Variante Delta é confirmada em 90% de amostras de casos de Covid-19 em São Paulo

Um teste feito com amostras de pacientes na capital paulista evidenciou a potência da nova variante da Covid-19

Resumo da Notícia

  • A variante delta está presente em ao menos 90% dos casos de Covid-19 em São Paulo
  • Um teste coletou amostra de pacientes infectados com o coronavírus, e pôde confirmar o dado
  • Agora, são 1.921 casos da variante delta só na capital

Um teste com amostras de pacientes infectados pela Covid-19 mostrou que 90% dos casos são da variante Delta, que surgiu chegou ao Brasil da Índia em julho do ano passado. Agora, são 1.921 casos da nova variante só na capital paulista.

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A pesquisa foi feita pelo Instituto Butantan em parceria com a Prefeitura, contando ainda com a participação do  Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Adolfo Lutz. “A medida é fundamental para entender o cenário atual do comportamento da Covid-19 e evitar a expansão dos casos de Covid-19 na cidade de São Paulo”, afirmou a Prefeitura.

Os testes foram feitos pela Prefeitura de SP em parceria com o Instituto Butantan
Os testes foram feitos pela Prefeitura de SP em parceria com o Instituto Butantan (Foto: Getty Images)

Contudo, o teste mostra que o aumento da ocorrência da variante não ocasionou no aumento no número de infectados em São Paulo, por causa da campanha de vacinação. De acordo com informações divulgadas pela Agência CNN, São Paulo já acumula mais de 1.4 milhão de infecções confirmadas da Covid-19, e já tirou a vida de 37.596 pessoas.

A variante delta

A propagação da variante Delta no Brasil vem preocupando a comunidade científica. Apesar da falsa sensação entre os brasileiros de que a pandemia do coronavírus já está sob controle, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a cepa que surgiu na Índia pode ser dominante por aqui. A transmissão local da nova variante já é realidade em alguns estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

“A variante Delta mostrou ter uma capacidade de transmissão maior em comparação com outras variantes preocupantes, como a alpha ou a gama; mas até o momento não existem evidências que permitam inferir um comportamento mais agressivo ou severo dessa variante. Claro que, se o número de casos aumenta, também aumenta a proporção daqueles que podem ser graves ou exigir internação hospitalar”, alertou Jairo Mendez Rico, assessor regional em Enfermidades Virais da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e da OMS, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

É importante se proteger!
É importante se proteger! (Foto: getty images)

Além disso, a variante Delta do coronavírus passa de uma pessoa para outra mais rapidamente do que o ebola, um resfriado comum, a gripe sazonal e o sarampo e é tão contagiosa quanto a catapora, de acordo com um relatório dos Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla em inglês) publicado pelo jornal The Washington Post. Segundo o documento, a infecção causada por essa cepa produz uma quantidade de coronavírus nas vias aéreas dez vezes maior do que em pessoas infectadas com a variante Alfa, que também é altamente contagiosa.

Além disso, a quantidade de vírus em uma pessoa infectada com Delta chega a ser mil vezes maior do que a observada em pessoas infectadas com a versão original do coronavírus, descoberta no início da pandemia na China. A nova cepa pode causar mais sequelas do que todas as outras versões conhecidas do coronavírus. Pesquisas feitas no Canadá e da Escócia descobriram que as pessoas infectadas por ela têm maior probabilidade de serem hospitalizadas, enquanto pesquisas em Cingapura indicaram que é mais provável que necessitem de oxigênio.

A proteção contra a variante Delta deve ser a mesma de todas as outras cepas. Por isso, é muito importante o uso de máscaras, higienização das mãos e dos ambientes, distanciamento acima de 1,5m. “Dessa forma, é possível impedir a transmissão não só da variante delta, como das que já existem e próximas que podem surgir”, explica Dr. Filipe Prohaska, infectologista do Grupo Oncoclínicas, pai de Letícia e Luisa.