele próprio, pois o homem pode se sentir abandonado. O sexo dá uma parada e eu entendo que esse deveria ser um momento da família.  O homem precisa se entender com a própria sexualidade, ter amadurecimento para encarar a gestação, que é uma das coisas mais maravilhosas que pode acontecer na vida de alguém. É a formação de uma família, o aprofundamento de um vínculo, uma coisa que é para a vida inteira. É a oportunidade desse cara de se conectar com essa criança, com a família que ele construiu”, explica.

(Foto: iStock)

Sem traições

Na última quarta (8), o personagem Álvaro trai a esposa Verena com Estela. A novela “Amor de Mãe” mostra uma situação comum entre os casais após o nascimento de um filho. “Sinto pena do homem que se acha no direito machista de ‘pular a cerca’ nesse período, porque é uma questão de tempo em que ele poderia segurar um pouco a onda, porque as coisas depois voltam, a libido da mulher volta. Esse período passa e aí um relacionamento que poderia enfrentar essa fase e sair muito mais fortalecido, acaba tendo um rompimento e uma fragilidade. Enxergo como muita falta de companheirismo e de maturidade”, define Claudio. O natural é que a vida sexual do casal retome seu ritmo com o passar do tempo.

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