Criança

Na dúvida se tem o segundo filho? Vamos te mostrar como irmão só traz coisa boa!

Tanto para você quanto para seu filho mais velho

Ana Beatriz Alves

Ana Beatriz Alves ,Filha de Maria de Fátima

(Foto: iStock)

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A decisão, ou a surpresa (a gente sabe que acontece!), da chegada de uma segunda criança em casa pode ser bem difícil para os dois lados: para os pais, que ficam com medo de começar tudo de novo e têm a preocupação de ter mais um ser pra educar e uma escola boa para pagar, e para o filho, que, até então, era único e agora vai ter que compartilhar os brinquedos, a casa e, o mais assustador de tudo, a atenção dos pais. Mas tenha calma e não se desespere, vai dar tudo certo e será muito bom!

Se você tem irmãos ou já conversou com uma família grande, sabe a diferença de rotina e dinâmica
da família quando se tem um ou mais companheiros em casa. Essas mudanças não são apenas no ambiente externo, na logística da família, mas acontece principalmente no interno, ou seja, o lado emocional. É um momento de atenção, e que pode ser transformador – pro bem de todos!

A chegada de um irmão é a entrada de um completo estranho na família e acaba trazendo uma série de sentimentos contraditórios, que afeta o equilíbrio da criança. Por isso, é importante que os pais entendam que essas confusões de sentimentos existem e são normais! Seu filho vai sentir amor e ódio, felicidade e tristeza, olhar para a situação sem entender direito. Vai achar bom e ruim ao mesmo tempo, a maior confusão! E é a forma como os pais percebem e lidam com esses sentimentos é que vai fazer a diferença nas relações que vão se estabelecer, tanto entre pais e filhos como entre os irmãos.

Irmão, uma aventura estimulante

Não é fácil dividir um mundo que antes parecia ser todo só pra você com uma pessoinha estranha que acabou de chegar e que exige toda a atenção da mãe. Mas as vantagens são muitas, tanto para o irmão mais novo, que pode ser protegido pelo mais velho, quanto para o mais velho, que desenvolve um senso de proteção e zelo com o mais novo. Juntos, aprendem a resolver conflitos, negociar, ceder e a fazer novos amigos.

A relação entre irmãos desempenha um importante papel na construção do indivíduo. No dia a dia com esse novo membro na família, todos começam a aprender a detectar sentimentos novos, o que estimula uma cumplicidade na família. Dividir e compartilhar vira rotina, sem muito esforço. Às vezes, há disputas, ciúme, inveja e rivalidade, mas também companheirismo e solidariedade entre eles. A criança aprende a dividir com um irmão. Do último Danone da geladeira à atenção dos pais, ela entende que o mundo não é só dela. É uma troca diária de ideias, sentimentos e aprendizados. Com um irmão, seu filho já tem um amigo, convive e aprende a socializar com outra criança antes mesmo de conhecer o mundo de fora.

Muitos irmãos criam um relacionamento tão forte e saudável que passam a ser melhores amigos. Um verdadeiro treinamento de sentimentos para futuros adultos, que terão que conviver com as frustrações
da vida. E com o estímulo e a oportunidade certa, ter um irmão é ter alguém a quem recorrer nos momentos difíceis e ter em quem confiar. Dá uma certa tranquilidade saber que, mais que um amigo, ele é família e entende o outro, compartilha as situações vividas em casa, com os pais, passa ou já passou por situações parecidas na escola.

O segundo: o desafio agora é outro
No primeiro filho, no geral os pais agem como se vivessem em um teste diário cheio de erros e acertos, sem uma fórmula certa para seguir. São superprotetores em todos os primeiros passos. No segundo, já estão mais experientes. Mas, se em alguns assuntos são experts, em outros terão que ter muita disposição e trabalho em família, para garantir harmonia e afeto para todos. E é importante saber dividir a atenção entre o novo bebê e o primeiro filho, e não se esquecer do tempo do casal.  É normal que a mãe passe a dar mais atenção para o bebê, que é totalmente dependente dela.

E por isso o pai deve estar mais perto do mais velho, mas sem deixar de participar do crescimento do mais novo, claro! Um belo exercício de equilíbrio. É uma luta diária conciliar trabalho, casa, relacionamento do casal e criação dos filhos. Por causa dessa falta de tempo e tantas obrigações acumuladas, às vezes ficamos menos tempo com os filhos do que gostaríamos. Mas, mesmo que não tenhamos todo o tempo do mundo pra estar com elas, as crianças precisam de atenção e interação. E temos que deixar isso claro para eles. E os irmãos também podem fazer companhia um pro outro.

Temos cinco dedos na mão, e os cinco são diferentes, mas todos igualmente importantes.  Os pais aprendem, na raça, a lidar com essas personalidades nada parecidas dos filhos. E a demonstração de afeto, consequentemente, também precisa ser diferente, porque cada um reage à mesma situação de maneira distinta. Não basta apenas respeitar, mas prestar atenção em cada um deles é extremamente importante, para evitar qualquer tipo de insegurança, trauma emocional e também algum sentimento de competição.

Quanto mais diálogo, melhor. Relações humanas são difíceis. Quando se tem mais de uma criança, é preciso desenvolver mais a capacidade de dialogar e argumentar. E não ache que, porque é criança, as opiniões são frágeis ou simples, é preciso certo gingado para lidar com as questões que os mais novos trazem para a mesa. E a chegada de mais um membro na família pode reforçar a criação de limites, o que é importante ser estabelecido numa casa. Nem sempre é fácil, mas saber dizer não e estabelecer regras é essencial. Uma ida ao shopping, por exemplo, pode ser conversada entre todos: não vamos comprar tudo o que aparecer pela frente. Isso ajuda no desenvolvimento do caráter e da personalidade da criança, que entenderá que não pode tudo o tempo todo.

Levantamos muitas expectativas com cada filho que temos. É normal. Achamos que ele será o próximo Einstein, vai descobrir a cura para o câncer e conseguir a paz mundial. E as crianças sentem esse peso, o que pode atrapalhar na autoconfiança e no desenvolvimento deles. Quando se tem irmão, o peso é aliviado. Relações fraternas Mesmo pertencendo à mesma família, mesmo pai, mesma mãe, o tipo de relação ou vínculo fraterno que os irmãos vão construir depende de cada personalidade. Mas você pode ajudar muito para que as relações sejam amorosas e saudáveis.

Seu papel é estimular o tempo juntos, as brincadeiras, o diálogo, as trocas e, principalmente, a individualidade de cada um, incentivando o respeito às opiniões, desejos, e gostos. Precisa encorajar a participação do irmão mais velho na vida do mais novo para ele continuar se sentindo importante na família. Assim como não existem ex-pais, exmães ou ex-filhos, não existem ex-irmãos. Ainda bem!

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