Favipiravir: remédio para gripe que curou pacientes da Covid-19 em 4 dias é eficiente?

Durante uma coletiva, o Ministro da Saúde chinês afirmou que os testes com o medicamento estavam mostrando bons resultados, porém os números da pesquisa ainda não foram divulgados

Resumo da Notícia

  • O Ministro da Saúde chinês afirmou durante uma coletiva que o favipiravir estava apresentando bons resultados contra o coronavírus
  • O remédio usado no combate à gripe foi oferecido a pacientes que estavam infectados
  • Normalmente os pacientes demoram 11 dias para serem liberados, com o medicamento o tempo reduziu para 4 dias
  • O estudo ainda não foi publicado e, portanto, o remédio, nesse momento, é apenas uma esperança e não certeza
O infectologista João Prats diz que é necessário aguardar a publicação do estudo para afirmar a eficácia (Foto: Getty Images)

Tratamento contra o coronavírus? De acordo com um teste clínico realizado por profissionais da saúde na China, o favipiravir, medicamento usado para acabar com a gripe, também apresenta resultados positivos no combate à doença. Zhang Xinmin, do Ministério de Ciência e Tecnologia chinês afirmou que os resultados foram encorajadores. O teste contou com 340 pacientes. Segundo as informações oficiais, aqueles que receberam o medicamento, testaram negativo para a Covid-19 quatro dias depois. 

Os especialistas julgaram esse efeito muito bom, uma vez que a infecção costuma durar cerca de 11 dias. E não acaba por aí, os cientistas chineses também garantem benefícios aos pulmões. Uma pesquisa concluiu que 20 a 30% dos infectados terão danos permanentes em relação ao sistema respiratório, mas com o uso do medicamento, 91% apresentaram melhorias no funcionamento deste órgão. O Japão também adotou essa prática em um estudo com pacientes em graus leve e moderados, mas de acordo com o Ministério da Saúde do país a droga não é tão eficiente para quem tem sintomas graves. 

 

Esclarecendo a informação

O infectologista da da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo João Prats explica: “O favipiravir é um antiviral, parece ter efeito sobre o RNA do vírus ou efeito sob uma enzima que é muito importante para o vírus, de acordo com estudos feitos em animais”. O médico enfatiza que embora, o Ministro da Saúde chinês e o presidente da companhia japonesa que produz a droga afirmaram os bons resultados, é preciso ter cautela. 

“Nós não temos esses resultados cientificamente divulgados ainda, não temos números, não temos o estudo, apenas uma notícia de pessoas que têm um conflito de interesse. Isso foi um adiantamento. No momento, não quer dizer muita coisa, é só para falarmos que talvez tenhamos esperança nessa nova droga”, comenta. É complicado, mas é preciso aguardar para que o trabalho seja divulgado e outras pesquisas comprovem essa teoria para liberar o uso no Brasil

Nesse momento, o isolamento domiciliar é o mais recomendado (Foto: reprodução)

O especialista lembra que além do favipiravir, outros medicamentos também estão sendo estudados ao redor do mundo, mas ainda não temos nenhum tratamento eficaz, de fato, confirmado. “A evidência da hidroxicloroquina é pequena, é um desfecho mais experimental. O estudo que apontou que ela é boa clinicamente foi com pacientes muito leves e não comparou gente que tomou com gente que não tomou”, completou. 

Por isso, tem um estudo em andamento no país com a união de vários hospitais para testar o remédio em pacientes com coronavírus. Ainda é cedo para falar em uma cura para a pandemia, portanto, o melhor caminho continua sendo a prevenção, através do isolamento domiciliar e da higienização correta das mãos.  

 

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