Família

Mãe faz relato emocionante sobre parto normal da filha, depois de passar por cesárea

"Não foi fácil, nem mágico. Foi marcante e intenso, como são os sonhos que realizamos", relata Nina Brondi, mãe de Marina e Elisa

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Arquivo Pessoal)

(Foto: Arquivo Pessoal)

A Nina Brondi, mãe de Elisa e Marina, participou do Lá em Casa é Assim, projeto da Pais&Filhos em parceria com a Natura Mamãe e Bebê, e contou para a gente a história de sua gestação e como conseguiu realizar o sonho de ter um parto normal. “Não foi fácil, nem mágico. Foi marcante e intenso, como são os sonhos que realizamos. Não cai do céu. É preciso correr atrás, se preparar e respeitar a espera, mas nós esperamos e conseguimos”, relata Nina. Vem conhecer essa linda história:

“Minha segunda filha, Elisa, chegou com 4,590 kg e 55 cm às 42 semanas e 3 dias de gestação. Sou mãe de duas meninas. A Marina nasceu de cesárea e eu não fui menos mãe por isso. Era pra ter sido e nossa história é linda. Mas eu sempre tive o sonho de parir, queria conhecer meu corpo neste movimento. Eu queria me sentir ativa, agir, sentir dor. Queria o trabalho de parto.

Quando cheguei à Londrina, fui para a yoga e a conexão com meu corpo fez com que meu desejo só aumentasse. Eu sabia que, para parir, precisaria estar com um médico 100% pró parto normal, caso contrário, na reta final o ” tentar o parto normal” iria por água abaixo (ou tesoura acima). Mas o médico parteiro não tinha agenda. Eu liguei muitas vezes. Insisti. Mas era impossível.

E arianas aceitam um não? Corri atrás na cara de pau e falei pessoalmente com o médico. Com 36 semanas de gravidez, contei a minha história e expus meu desejo: eu quero parir e isso só vai acontecer se você me atender. Pelo tempo, talvez tivéssemos só uma consulta, mas eu já confiava nele sem nem conhecer. Pedi pra Elisa não nascer até nossa consulta na semana seguinte. Era ele. Um ser de luz. Ele falava o que eu sempre sonhei ouvir. Ele defende o corpo. A natureza da mulher.

O Fernando, meu marido, me apoiava em tudo e isso foi determinante para que tudo corresse bem. Em nenhum momento ele questionou ou se mostrou contrário. Segurou as pontas e engoliu a própria ansiedade. Me deu as mãos e pudemos continuar. Conversamos com as doulas. Esse acompanhamento de perto, para pais de segunda viagem depois de uma cesárea com certeza, seria importante. E foi!

Vieram as 40 semanas e nada, nenhum sinal. Só sentia ansiedade mesmo. Depois, chegaram as 41 semanas e nada ainda. Vamos continuar, monitorizar diariamente. Estava tudo normal, tudo ótimo. Em uma crise de ansiedade, com medo de passar da hora e sob influência das lendas urbanas que levam milhares de mulheres para a cesárea, ouvi do meu médico: “Não vou dormir se fizer a cesárea em você, Nina. Vocês estão ótimas. Estamos acompanhando. Está tudo perfeito. Podemos seguir, se acalme”.

Me acalmei. Acreditei na nossa equipe. Sim, uma grande equipe para que tudo desse certo. Foram longas conversas na madrugada: eu, Fernando e Elisa. Nos encorajamos e declaramos nossa confiança uns nos outros. Com 42 semanas de gestação, nós voltamos o calendário para não assustar as pessoas e nos blindarmos. Estávamos cuidando de tudo bem de perto. Fazíamos cardiotocografia todo dia e ultrassom com doppler dia sim e dia não. E de repente veio muito líquido, placenta grau 2. Enfim, chegou o dia. Saiu o tampão. Senti a primeira dor (quanta realização uma dor pode trazer!) às 6 horas da manhã.

Passei o dia com dor até ir pro hospital às 16 horas. E aos poucos tudo foi ficando mais intenso. Dores, sensações, descontrole. Quanto tempo duraria aquilo tudo? Mas o que é o tempo? Elisa já havia me ensinado nas semanas anteriores que o tempo não era o meu. Era o nosso e eu não podia controlar. Foi uma grande lição. Em alguns momentos da vida não há o que se fazer a não ser respeitar a espera. Então vivemos a espera e uma madrugada intensa. Pensei tanta coisa e não pensei nada. Assim como a água do chuveiro que aliviava as dores, os pensamentos iam embora.

Fechar os olhos me ajudou, conectou. Eu chamei Elisa. Pedi pelo amor de Deus pra ela vir. Estava cansada. Tinha ao meu lado companheiros fiéis e a melhor equipe. Quando as dores apertaram, pensei em todas as muitas pessoas que tentaram jogar em mim a impossibilidade de parir. Eu ouvi de tudo nas duas últimas semanas: bebê grande, gestação longa, pelve estreita, útero preguiçoso, atonia uterina, mecônio, cesárea anterior, sofrimento fetal, marido alto, eu pequena… Seria verdade aquilo tudo? Era hora de desistir?

Mas a equipe estava ali. Eles me reergueram, encorajaram e mostraram que a Elisa estava ali ao alcance das minhas mãos. Eu senti minha pequena. Era hora de fazer força. Mas onde? Estava exausta e a dor era grande. Ela está descendo, pensei. Falta muito pouco. Então, fechei os olhos e mergulhei no meu mar de histórias. Pedi às mulheres da minha família que me permitissem parir.

Eu vou conseguir, pensei. De cócoras e no chão. Cercada por pessoas muito especiais, fui para dentro de mim, já que a força estava ali. Então, eu pari. Elisa veio ao mundo com a luz de uma manhã de sábado. Eu vi o céu e ela chegou. Nós conseguimos. Não foi fácil. Não foi um caminho tranquilo. Foi uma longa, intensa e inesquecível história, coroada pelo choro e a realização. Nós fomos fortes, determinados e conseguimos. Eu, Elisa, Fernando, Marina, Tami, Letícia (e a Lua que nos acompanhou à distância) e aquele que me acolheu e acreditou muito que eu seria capaz de parir: o Dr. Vinicius. Um homem de olhar tranquilo, responsável e cuidadoso. Um médico humano que respeita o poder da mulher.

Não foi fácil. Não foi mágico. Foi marcante e intenso, como são os sonhos que realizamos. Não cai do céu. É preciso correr atrás, se preparar e respeitar a espera. Mas nós esperamos e conseguimos!”

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