Mãe cria “mesa da honestidade” e vê lucro de laços infantis triplicar

Uma mulher decidiu confiar nas pessoas e deixar os produtos sozinhos na rua. Quem quiser pode pegar um item e deixar o dinheiro no local

Resumo da Notícia

  • Aline Ketline Mendes teve a ideai de criar uma "mesa da honestidade"
  • Após o nascimento da filha, a mulher decidiu confeccionar laços infantis
  • O projeto triplicou o lucro após a iniciativa de deixá-los na rua

A iniciativa da “mesa da honestidade” surpreendeu Aline Ketline Mendes. Três vezes por semana, ela deixa os laços infantis que produz à venda em uma mesa em bairros movimentados de Santos, no litoral de São Paulo, junto com uma caixa para o cliente colocar o dinheiro da compra, e pegar o troco, caso precise. Assim que prepara a mesa, Aline sai e confia na honestidade das pessoas.

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Aline confia que os clientes vão deixar o dinheiro (foto: Reprodução/G1)

Em entrevista ao portal G1, ela contou que foi a confiança na honestidade dos clientes que fez com as vendas crescessem, mesmo em meio à pandemia. O projeto triplicou o lucro das vendas dos laços e atualmente, com a ajuda do marido, eles bancam 100% da renda familiar. Aline falou: “As vendas com a ‘mesa da honestidade’ não só aumentaram nas ruas, como também por meio das redes sociais, porque a ação acabou virando propaganda, já que muitas pessoas se surpreendem, gostam, e compartilham nos perfis pessoais, fazendo com que eu tenha diversas encomendas. Além disso, muitas pessoas que não compram, acabam mandando foto do meu trabalho que veem na rua para aquela amiga que tem filha”.

Aline diz que começou a confeccionar os laços há três anos, quando descobriu que estava grávida de uma menina. “Fiquei apaixonada pelos laços, mas na época era caro para mim, então resolvi entrar no YouTube e aprender a fazer os meus próprios laços para a minha filha. Comprei o material e comecei a produzir, até então não sabia que tinha mão para o artesanato, descobri fazendo os laços”, relembra Aline.

Desde então, a mãe começou a vender os laços, e nomeou o negócio de “Laços da Camilly”, em homenagem à filha. O resultado positivo foi um incentivo para que ela continuasse com a ação.  “Eu tinha visto uma reportagem de que isso [mesa de honestidade] é normal na Europa. E, como na pandemia as vendas na rua ficaram proibidas, resolvi acreditar na honestidade das pessoas e testei uma vez. Quando cheguei a noite no local, achando que não teria nem laços e nem dinheiro na mesa, me surpreendi com a caixinha cheia de dinheiro e com todos os laços vendidos”, conta Aline.

O comércio se chama “Laços Camilly” (Foto: Reprodução/ Instagram/ @camillyartesanatos)

Para ela,  projeto é um enorme aprendizado sobre o quanto há pessoas boas e honestas em todo o lugar, e de como é preciso ter esperança em boas ações. Aline ainda diz que são poucas as pessoas que levam os laços sem pagar, ou pagam um valor menor do que ela deixa escrito no papel, mas que acredita que são as pessoas que realmente não têm condições financeiras que fazem isso. “Mas quando há esses casos, acaba compensando com pessoas que pagam e não pegam o troco. Nunca tive prejuízo.”

Aline diz nunca ter tido prejuízos com o projeto (foto: Reprodução/G1)

De acordo com a vendedora, os clientes gostam de receber essa confiança, e eles enviam mensagens diariamente com elogios sobre a iniciativa. Aline finaliza dizendo: “A ‘mesa da honestidade’ é uma medida transformadora no momento em que vivemos, com tanta corrupção no país. Ela traz esperança, porque quando os clientes compram ou veem a mesinha lá eles pensam ‘o Brasil tem seus problemas mas as pessoas honestas vão mudar isso’. E foi muito importante para mostrar que o povo brasileiro é 99% honesto, só há uma parcela pequena de desonestos nesse país, e até eu me surpreendi com a honestidade, foi importante para eu descobrir isso”.