Mãe de menina baleada nas costas no Rio, dá depoimento sobre caso: “Não vi verdade em nada”

Ágatha Félix foi morta a tiros no Rio de Janeiro em 2019, o caso está em andamento até hoje

Resumo da Notícia

  • Ágatha Félix morreu baleada em 2019 por um policial militar
  • A mãe deu um depoimento nesta última quarta-feira
  • O caso está em andamento ainda

A mãe de Ágatha Félix prestou um depoimento nesta última quarta-feira na audiência para resolver o caso. Pela primeira vez, Vanessa Francisco Salle se encontrou com o policial militar, Rodrigo José de Matos Soares, que foi acusado de ter feito o disparo contra a criança de 8 anos.

-Publicidade-

O policial foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) e responde na Justiça como réu por homicídio doloso. Em entrevista ao EXTRA, Vanessa disse ter sentido raiva durante o julgamento, mas não do acusado, e sim dos policiais que foram até lá prestar depoimento.

“Eu fiquei tão chocada, mas tão chocada com os depoimentos dos policiais (que estavam lá como testemunhas), que senti raiva. Eu não vi verdade em nada do que eles disseram. Em nada” relatou a assistente operacional. A próxima audiência está marcada para 3 de março, data em que a juíza Tula Corrêa de Mello, da 1ª Vara Criminal do Rio, poderá definir se o caso será levado ao júri popular.

Agatha Felix foi morta por tiros em 2019 por um policial militar
Agatha Felix foi morta por tiros em 2019 por um policial militar (Foto: Reprodução/G1)

Ainda segundo a mãe da menina, em determinado momento da sessão, “de forma desagradável”, a defesa do PM passou a fazer perguntas a ela insistentemente. Mas praticamente todas elas foram indeferidas pela juíza, conta ela.

“Ele (o réu) não precisou se manifestar, só os advogados dele que me faziam perguntas que eu já tinha respondido. Não quero entrar em detalhes porque é muito doloroso de lembrar. Estou dando essa entrevista, mas a verdade é que eu queria me isolar numa caixinha de fósforo e só sair quando isso tudo já estiver resolvido. Só eu sei o que estou sentindo. Mas estou de pé e conheço meus limites”, relembrou a mãe da menina.

A Polícia Civil apontou que um dos tiros disparados pelo cabo Soares ricocheteou num poste, entrou pela traseira do veículo, rasgou o forro do assento e atingiu Ágatha. Segundo a perícia feita no projétil, foi um estilhaço que causou a morte da menina, perfurando suas costas e saindo pelo tórax. O inquérito que apurou a morte revelou que não houve tiroteio no Complexo do Alemão naquela noite, ao contrário do que havia sido informado pelos policiais da UPP Fazendinha.