Diretor proíbe criança com autismo de frequentar aulas: “Seu filho é um empecilho”

A mãe Greicy Szuta, 44, é professora no colégio e ficou decepcionada com o comportamento do diretor de impedir que o filho frequente a escola

Resumo da Notícia

  • Mãe foi proibida de levar o filho autista à escola
  • Segundo o diretor o menino é uma ameaça a integridade de outros alunos
  • A escola está procurando um mediador para auxiliar o menino na sala de aula

Greicy Szuta, 44, é professora na escola estadual Ilka Maria de Lima, em Rio Branco, o diretor proibiu o filho autista de 6 anos dela de frequentar a escola por ser uma ameaça à integridade dos outros alunos. O menino precisava de um mediador durante a aula.

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O menino foi matriculado em Maio de 2021, e em Junho foi feita uma solicitação para contratar um mediador para auxiliá-lo na sala de aula. Pois na época esse profissional não estava disponível na escola, e seria de extrema importância para o menino.

A mãe contou que conseguiu uma psicóloga para acompanhar o filho durante as aulas, porém um dia ela não pode ir e ele precisou ficar sozinho na sala. Segundo a professora que estava presente, o menino se mostrou agitado e atrapalhou a aula.

“Os diretores me chamaram e me orientaram que meu filho não deveria mais participar das aulas presenciais e deveria ser deixado em casa. Eu disse que não iria fazer isso, que continuaria levando ele, nem que fosse para ficar junto comigo na minha sala, que eu daria aula para meus alunos e para meu filho. O diretor disse que pela integridade dos outros alunos, o meu filho não deve assistir às aulas presenciais. Eu chorei, saí de lá aos prantos, é muito difícil você ouvir que seu filho é um empecilho”, contou a mãe ao G1.

A mãe raspou a cabeça em apoio ao filho
A mãe raspou a cabeça em apoio ao filho (Foto: Reprodução/G1)

Além de não conseguir um mediador que ajude o menino nas aulas, ele não recebe tarefas adaptadas para fazer em casa, como se o aprendizado dele não importasse para a escola. Desde 2016 existe uma lei que está em vigor onde existe uma forma acessível de ensino para todas as pessoas com deficiência, fechar as portas nesse tipo de caso é crime.

Em nota assinada pela chefe de divisão e educação especial, Shirlei Lessa, a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes (SEE) disse: “A Secretaria aguarda o relatório pedagógico do aluno. Com a solicitação do profissional de apoio, o relatório pedagógico do aluno e laudo médico (se houver) em mãos, a assessoria pedagógica da Divisão de Educação Especial avalia e emite parecer favorável enviando para a Divisão de Lotação a autorização para contratação do profissional. É preciso seguir essas etapas”.

Em nota a Secretaria continuou dizendo que a contratação de um mediador está sendo feita, e aguardam a confirmação, pois muitos profissionais desistiram do cargo por motivos diversos, o que prejudicou o andamento do processo.

Em Julho deste ano Greicy raspou a cabeça em apoio ao filho, pois ele ficava muito inquieto ao cortar o cabelo, ela encontrou uma alternativa que o pai fazia que era sentar o menino no colo, cortar o dele primeiro e depois o da criança. Infelizmente o pai do menino faleceu de Covid em Março, e após isso o filho não deixou mais cortar o cabelo.