Madrasta ou padrasto: dicas para seu enteado te ouvir e respeitar numa boa

Se impor quando se chega na família depois que ela já tem crianças pode ser um tanto quanto difícil, mas nunca é impossível!

Resumo da Notícia

  • É muito difícil se impor como madrasta ou padrasto
  • É preciso ter muito cuidado para não desrespeitar o pai e mãe da criança
  • Se você é madrasta ou padrasto: essas dicas são para que você consiga fazer com que seu enteado te ouça e respeite numa boa

“Meu marido e eu nos casamos há dois anos e os dois filhos dele agora moram conosco em tempo integral. Eles têm 8 e 10 anos. Eles raramente me escutam e às vezes me ignoram completamente. Tento não ultrapassar meus limites, mas sinto que é doloroso não ser ouvida”. Se você é um padrasto ou madrasta, provavelmente já teve essa sensação em algum momento da vida. Uma leitora enviou essa questão à Parents, pedindo dicas à coluna de Emily Edlynn, psicóloga clínica especializada no trabalho com crianças e adolescentes.

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Como fazer para seu enteado te ouvir e respeitar (Foto: iStock)

Emily fez questão não só de respondê-la, mas como de trazer as principais dicas para fazer com que pessoas como você – madrastas e padrastos – consigam se impor para os enteados, mas sem desrespeitá-los, numa boa mesmo. “Em primeiro lugar, quero dizer que sentir essa mágoa quando se é ignorado é totalmente válido e normal, mesmo que as crianças façam isso provavelmente sem ter a completa consciência de como essa ação pode afetar os adultos. No mundo dos pais, podemos nos tornar tão focados na empatia por nossos filhos e na compreensão de seus comportamentos, que desconsideramos nossas próprias respostas emocionais. É claro que, como adultos, controlamos melhor nossas emoções (espero), mas isso não as torna menos reais”, ela começa a resposta à leitora.

“Viver como parte de uma família mesclada traz todos os tipos de desafios e oportunidades para as crianças, incluindo navegar em uma confusão de emoções e descobrir os múltiplos relacionamentos entre pais e filhos. Mas com o tempo e adultos comprometidos, é possível que todos mudem e cresçam (até os adultos)”, completa. Emily trouxe, também, algumas dicas mais gerais que podem te ajudar, confira:

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Papel do pai

“Nessa caso relatado pela leitora, claramente alguns comportamentos precisam ser alterados e o marido (pai das crianças) tem um papel fundamental nisso”, ela pontua. A psicóloga explica que, por ser o pai e estar presente desde sempre na vida dos filhos, ele acaba moldando bastante a forma na qual as crianças veem a madrasta. Logo, cabe a ele encontrar formas de contribuir para o bom relacionamento entre a esposa e os filhos (afinal, todos vão se beneficiar com isso!). O pai precisa apoiar autoridade dela como madrasta e mostrar às crianças que ela também está procurando o melhor para todos.

Mas, para que isso realmente aconteça, é extremamente importante que os dois sigam as mesmas regras e linhas na hora de educar. Com o tempo, as crianças vão perceber que vocês dois estão falando a mesma língua, logo, te respeitarão também como responsável por elas.

“Espero que já tenha acontecido um diálogo sobre como lidar com tudo que está acontecendo, mas sei, por meu próprio trabalho como terapeuta, que falar sobre as coisas nem sempre acontece naturalmente. É possível que os comportamentos das crianças de não ouvir e ignorar você estejam enraizados na dificuldade de aceitar a realidade de que os pais não estão mais juntos. Não é racional, mas eles podem achar que, se agirem como se você não estivesse lá, talvez a fantasia deles dos pais reatando o relacionamento pudesse realmente acontecer”, pontua a psicóloga.

Para descobrir se esse é o caso e conseguir revertê-lo, é extremamente necessário que o responsável das crianças também tenha conversas diretas com os filhos sobre a forma na qual eles tratam você. Emily ressalta que essa conversa não deve ser algo disciplinar, como uma bronca, mas focado em apoiá-los emocionalmente e explorar formas mais úteis de demonstrar essas emoções.

“É importante que ele os incentive a expressar como se sentem e a validar essas emoções primeiro. Em seguida, ele pode falar sobre como o comportamento deles com você precisa mudar, enquanto os ajuda a encontrar outras maneiras de lidar com essas emoções tão difíceis”, aconselha ela. O mesmo vale para famílias com mãe e padrasto, basta inverter os papéis.

Papel da mãe

“Percebi que você falou que as crianças agora moram com você por tempo integral. Essa mudança provavelmente indica que houve algum grau de perda do relacionamento com a mãe deles. Sei por experiência própria que essa decisão pode ter acontecido por uma série de fatores. Mas, no final das contas, para as crianças, o que mais importa é que a mãe biológica não está cuidando mais delas. Isso pode ser um enorme desgaste emocional. E você representa uma figura materna que não é a mãe e nunca poderá ser uma substituta”, pontua Emily sobre o caso em questão, mas traz à tona tópicos que pode acontecer em qualquer outra família que passe por situação parecida.

Ela também reforça que, infelizmente, em algumas famílias os pais lidam de forma inadequada com a própria raiva e ressentimentos em relação ao ex-parceiro, atribuindo esse sentimento aos filhos. “É importante ter em mente que seus enteados podem ter ouvido coisas ruins sobre você da mãe deles e não há como isso não afetá-los”, completa.

A psicóloga ressalta, no entanto, que mesmo que isso ocorra, é possível que os enteados aprendam que gostar e respeitar você não é o mesmo que trair a mãe deles. Mas reverter essa chave pode ser difícil e você e seu marido vão precisar de muita paciência – e diálogo!

Ajuda profissional

Se mesmo com o apoio do seu marido em casa e com a mãe das crianças colaborando para o relacionamento entre você e os filhos esse tipo de comportamento se repetir, Emely recomenda uma terapia familiar. “Ter um profissional neutro envolvido dá às crianças um lugar para expressar o que elas pensam, mas não se sentem confortáveis em falar para a família e pode ajudar todos vocês a encontrarem maneiras mais saudáveis ​​de se comunicarem e se relacionarem. Isso inclui estabelecer limites em torno de comportamentos e estabelecer expectativas claras sobre como os membros da família tratam uns aos outros”, explica.

Quanto aos seus sentimentos como madrasta, se não quiser procurar uma ajuda profissional, vá atrás de uma rede de apoio, seja por meio da sua família ou de amigos. Essa rede de segurança emocional pode te ajudar a ter paciência e encontrar formas de conversar com seus enteados, mesmo quando eles são mais brutos. “Construir relacionamentos em todas as idades exige tempo, paciência e confiança, e você pode fazer sua parte continuando a mostrar que os ama e respeita, mesmo que precise esperar que eles sejam capazes de demonstrar isso de volta”, orienta.

“Aos 8 e 10 anos, seus enteados caem em uma fase de desenvolvimento em que são vulneráveis ​​a influências externas e ainda desenvolvem as partes do cérebro que processam emoções fortes. Eles passaram por mudanças familiares significativas que podem ter deixado você como o alvo mais fácil para a raiva, tristeza e perda deles. Não é justo com você, mas com os recursos e suporte certos, você pode mostrar a eles o que é confiança, amor e respeito. Mesmo que nunca haja uma substituta para a mãe de uma criança, isso não diminui o quanto uma madrasta dedicada e carinhosa pode ser importante. Mesmo que leve tempo para as crianças perceberem”, finaliza.